Homem que matou namorada em Jataí é condenado a mais de 19 anos de prisão
Tribunal do Júri reconheceu feminicídio, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima; julgamento durou mais de 20 horas e terminou na madrugada desta sexta-feira
O Tribunal do Júri de Jataí, no sudoeste de Goiás, condenou Diego Fonseca Borges a 19 anos, 4 meses e 22 dias de prisão pela morte de Ielly Gabriele Alves, de 23 anos. O julgamento começou na quinta-feira (27) e terminou por volta das 6h20 desta sexta-feira (28), após mais de 20 horas de sessão. Além da pena de reclusão, a Justiça estabeleceu indenização mínima de R$ 250 mil por danos morais aos familiares da vítima.
Os jurados reconheceram, por maioria, que Diego foi o autor do disparo que matou Ielly e que agiu com intenção de provocar a morte. Também foram mantidas as qualificadoras relacionadas ao motivo torpe, ao recurso utilizado para dificultar a defesa da vítima e ao feminicídio.
A decisão determinou o início do cumprimento da pena em regime fechado e a manutenção da prisão de Diego. A sentença foi proferida pelo juiz responsável pelo Tribunal do Júri da Comarca de Jataí.
Defesa sustentou disparo acidental
Durante o processo, a defesa apresentou a tese de que o disparo teria sido acidental e buscava a desclassificação da acusação para homicídio culposo. Essa versão, contudo, não foi acolhida pelo Conselho de Sentença. Os jurados entenderam que houve dolo direto, ou seja, intenção de matar.
Antes do novo julgamento, os advogados também haviam pedido que a decisão fosse tomada exclusivamente com base nas provas constantes dos autos. A defesa destacou ainda que a gravação feita pela vítima e que circula publicamente não contém o áudio original, considerado pelos advogados relevante para a compreensão dos acontecimentos.
Pena chegou a 19 anos após análise das circunstâncias
De acordo com informações sobre a sentença, a pena-base foi fixada em 14 anos e três meses de reclusão. Na etapa seguinte da dosimetria, foram consideradas circunstâncias agravantes, entre elas a reincidência e o recurso que dificultou a defesa da vítima.
Com a aplicação das regras previstas para a individualização da pena, o resultado final foi de 19 anos, 4 meses e 22 dias de prisão. A condenação estabeleceu regime inicialmente fechado.
A Justiça também fixou em R$ 250 mil o valor mínimo da indenização por danos morais destinado aos familiares de Ielly.
Crime aconteceu em novembro de 2023
Ielly Gabriele foi morta em 4 de novembro de 2023, em Jataí. Segundo as informações reunidas na investigação e na denúncia do Ministério Público de Goiás, ela e Diego mantinham um relacionamento marcado por conflitos.
No dia do crime, os dois estavam juntos e seguiram para uma área afastada. Durante a situação que antecedeu o disparo, Ielly utilizava o celular para fazer uma gravação. O aparelho registrou o momento em que uma arma foi apontada em sua direção e ocorreu o tiro que a atingiu.
Ielly foi atingida no tórax e recebeu atendimento médico após ser levada ao Hospital das Clínicas Dr. Serafim de Carvalho. Ela chegou à unidade ainda com vida, mas não resistiu aos ferimentos.
Vídeo mudou o rumo da investigação
Após a morte, Diego apresentou inicialmente às autoridades uma versão segundo a qual o casal teria sido abordado por terceiros e que os disparos teriam partido de homens que estavam em uma motocicleta.
A investigação, entretanto, encontrou no celular de Ielly uma gravação que registrava a sequência do crime. O material se tornou uma das principais evidências utilizadas no processo e contrariou a versão inicialmente apresentada pelo acusado.
A descoberta da gravação levou à prisão de Diego e ao avanço da investigação conduzida pelas autoridades policiais. Posteriormente, o Ministério Público de Goiás apresentou a acusação que levou o caso ao Tribunal do Júri.
Primeiro julgamento foi interrompido
A condenação desta sexta-feira ocorreu após uma tentativa anterior de realizar o julgamento, em dezembro de 2025.
Naquela ocasião, a defesa deixou o plenário depois de uma manifestação da plateia durante a sessão, incluindo aplausos ao promotor de Justiça. Os advogados alegaram que o episódio poderia comprometer a imparcialidade dos jurados e solicitaram a dissolução do Conselho de Sentença.
O julgamento acabou interrompido e uma nova sessão foi marcada para agosto de 2026.
Caso termina com condenação em segundo julgamento
Com a nova sessão concluída, o Tribunal do Júri reconheceu a responsabilidade criminal de Diego pela morte de Ielly e aplicou uma pena superior a 19 anos de reclusão.
A condenação encerra a etapa do julgamento pelo Tribunal do Júri, mas o processo ainda pode estar sujeito às medidas e recursos previstos na legislação. A sentença também determinou a manutenção da prisão e o cumprimento imediato da pena, conforme as informações divulgadas sobre a decisão.
O caso ganhou ampla repercussão em Goiás principalmente porque a própria vítima registrou em vídeo os momentos que antecederam o disparo. A gravação se tornou elemento central para esclarecer a dinâmica do crime e confrontar a primeira versão apresentada às autoridades.
Nota defesa de Diego Fonseca Borges
“A defesa de Diego Fonseca Borges vê com tranquilidade a aproximação do julgamento pelo Tribunal do Júri, na expectativa de que, desta vez, o sigilo das votações seja devidamente preservado, conforme determina a Constituição Federal. Esperamos que os jurados possam julgar com base exclusivamente nos autos do processo.
Informamos também que a multa aplicada pela não continuação do outro júri foi revogada pelo tribunal de Justiça com parecer favorável do ministério público.
A defesa esclarece, ainda, que o vídeo em circulação possui áudio e que, e é que deve ser veiculado informa que Diego prestou socorro imediato à vítima que chegou no hospital com vida.
É o que tinha a manifestar. Seguimos à disposição.”
Mirelle Gonsalez Maciel
Rodrigo Lustosa Victor
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