21 de maio de 2026
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CEI dos Fios Soltos encontra empresas irregulares e prepara punições após série de acidentes, em Goiânia

Comissão da Câmara aponta falhas graves na fiscalização, presença de empresas clandestinas e ausência de ações preventivas para evitar mortes e acidentes causados por cabos soltos
Emaranhado de fios na Capital preocupa população e autoridades | Foto: Rafael Messias

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, instalada na Câmara Municipal de Goiânia, entrou na fase decisiva das investigações e deve apresentar, nas próximas semanas, um relatório com pedidos de responsabilização, notificações a órgãos de controle e propostas de endurecimento das regras para utilização da rede aérea de postes na capital.

A investigação concentra esforços na apuração de responsabilidades de empresas de telecomunicações e distribuição de energia por acidentes envolvendo cabos soltos, estruturas abandonadas e fios instalados de forma irregular em Goiânia. Entre os episódios analisados está a morte de Nathaly Rodrigues do Nascimento, vítima de descarga elétrica, caso que ganhou grande repercussão e passou a simbolizar o debate sobre insegurança na rede urbana de cabeamento.

O relator da CEI, vereador Geverson Abel, afirmou que a comissão identificou uma série de irregularidades envolvendo empresas que utilizam a infraestrutura pública de postes sem fiscalização adequada e sem manutenção preventiva.

Segundo o parlamentar, um dos principais problemas encontrados foi a inexistência de equipes permanentes destinadas à identificação antecipada de cabos rompidos, obsoletos ou instalados irregularmente. De acordo com ele, as empresas atuariam apenas após acidentes ou denúncias já consumadas, sem um sistema contínuo de monitoramento preventivo.

A CEI também aponta a presença de empresas clandestinas utilizando a rede aérea da cidade sem autorização regularizada. Conforme os depoimentos colhidos durante as oitivas, parte dessas companhias exploraria comercialmente a infraestrutura pública sem compromisso operacional, técnico ou social com os consumidores e com a segurança urbana.

Presidente da comissão, o vereador Coronel Urzeda declarou que os depoimentos prestados até agora revelaram divergências relevantes entre as versões apresentadas pela concessionária de energia e os relatos de vítimas e familiares. Segundo ele, a família de Nathaly contestou informações apresentadas pela concessionária sobre suposto apoio psicológico, financeiro e funerário após a tragédia.

Durante os trabalhos da CEI, também foram discutidos acidentes recentes envolvendo motociclistas que podem ter relação direta com fios caídos em vias públicas. A comissão avalia que a falta de fiscalização sistemática transformou o problema em um risco permanente para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Outro ponto considerado grave pelos vereadores é a existência de fios desativados acumulados nos postes da capital, provocando não apenas risco operacional, mas também degradação visual da paisagem urbana. Segundo os parlamentares, a investigação identificou que a concessionária responsável pela infraestrutura possui prerrogativas técnicas para retirada de cabeamentos irregulares, embora haja resistência operacional por receio de interrupção de serviços ativos.

Além dos possíveis indiciamentos, a comissão pretende apresentar um projeto de lei para regulamentar de forma mais rígida o uso compartilhado dos postes em Goiânia. A proposta deverá estabelecer critérios técnicos, mecanismos de fiscalização contínua e punições administrativas para empresas que descumprirem as normas de segurança e manutenção.

A CEI também voltou a discutir a implantação gradual de redes subterrâneas na capital. Apesar de existir legislação prevendo a adaptação da infraestrutura aérea, os vereadores afirmam que o avanço prático da medida ainda é praticamente inexistente. Para os integrantes da comissão, a lentidão na execução demonstra ausência de planejamento integrado entre concessionárias e empresas de telecomunicações.

Nas próximas etapas, a comissão deve realizar reuniões com a Polícia Civil de Goiás e o Ministério Público de Goiás para definição dos encaminhamentos jurídicos e administrativos. A expectativa é que o relatório final seja concluído até o fim do próximo mês.

A reportagem procurou a Equatorial Goiás para manifestação sobre os apontamentos feitos pela CEI, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento oficial.

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Marcus

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