Ronaldo Caiado e Daniel Vilela reagem à filiação de Ana Paula Rezende ao Partido Liberal
Governador classifica movimento como decisão de natureza empresarial e descarta articulação política; vice critica motivações e afirma que definição da chapa governista ficará para as convenções

A filiação da advogada Ana Paula Rezende ao Partido Liberal (PL), anunciada durante encontro da sigla que a apresentou como pré-candidata a vice-governadora na chapa do senador Wilder Morais, provocou reação pública do governador Ronaldo Caiado e do vice-governador Daniel Vilela. Ambos afirmaram ter sido surpreendidos pela decisão e negaram qualquer participação prévia na articulação.
Em entrevista coletiva, Caiado declarou que não houve tratativa política envolvendo o Palácio das Esmeraldas e classificou o movimento como resultado de entendimento de caráter empresarial entre o senador e o esposo da advogada. Segundo o governador, a decisão não passou por debate partidário ou alinhamento com a base governista.
Caiado também contestou a narrativa de que Ana Paula Rezende teria enfrentado resistência interna para viabilizar projetos eleitorais anteriores. Ele afirmou que, no pleito municipal recente, defendeu que ela colocasse o nome à disposição para disputar a Prefeitura de Goiânia, mas que a própria família teria optado por não avançar. Sobre o contato telefônico realizado pela advogada, o governador sustentou que a ligação ocorreu após o anúncio público do PL e teve caráter meramente informativo.
O vice-governador Daniel Vilela, que se posiciona como pré-candidato ao Executivo estadual, afirmou que a decisão foi comunicada sem qualquer diálogo prévio com a base aliada. Em declarações à imprensa, criticou a escolha política e sugeriu que interesses vinculados à captação de recursos para iniciativas relacionadas à memória do ex-governador Iris Rezende teriam influenciado o movimento — hipótese não confirmada pela própria Ana Paula Rezende.
A entrada da filha de Iris Rezende no PL reposiciona o debate sucessório em Goiás e adiciona um componente simbólico à disputa, dado o capital político associado ao legado do ex-governador, figura central na história recente do estado. Ao mesmo tempo, evidencia o esforço do PL em ampliar sua presença no cenário local, estruturando uma chapa competitiva ao governo estadual.
Quanto à composição da chapa governista, Daniel Vilela indicou que a definição do nome a vice e da segunda vaga ao Senado será deliberada mais adiante, próximo ao período das convenções partidárias. A estratégia, segundo ele, busca preservar coesão interna e ampliar o diálogo com partidos aliados antes do fechamento formal das alianças.
O episódio revela tensões próprias do ciclo pré-eleitoral e reforça a dinâmica de rearranjos partidários que antecede a formalização das candidaturas, com impacto direto na correlação de forças para a disputa ao Palácio das Esmeraldas.
Tags: #RonaldoCaiado #DanielVilela #AnaPaulaRezende #PartidoLiberal #PolíticaGoiana

