17 de abril de 2026
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Pedágio na BR-060 impõe custo diário e ameaça rotina de até 80% dos moradores de Abadia de Goiás

Cobrança eletrônica entre o município e Goiânia deve atingir a maioria da população economicamente ativa e levanta questionamentos sobre mobilidade, custo de vida e equilíbrio contratual
Praça de pedágio em sistema free flow deverá cobrar 3,90 para quem segue de Abadia em direção a Goiânia (Wildes Barbosa/O Popular)

A implantação de pórticos de pedágio na BR-060, no trecho que conecta Abadia de Goiás à capital Goiânia, intensificou o debate sobre mobilidade regional e justiça tarifária, ao projetar impacto direto sobre a rotina de milhares de moradores. Estimativas da procuradoria municipal indicam que até 80% da população local pode ser afetada pela cobrança, especialmente em razão da forte dependência da cidade em relação à capital para emprego, serviços de saúde e educação.

Classificada como município de perfil pendular — com significativa parcela da população se deslocando diariamente para centros urbanos maiores — Abadia de Goiás enfrenta agora um novo fator de pressão econômica. A tarifa-base prevista, fixada em R$ 3,90 por passagem, deve incidir sobre deslocamentos frequentes, elevando o custo mensal de trabalhadores que utilizam a rodovia como principal eixo de conexão metropolitana.

A regulamentação e definição tarifária estão sob responsabilidade da Agência Nacional de Transportes Terrestres, que estruturou o modelo de concessão com base em estudos de viabilidade econômica e audiências públicas. A execução do contrato cabe à concessionária Rota Verde Goiás, que sustenta que os parâmetros de localização dos pórticos e valores foram previamente estabelecidos em edital federal, seguindo diretrizes técnicas e contratuais.

Do ponto de vista operacional, o sistema adotado é o de pedágio eletrônico em fluxo livre (free flow), que elimina praças físicas e realiza a cobrança automática por meio de identificação veicular. Embora o modelo represente avanço tecnológico e maior fluidez no tráfego, especialistas apontam que sua implementação em regiões com alta dependência de deslocamentos curtos pode gerar distorções distributivas, penalizando usuários frequentes de menor renda.

Como medida mitigadora, a concessionária prevê a aplicação do Desconto de Usuário Frequente (DUF), com abatimentos progressivos para veículos equipados com TAG eletrônica. Ainda assim, a eficácia do mecanismo é questionada por autoridades locais, que destacam a ausência de garantias quanto à neutralização do impacto financeiro no orçamento das famílias.

Outro ponto de incerteza envolve o transporte coletivo metropolitano. Apesar de sinalizações informais sobre possível isenção para ônibus, não há confirmação oficial por parte de órgãos como a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos, o que levanta a hipótese de repasse indireto da tarifa aos usuários do sistema.

Diante do cenário, a prefeitura de Abadia de Goiás ingressou com ação judicial pleiteando a suspensão da cobrança para veículos licenciados no município ou, alternativamente, a readequação do posicionamento dos pórticos. O argumento central sustenta que a modelagem atual impõe ônus desproporcional a uma população que depende estruturalmente da rodovia para acesso a direitos básicos.

Além dos impactos diretos sobre trabalhadores, o setor imobiliário e de lazer também manifesta preocupação. Proprietários de chácaras e empreendimentos voltados à locação relatam potencial retração na demanda, em razão do custo adicional imposto aos frequentadores. A dinâmica econômica local, fortemente vinculada à mobilidade com a capital, pode sofrer reconfigurações caso a cobrança se consolide sem ajustes compensatórios.

A controvérsia evidencia um conflito recorrente em projetos de concessão rodoviária: o equilíbrio entre sustentabilidade financeira do contrato e a preservação da acessibilidade para populações dependentes. O desfecho judicial e eventuais revisões contratuais devem definir os contornos definitivos da política tarifária no trecho, com reflexos diretos sobre a mobilidade urbana e o custo de vida na região metropolitana.

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Marcus

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