Goiás no centro do jogo global: mina de terras raras é vendida por US$ 2,8 bilhões
Negócio de US$ 2,8 bilhões envolvendo a Serra Verde, em Minaçu, sinaliza reconfiguração geopolítica no fornecimento de minerais críticos e reduz dependência ocidental da China

A aquisição da mineradora Serra Verde pela empresa norte-americana USA Rare Earth, anunciada nesta segunda-feira, insere Goiás no centro de uma disputa global por minerais críticos. Avaliado em US$ 2,8 bilhões, o acordo envolve pagamento em dinheiro e emissão de ações e tem potencial para alterar o fluxo internacional de terras raras — insumos estratégicos para setores de alta tecnologia, defesa e transição energética.
Localizada em Minaçu, no norte goiano, a Serra Verde é atualmente a única operação ativa desse tipo no país. A empresa explora depósitos de terras raras iônicas — consideradas mais raras e de maior valor agregado — e vinha destinando integralmente sua produção ao mercado chinês, que domina cerca de 60% da extração global e até 90% da capacidade de refino desses elementos.
O acordo prevê o desembolso inicial de US$ 300 milhões, complementado pela emissão de 126,9 milhões de novas ações da compradora. A conclusão está condicionada a aprovações regulatórias e deve ocorrer no terceiro trimestre de 2026. Como parte da estratégia, a Serra Verde também firmou um contrato de fornecimento de longo prazo, com duração de 15 anos, garantindo o escoamento integral da produção inicial para uma entidade financiada por capital público e privado dos Estados Unidos.
A movimentação ocorre em meio ao esforço de países ocidentais para reduzir a dependência da cadeia chinesa de terras raras — grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes de alta performance, utilizados em motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, dispositivos eletrônicos e sistemas militares avançados. A USA Rare Earth sinalizou que pretende integrar verticalmente suas operações, abrangendo desde a extração até o processamento e a fabricação de componentes de alto valor agregado.
Do ponto de vista econômico, o negócio projeta Goiás como um polo emergente no fornecimento global de minerais estratégicos. Especialistas apontam que a exploração de terras raras no Brasil ainda é incipiente, mas apresenta alto potencial, especialmente em depósitos do tipo argila iônica, que permitem extração com menor impacto ambiental em comparação a métodos convencionais.
No mercado financeiro, o anúncio repercutiu positivamente. As ações da USA Rare Earth registraram valorização no pré-mercado da Nasdaq, refletindo a expectativa de expansão da empresa em um segmento considerado crítico para a economia global nas próximas décadas.
A reconfiguração dos contratos comerciais da Serra Verde, já iniciada anteriormente, indica uma diversificação de destinos para a produção brasileira, com maior inserção em cadeias ocidentais. O movimento reforça a importância geopolítica das terras raras e amplia a relevância do Brasil — e de Goiás — no mapa estratégico da mineração mundial.
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