Arianne Cândido aciona Justiça Eleitoral contra Waldir em caso envolvendo Detran-GO
Candidata do União Brasil questiona atuação do ex-presidente do Detran-GO em processos de credenciamento; Waldir nega irregularidades e anuncia medidas contra correligionária

A disputa eleitoral entre integrantes do União Brasil em Goiás ganhou um novo capítulo com a apresentação de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO), Delegado Waldir Soares. A representação foi apresentada pela candidata a deputada estadual Arianne Cândido e questiona suposta utilização política da estrutura da autarquia durante a gestão do então presidente.
A ação sustenta que Waldir teria exercido influência sobre processos de credenciamento de instrutores autônomos de trânsito e pede que a Justiça Eleitoral apure se houve abuso de poder político e eventual utilização da estrutura administrativa do Detran-GO com finalidade eleitoral.
Entre os elementos apresentados na representação está uma gravação divulgada pelo Goiás 24 Horas. Segundo a transcrição incorporada à ação, Waldir conversa com uma servidora do Detran-GO e demonstra preocupação com a tramitação dos processos de credenciamento.
Em determinado trecho reproduzido na representação, ele afirma que os credenciamentos seriam uma prioridade e faz referência a milhares de pessoas que, segundo a fala atribuída a ele, estariam politicamente vinculadas ao seu grupo.
A petição também menciona outro trecho no qual Waldir questionaria a servidora sobre sua atuação em relação a diferentes grupos políticos. Para Arianne, o conteúdo justificaria uma investigação mais aprofundada sobre os critérios utilizados na tramitação dos processos administrativos.
O que a candidata pede à Justiça
A representação solicita a preservação da gravação original e de seus metadados, além da obtenção de documentos relacionados aos processos de credenciamento de instrutores autônomos.
A intenção é verificar, entre outros pontos, se houve encaminhamento direto de protocolos por Waldir ou por integrantes de sua equipe e se a tramitação dos processos sofreu algum tipo de interferência.
A candidata também pede, caso as irregularidades sejam comprovadas no decorrer da investigação, a aplicação das consequências eleitorais previstas para situações de abuso de poder.
A própria ação, entretanto, trata os elementos apresentados como base para a apuração e produção de provas. Isso significa que a existência da representação não comprova, por si só, a ocorrência das irregularidades apontadas.
Waldir contesta acusação e anuncia reação
Waldir negou a existência de conduta ilícita e reagiu à iniciativa da correligionária. Segundo o candidato, ele já teria solicitado ao União Brasil a expulsão de Arianne Cândido.
O ex-presidente do Detran-GO também afirmou que pretende adotar medidas nas esferas criminal, cível e eleitoral contra a candidata. Entre as providências anunciadas está uma ação que, segundo ele, deverá questionar a acusação feita na representação, além de pedido de reparação por danos.
Waldir também atribuiu motivação política à iniciativa. Em sua manifestação, afirmou que Arianne teria ocupado cargo comissionado na Prefeitura de Goiânia e relacionou a representação às críticas que vem fazendo à administração municipal.
Essa versão, contudo, é uma alegação do próprio candidato. Não foram apresentados, no material analisado, elementos que comprovem que a Prefeitura de Goiânia tenha participado ou articulado a ação eleitoral.
Disputa envolve política para instrutores autônomos
Um dos pontos centrais do caso é a política de credenciamento de instrutores autônomos defendida por Waldir durante sua passagem pelo Detran-GO.
O ex-presidente sustenta que sua atuação em relação aos processos tinha como objetivo ampliar a concorrência e contribuir para a redução do custo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Segundo Waldir, a cobrança pela tramitação dos credenciamentos não tinha finalidade eleitoral, mas fazia parte de sua tentativa de evitar entraves administrativos que, na avaliação dele, poderiam dificultar a entrada de novos profissionais no mercado.
A justificativa apresentada pelo ex-presidente do Detran-GO também coloca o episódio dentro de uma discussão mais ampla sobre o modelo de formação de condutores e os custos envolvidos na obtenção da CNH.
Registros públicos mostram que Waldir, enquanto esteve à frente do Detran-GO, defendia medidas relacionadas à fiscalização e às políticas de trânsito e fazia declarações públicas sobre a atuação da autarquia.
O que acontece agora
A AIJE ainda depende da análise da Justiça Eleitoral. O procedimento poderá envolver coleta de documentos, depoimentos e outras provas necessárias para esclarecer as circunstâncias apontadas na representação.
A eventual aplicação de sanções dependerá da comprovação dos fatos alegados e da análise judicial sobre a existência de abuso de poder e sua repercussão no processo eleitoral.
Até que haja uma decisão definitiva, as acusações apresentadas na ação devem ser tratadas como alegações da parte autora. Da mesma forma, a contestação apresentada por Waldir representa a versão do candidato sobre os fatos.
O episódio coloca dois integrantes do mesmo partido em lados opostos de uma disputa que mistura eleições, gestão pública e a condução de políticas relacionadas ao processo de habilitação de motoristas em Goiás.
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