Greve na Educação é suspensa em Goiânia após acordo no TJ, mas servidores mantêm estado de mobilização
Após oito dias de paralisação, profissionais da rede municipal retomam atividades enquanto aguardam cumprimento de compromissos sobre plano de carreira, data-base e reestruturação administrativa

Os servidores da rede municipal de Educação de Goiânia decidiram suspender a greve iniciada no último dia 12 de maio após avanço nas negociações com a Prefeitura durante audiência de conciliação realizada no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). A decisão foi aprovada em assembleia da categoria nesta terça-feira (19), mas o movimento sindical deixou claro que a paralisação não foi encerrada definitivamente e poderá ser retomada caso os compromissos assumidos pelo Paço Municipal não sejam efetivados.
A principal reivindicação dos trabalhadores continua concentrada na recomposição salarial dos professores, na atualização da data-base dos servidores administrativos e na apresentação de um plano de carreira para os profissionais não docentes da rede municipal. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) também cobra a regulamentação de direitos previstos na legislação federal e melhorias estruturais nas unidades escolares.
Segundo a direção do sindicato, a suspensão ocorre após a Prefeitura apresentar formalmente uma proposta de encaminhamento para discussão do plano de carreira dos administrativos em prazo de até 30 dias, além do compromisso de estudar a implementação das medidas ainda neste segundo semestre. A categoria interpretou a sinalização como um avanço nas tratativas, sobretudo após semanas de impasse entre representantes dos trabalhadores e a administração municipal.
Durante o período de greve, cerca de 100 unidades educacionais da capital tiveram funcionamento afetado, entre escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis). Parte das instituições operava parcialmente, com redução de horários e reorganização de turmas, enquanto outras chegaram a suspender integralmente o atendimento. A estimativa apresentada pelo sindicato apontava impacto direto para aproximadamente 25 mil estudantes da rede.
A paralisação também expôs um cenário de pressão crescente sobre o sistema municipal de ensino. Entre os pontos apresentados pelos servidores estão a sobrecarga de trabalho nas unidades, déficit de profissionais, necessidade de convocação de concursados aprovados e adequação funcional de trabalhadores da educação infantil conforme a Lei Federal 15.326/2026, que reconhece auxiliares da educação infantil como integrantes do magistério.
Na tentativa de reduzir a tensão, o prefeito em exercício, Anselmo Pereira (MDB), encaminhou à Câmara Municipal projeto prevendo reajuste de 5,4% para os professores da rede municipal, retroativo a maio. A proposta também contempla atualização de gratificações ligadas à regência de classe, atividades técnico-pedagógicas e auxílio locomoção. Apesar disso, a medida foi considerada insuficiente pelo movimento grevista, que defendia uma negociação mais ampla envolvendo toda a estrutura funcional da Educação.
Antes do acordo parcial, a Procuradoria-Geral do Município havia acionado o Judiciário pedindo a declaração de ilegalidade da greve. Em decisão liminar, o desembargador Maurício Porfírio Rosa determinou a manutenção mínima de 70% dos servidores em atividade, especialmente nos serviços ligados à educação infantil e alimentação escolar, além da apresentação de plano emergencial de continuidade pedagógica.
Mesmo com o retorno das atividades previsto para esta quarta-feira, representantes da categoria afirmam que o ambiente ainda é de cautela. O sindicato sustenta que continuará acompanhando o cumprimento dos compromissos firmados pela gestão municipal e cobrando soluções definitivas para questões consideradas históricas dentro da rede pública da capital.
A Secretaria Municipal de Educação ainda deve detalhar o cronograma oficial para discussão do novo plano de carreira e possíveis medidas administrativas voltadas à recomposição do quadro funcional das unidades escolares.
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