Paralisado e mais caro: viaduto da Castelo Branco vira símbolo de atraso e ineficiência
Intervenção no cruzamento da Avenida Leste-Oeste com a Castelo Branco acumula paralisação prolongada, custos revisados e impasses administrativos, mesmo após acordos recentes de desapropriação

A construção do viaduto no entroncamento da Avenida Leste-Oeste com a Avenida Castelo Branco, um dos pontos mais críticos da mobilidade urbana em Goiânia, permanece sem avanço efetivo após quase dois anos de paralisação, evidenciando entraves contratuais, burocráticos e operacionais que ainda impedem a retomada dos serviços.
Lançada oficialmente em maio de 2023, a obra foi concebida como intervenção estratégica para redistribuição do fluxo viário em uma das principais artérias da capital, com orçamento inicial estimado em R$ 14 milhões e prazo de execução de oito meses. O cronograma, no entanto, foi comprometido por sucessivos entraves, culminando na interrupção total dos trabalhos em julho de 2024, quando cerca de 80% da estrutura física já estava concluída, incluindo a elevação de vigas e parte da plataforma superior.
Mesmo após anúncio público de retomada e reequilíbrio contratual firmado entre o município e a empresa executora, a BK Infraestrutura, não há evidências de mobilização operacional no canteiro de obras. O novo acordo, que prevê acréscimo financeiro superior a R$ 3,6 milhões, elevou o custo total do empreendimento para mais de R$ 16,4 milhões, refletindo ajustes decorrentes de paralisações, revisão de escopo e recomposição econômica do contrato.
No campo administrativo, a Prefeitura de Goiânia formalizou recentemente acordos de desapropriação de imóveis localizados na área de influência direta da obra, medida considerada essencial para a liberação completa das frentes de trabalho. Os imóveis, situados no Bairro Rodoviário, somam pouco mais de 490 metros quadrados e tiveram indenizações que ultrapassam R$ 840 mil. Ainda assim, não há confirmação oficial de que todas as pendências fundiárias foram resolvidas, nem previsão concreta para reativação das intervenções.
A ausência de posicionamento atualizado da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) amplia a incerteza sobre o futuro imediato do projeto, que permanece tecnicamente avançado, porém inoperante. Registros no Portal da Transparência indicam empenhos financeiros recentes vinculados ao contrato, mas sem correspondência em execução física no período mais recente, o que reforça a estagnação prática da obra.
O cenário expõe fragilidades recorrentes na gestão de contratos públicos de infraestrutura, especialmente no que diz respeito à governança de obras, gestão de riscos e dependência de etapas preliminares como desapropriações e licenciamento. A paralisação prolongada em um eixo viário de alta demanda impacta diretamente a fluidez do trânsito, aumenta custos indiretos e compromete a eficiência da política urbana.
Em paralelo, outro projeto viário envolvendo a mesma empresa executora, na interseção da GO-020 com a GO-536, apresenta trajetória distinta após rescisão contratual anterior. Sob gestão da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), a obra foi retomada com nova estrutura administrativa e segue em execução, com previsão de conclusão no segundo semestre de 2026, evidenciando que a reestruturação contratual pode ser determinante para a continuidade de empreendimentos dessa natureza.
A estagnação do viaduto da Castelo Branco, portanto, transcende a dimensão física da obra e se insere em um contexto mais amplo de desafios estruturais na execução de projetos públicos, envolvendo planejamento, controle financeiro, segurança jurídica e capacidade de execução.
Tags: #Goiânia, #Infraestrutura, #ObrasPúblicas, #MobilidadeUrbana, #ViadutoCasteloBranco, #Seinfra, #GestãoPública, #Transparência, #InvestimentoPúblico, #Trânsito, #Urbanismo, #Goiás

