Servidor é investigado por suspeita de vender dados de consumidores e cobrar por serviços gratuitos, em Goiás
Apuração da Polícia Civil aponta possível violação de sigilo e prática de cobrança indevida; investigação teve origem em denúncia interna da Saneago

A Polícia Civil de Goiás conduz investigação que apura a atuação de um funcionário da Saneago suspeito de acessar e comercializar dados cadastrais de consumidores, além de cobrar indevidamente por serviços que, por norma, são gratuitos. A apuração foi formalizada após comunicação da própria companhia, que identificou indícios de irregularidades internas e acionou as autoridades.
A operação resultou no cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do investigado, localizada em Aparecida de Goiânia. O material recolhido inclui dispositivos eletrônicos e documentos que serão submetidos à perícia técnica, com o objetivo de rastrear eventuais transações, identificar beneficiários e mapear a extensão do possível vazamento de informações.
De acordo com a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública, responsável pelo caso, há indícios de que o servidor utilizava acesso privilegiado a sistemas internos para obter dados sensíveis de usuários, posteriormente repassados a terceiros sem autorização. Paralelamente, o investigado também é suspeito de exigir pagamentos por procedimentos administrativos que integram a política de gratuidade da companhia, o que pode configurar vantagem ilícita.
Até o momento, duas vítimas foram formalmente identificadas na Região Metropolitana de Goiânia, ambas com indícios de exposição indevida de informações pessoais. A autoridade policial, no entanto, trabalha com a hipótese de que o número de afetados seja maior, considerando a natureza sistêmica do acesso aos dados e a possibilidade de replicação das práticas.
A Justiça autorizou a quebra de sigilo telefônico e telemático do investigado, medida considerada essencial para reconstrução da cadeia de comunicação e eventual identificação de intermediários ou compradores das informações. A análise pericial deverá indicar se houve fluxo financeiro vinculado às práticas investigadas, bem como a eventual caracterização de crimes como violação de sigilo funcional, corrupção passiva, estelionato e infrações previstas na legislação de proteção de dados.
Especialistas em governança e proteção de dados destacam que casos dessa natureza expõem fragilidades em controles de acesso e auditoria interna, sobretudo em empresas que operam grandes bases de dados sensíveis. A responsabilização administrativa e penal depende da comprovação do dolo e do benefício econômico obtido, além da extensão dos danos causados aos consumidores.
A Saneago ainda não divulgou posicionamento oficial até o momento, mas, segundo a investigação, colaborou com o fornecimento de informações iniciais que subsidiaram a abertura do inquérito.
O caso permanece sob investigação e não há, até o momento, conclusão definitiva quanto à responsabilidade do suspeito.
Tags: #PolíciaCivil, #Saneago, #VazamentoDeDados, #CrimeCibernético, #Corrupção, #AparecidaDeGoiânia, #Goiás, #InvestigaçãoPolicial, #ProteçãoDeDados, #Fraude, #AdministraçãoPública, #SegurançaDaInformação

