Mulher é presa em Goiatuba suspeita de planejar morte do marido por seguro de vida de R$ 1 milhão
Polícia Civil aponta que biomédico teria sido dopado antes de ser morto; esposa é investigada como possível mentora do crime e outras duas pessoas são suspeitas de participação na execução e ocultação do corpo

Uma mulher de 47 anos foi presa nesta quinta-feira (27), em Goiatuba, no sul de Goiás, suspeita de participação no homicídio do próprio marido, o biomédico e proprietário de um laboratório Aurélio Campos de Oliveira. Segundo a Polícia Civil, a investigação aponta que o crime teria sido planejado para permitir que a mulher recebesse um seguro de vida de R$ 1 milhão, contratado meses antes da morte da vítima e que a tinha como única beneficiária.
O homicídio ocorreu em 30 de abril. A apuração conduzida pela Polícia Civil indica que a vítima teria sido dopada antes de ser atacada dentro da própria residência. Além da esposa, dois homens, de 27 e 30 anos, são investigados por suposta participação na execução e na ocultação do corpo.
Os nomes dos investigados não foram divulgados pelas autoridades. Por esse motivo, não foi possível localizar a manifestação das respectivas defesas até a publicação desta reportagem. As suspeitas ainda são objeto de investigação e dependem do esclarecimento completo das circunstâncias e da definição da responsabilidade individual de cada envolvido.
Seguro de vida e preparação do crime
Conforme a investigação, um dos elementos considerados relevantes pela Polícia Civil foi a contratação de um seguro de vida em nome de Aurélio aproximadamente quatro meses antes do homicídio. A mulher apontada como suspeita seria a única beneficiária da apólice, cujo valor informado pela polícia é de R$ 1 milhão.
Os investigadores também identificaram, segundo a corporação, pesquisas na internet relacionadas a plantas tóxicas, venenos e possíveis efeitos de dívidas sobre a transmissão de patrimônio aos herdeiros.
A polícia apura ainda a existência de um acordo para pagamento de R$ 50 mil aos dois homens que teriam participado diretamente da ação. Segundo a investigação, a esposa teria se encontrado previamente com os suspeitos e, em uma dessas ocasiões, levado luvas que seriam utilizadas durante o crime.
Esses elementos são tratados pela Polícia Civil como indícios de planejamento prévio. A investigação, entretanto, ainda busca reunir provas e esclarecer exatamente como cada participante teria atuado.
O que a polícia diz sobre a noite do homicídio
A dinâmica descrita pela investigação começa com a suposta administração de uma substância de uso veterinário com propriedades sedativas. Segundo a Polícia Civil, a substância teria sido utilizada para deixar Aurélio vulnerável.
A polícia afirma que a esposa teria participado dessa etapa com auxílio de um dos investigados. Enquanto isso, o outro homem teria desligado o DVR responsável pelo armazenamento das imagens do sistema de câmeras da residência.
De acordo com os investigadores, mesmo após a interrupção do equipamento, a esposa teria mantido acesso às imagens pelo celular e acompanhado a movimentação à distância.
Por volta das 21h40, ainda segundo a versão investigativa, ela teria gravado a vítima dopada sobre a cama e encaminhado o vídeo aos outros envolvidos. Na sequência, teria deixado a residência e caminhado por cerca de duas quadras nas proximidades do imóvel, comportamento que, para a polícia, teria contribuído para a construção de um álibi.
Posteriormente, a mulher teria solicitado um veículo por aplicativo para deixar o local com a filha e seguir até um hospital.
Nesse intervalo, os dois homens teriam entrado na residência. Conforme a Polícia Civil, Aurélio foi morto com golpes de madeira e disparo de arma de fogo, em circunstâncias que ainda integram a investigação.
Corpo foi levado para área rural
Depois do homicídio, os suspeitos teriam colocado o corpo da vítima em um veículo e seguido para uma área rural de Goiatuba. Segundo a investigação, o cadáver foi abandonado em uma estrada vicinal de difícil acesso.
A polícia também apura o comportamento da esposa após a execução. Conforme os investigadores, ela teria retornado à residência por volta de 00h40 e registrado imagens dos vestígios deixados no quarto e em outros pontos do imóvel.
Essas fotografias, segundo a Polícia Civil, teriam sido compartilhadas com os demais investigados. A hipótese analisada pelos investigadores é de que o material tenha sido utilizado para mostrar as marcas deixadas pela ação.
O desaparecimento de Aurélio foi comunicado às autoridades e aos familiares por volta das 6h do dia 1º de maio.
Participação de cada investigado ainda é apurada
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a esposa tenha exercido a função de articuladora e planejadora do homicídio. Aos dois homens investigados são atribuídas, conforme a apuração, funções distintas na execução do plano.
Um deles teria participado da administração da substância utilizada para sedar a vítima e da ação dentro da residência. O outro é apontado pela investigação como responsável por interferir no sistema de videomonitoramento.
A ambos também é atribuída a participação na execução do homicídio e no transporte do corpo para a zona rural.
A definição sobre a responsabilidade individual, contudo, ainda depende da conclusão das diligências e da análise das provas reunidas no inquérito.
Investigação continua
A prisão da mulher ocorre enquanto a Polícia Civil prossegue na apuração do homicídio. Entre os objetivos estão esclarecer todas as circunstâncias da morte, confirmar a dinâmica apontada pelos investigadores e estabelecer a participação efetiva de cada um dos suspeitos.
A motivação financeira relacionada ao seguro de vida é uma das principais linhas consideradas pela polícia. O caso, porém, ainda não teve sua investigação encerrada, e as suspeitas deverão ser submetidas à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Até a conclusão do processo, os investigados não podem ser tratados como culpados. A eventual responsabilidade criminal dependerá da produção de provas e das decisões judiciais cabíveis.
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