Vídeo revela desespero de estudante antes de acidente fatal na BR-060 e caso passa a ser investigado como feminicídio
Kimberly Gisele, de 21 anos, implorou para que motorista parasse o carro momentos antes da colisão em Alexânia; suspeito foi preso temporariamente
A morte da estudante de Direito Kimberly Gisele Pereira Rodrigues, de 21 anos, ganhou novos contornos após a divulgação de um vídeo gravado pela própria jovem momentos antes do acidente que tirou sua vida na BR-060, em Alexânia. Nas imagens, Kimberly demonstra medo, pede para deixar o veículo e implora para que o motorista interrompa a viagem.
“Ivan, por favor, para o carro. Estou com medo”, diz a estudante em um dos trechos da gravação obtida durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Estado de Goiás.
O motorista do veículo, identificado como Ivan, foi preso temporariamente e poderá responder por feminicídio com dolo eventual — modalidade em que o investigado assume o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta declarada.
Segundo a investigação, Kimberly e Ivan haviam saído de um bar em Alexânia no dia 4 de maio e seguiam em direção ao Distrito Federal quando o veículo saiu da pista na BR-060. A estudante chegou a ser socorrida com vida, mas morreu dentro da ambulância durante o atendimento de emergência. Ivan também ficou ferido e foi encaminhado para uma unidade hospitalar em Anápolis.
De acordo com a delegada Silzane Bicalho, responsável pelo caso, os elementos reunidos até o momento apontam para um possível contexto de violência psicológica e comportamento de risco associado a ciúmes e ingestão de bebida alcoólica.
As investigações indicam que Ivan teria se incomodado ao ver Kimberly conversando com outras pessoas no estabelecimento onde estavam antes da viagem. Em depoimento, o investigado admitiu ter ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Ele alegou ainda que perdeu o controle do automóvel após visualizar um vulto na pista.
A linha investigativa considera não apenas as circunstâncias do acidente, mas também o conteúdo emocional registrado no vídeo da vítima, que reforça o estado de temor demonstrado por Kimberly dentro do veículo momentos antes da colisão.
O caso provocou forte repercussão nas redes sociais e entre estudantes de Direito da região. Familiares e amigos descreveram Kimberly como uma jovem carismática, alegre e dedicada aos estudos.
A defesa de Ivan Rodrigues Cardoso afirmou, por meio da advogada Luiza Barreto, que ainda é prematuro classificar o episódio como feminicídio. Segundo a defesa, o caso deve ser tratado como acidente de trânsito até a conclusão das investigações técnicas e periciais.
Os advogados sustentam que não há comprovação de intenção deliberada de provocar o acidente e informaram que irão ingressar com medidas judiciais, incluindo pedido de habeas corpus. A defesa também declarou que Ivan lamenta profundamente a morte da estudante e se solidariza com os familiares da vítima.
A investigação segue em andamento e deverá analisar laudos periciais, imagens, depoimentos e elementos técnicos para definir o enquadramento definitivo do caso.
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