Menino de 9 anos é resgatado após viver trancado em banheiro de bar; pai e madrasta são presos por maus-tratos, em Aparecida
Polícia Civil encontrou a criança em condições degradantes nos fundos de um bar. Segundo as investigações, o menino passava dias e noites no banheiro, dormia sobre um tapete, fazia refeições no local e apresentava marcas de agressões pelo corpo.
Uma denúncia levou a Polícia Civil de Goiás a resgatar uma criança de 9 anos que, segundo as investigações, era submetida a uma rotina de maus-tratos extremos em um imóvel localizado nos fundos de um bar, no Setor Central de Aparecida de Goiânia. O pai e a madrasta do menino foram presos em flagrante e são investigados pelo crime de maus-tratos qualificado contra menor de 14 anos.
A ação foi realizada por equipes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que receberam informações de que a vítima permanecia confinada em um banheiro utilizado como local de permanência e repouso. Ao chegarem ao endereço, os policiais confirmaram a denúncia e encontraram a criança em um ambiente considerado inadequado para qualquer condição de moradia.
De acordo com a Polícia Civil, o casal residia em uma casa nos fundos do estabelecimento comercial, enquanto o menino permanecia isolado no banheiro por longos períodos. As investigações apontam que ele dormia sobre um pequeno tapete de crochê, realizava parte das refeições dentro do próprio cômodo e permanecia praticamente todo o tempo sem acesso às condições mínimas de conforto, convivência familiar e desenvolvimento adequado.
Durante o atendimento realizado pelos policiais e pela equipe especializada, a criança relatou que era mantida no banheiro porque os responsáveis a consideravam “teimosa”. Conforme a delegada responsável pelo caso, a justificativa apresentada não encontra qualquer respaldo legal e evidencia um contexto de violência física e psicológica incompatível com os direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Além das condições degradantes em que vivia, o menino apresentava lesões visíveis pelo corpo. Segundo seu relato aos investigadores, as agressões eram praticadas tanto pelo pai quanto pela madrasta. A vítima afirmou que já havia sido golpeada com fios elétricos e também com utensílios domésticos, indicando um histórico de violência recorrente dentro do ambiente familiar.
A Polícia Civil informou ainda que, durante os interrogatórios, os dois investigados optaram por permanecer em silêncio. Eles foram autuados em flagrante e permanecem à disposição da Justiça, aguardando os desdobramentos do processo criminal. A audiência de custódia definirá as medidas cautelares cabíveis.
Após o resgate, a criança foi encaminhada à rede de proteção e acolhimento, onde receberá acompanhamento psicossocial, avaliação médica e assistência dos órgãos responsáveis pela garantia de seus direitos. O caso também será acompanhado pelo Conselho Tutelar e pelo Ministério Público, que deverão adotar as medidas necessárias para assegurar a proteção integral da vítima.
Para a Polícia Civil, a rápida resposta à denúncia foi determinante para interromper um ciclo de violência que, segundo os elementos reunidos até o momento, vinha submetendo a criança a privação de liberdade, agressões físicas e condições incompatíveis com a dignidade humana. As investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do caso e verificar se outros crimes também foram praticados.


