Polícia prende suspeito de mandar matar ex-prefeito de Pontalina
Operação Carta Marcada também mira possível intermediário; investigação aponta desavença familiar como possível motivação e segue em busca do executor

A Polícia Civil de Goiás prendeu nesta sexta-feira (14) um homem apontado pela investigação como suspeito de ser o mandante do assassinato do ex-prefeito de Pontalina, José Porto Andrade, de 88 anos. A prisão ocorreu durante a Operação Carta Marcada, deflagrada para avançar na apuração do homicídio ocorrido no município do sul de Goiás.
Além da prisão do principal investigado, a operação cumpriu outro mandado de prisão temporária contra um possível intermediário e cinco mandados de busca e apreensão. As diligências foram realizadas em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Matrinchã e Nova Crixás. O homem apontado como executor dos disparos ainda é procurado e continua sendo investigado.
José Porto foi baleado em 21 de julho, quando estava em frente à própria residência, em Pontalina. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação e mostram um homem chegando de motocicleta, se aproximando da vítima e efetuando os disparos antes de fugir.
O ex-prefeito recebeu atendimento médico e permaneceu internado após o ataque. Ele morreu em 5 de agosto, em decorrência dos ferimentos provocados pelos tiros.
Investigação aponta planejamento do crime
Segundo a Polícia Civil, as diligências indicaram que o ataque não teria ocorrido de forma espontânea. O executor teria acompanhado a rotina de José Porto por aproximadamente duas horas e meia antes de realizar os disparos.
A investigação aponta ainda uma divisão de tarefas entre os envolvidos, com diferentes pessoas desempenhando funções relacionadas à preparação e execução do homicídio. O possível intermediário preso nesta sexta-feira é investigado por participação na obtenção da motocicleta utilizada na ação.
A motocicleta teve papel importante na apuração. De acordo com os investigadores, o veículo foi localizado abandonado em uma propriedade rural de Pontalina no dia 7 de agosto. A partir da identificação e do rastreamento da posse da moto, a polícia conseguiu reconstruir parte da cadeia que levou até o homem apontado como possível mandante.
Desavença entre parentes é apontada como possível motivação
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido motivado por uma desavença familiar. Conforme informações divulgadas pelos investigadores, José Porto e o homem preso nesta sexta-feira eram parentes próximos.
Segundo a apuração policial, o conflito teria começado durante uma partida de cacheta, em fevereiro, quando ocorreu uma discussão acompanhada de ameaças recíprocas.
A investigação aponta que o suspeito teria decidido planejar o homicídio meses depois do desentendimento. Conforme relato atribuído ao investigado pela Polícia Civil, ele teria contratado o executor e afirmado que pagaria R$ 100 mil pelo crime.
A polícia, entretanto, informou que não encontrou, até o momento, elementos que indiquem que José Porto tenha praticado alguma ação contra o investigado que justificasse a alegação apresentada por ele.
Executor ainda não foi preso
Apesar dos avanços, a investigação ainda não está concluída. A Polícia Civil continua trabalhando para identificar e localizar o homem que teria efetuado os disparos contra o ex-prefeito.
As equipes também buscam localizar a arma utilizada no homicídio e apreender outros materiais que possam contribuir para esclarecer a participação individual de cada investigado. Entre os itens procurados estão aparelhos eletrônicos, documentos e equipamentos que possam conter informações relevantes para a investigação.
A análise das imagens de segurança e dos elementos relacionados à motocicleta utilizada no crime também faz parte das diligências.
Caso começou com atentado na porta de casa
O assassinato foi precedido por um atentado registrado em 21 de julho. Na ocasião, José Porto estava em frente à residência, na Rua João Barcelos, quando foi surpreendido pelo atirador.
As imagens divulgadas após o ataque mostram o suspeito utilizando capacete e vestimentas que dificultavam a identificação. Depois dos disparos, ele deixou o local em uma motocicleta.
Na época, a Polícia Civil informou que mantinha a investigação sob sigilo para evitar prejuízos às diligências. O objetivo inicial era identificar o autor dos disparos e esclarecer a motivação do ataque.
Com a evolução das investigações, a polícia passou a apontar uma possível estrutura de planejamento por trás do crime e chegou ao homem preso nesta sexta-feira.
A investigação permanece em andamento. A prisão dos suspeitos não representa, por si só, condenação, e a responsabilidade de cada investigado deverá ser definida no curso do processo judicial, com direito à defesa e ao contraditório.
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