Operação mira esquema de lavagem de dinheiro ligado a facção e bloqueia até R$ 160 milhões em Goiás e Santa Catarina
Polícia Civil cumpre mandados contra grupo investigado por movimentar cerca de R$ 320 milhões por meio de empresas de fachada e instituição financeira de tecnologia.

A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta quinta-feira (9), uma operação de grande porte para desarticular uma suposta estrutura financeira responsável por ocultar e movimentar recursos de uma organização criminosa. As investigações apontam que o grupo teria utilizado empresas de fachada e uma fintech para lavar dinheiro proveniente de atividades ilícitas, com movimentação financeira estimada em R$ 320 milhões em pouco mais de um ano.
A ofensiva policial mobilizou equipes em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Edéia, em Goiás, além de Itapema, em Santa Catarina, onde são cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Poder Judiciário após representação da autoridade policial.
Segundo a investigação, o esquema teria sido desenvolvido para conferir aparência de legalidade a expressivas movimentações financeiras, utilizando pessoas físicas e jurídicas interpostas, empresas sem atividade econômica compatível e mecanismos destinados a dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
A operação é resultado do aprofundamento de uma investigação iniciada após uma ação policial realizada no ano anterior, que desarticulou uma célula criminosa investigada por envolvimento com tráfico de drogas e comércio ilegal de armas na região sul de Goiânia. A análise de documentos, transações financeiras e outros elementos de inteligência permitiu identificar indícios da existência de uma complexa rede voltada à lavagem de capitais.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, as equipes apreenderam veículos, entorpecentes, documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que passarão por perícia e poderão reforçar o conjunto probatório do inquérito.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros que podem alcançar R$ 160 milhões, medida cautelar destinada a impedir a ocultação ou dilapidação do patrimônio supostamente vinculado ao esquema investigado e garantir eventual reparação ao erário e o cumprimento de futuras decisões judiciais.
Os investigados conduzidos durante a operação foram encaminhados às unidades policiais para os procedimentos legais. As investigações permanecem em andamento e buscam identificar outros possíveis participantes da estrutura financeira, bem como esclarecer a origem dos recursos, o fluxo das operações e a eventual participação de terceiros no esquema.
A Polícia Civil ressalta que a operação representa mais uma etapa das investigações e que todos os envolvidos permanecem amparados pelos princípios constitucionais da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa.
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