Cancelas milionárias operam parcialmente e prefeitura reforça bloqueios na Marginal Botafogo com barreiras improvisadas
Equipamentos de R$ 2,63 milhões são utilizados de forma limitada durante obras no Setor Leste Universitário, enquanto trânsito é contido por estruturas auxiliares em diferentes pontos da via

A estratégia de controle de tráfego adotada pela Prefeitura de Goiânia na Marginal Botafogo tem evidenciado um uso apenas parcial de um sistema tecnológico que custou R$ 2,63 milhões aos cofres públicos. Instaladas originalmente com a proposta de monitorar alagamentos e automatizar bloqueios em situações críticas, as cancelas eletrônicas vêm sendo utilizadas de forma complementar — e, em alguns trechos, substituídas — por barreiras físicas durante intervenções viárias recentes.
No trecho em obras entre as ruas 21 e 10, no Setor Leste Universitário, o bloqueio do fluxo no sentido Sul-Norte tem sido operacionalizado com uma combinação heterogênea de dispositivos. Em determinados acessos, as cancelas permanecem levantadas enquanto barreiras móveis são posicionadas previamente para impedir a entrada de veículos. Em outros pontos, ambos os recursos são utilizados simultaneamente, indicando uma adaptação operacional diante do comportamento dos motoristas e das exigências da obra.
A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) sustenta que a adoção de barreiras adicionais atende a critérios de segurança viária. Segundo a pasta, há recorrentes tentativas de desrespeito à sinalização por parte de condutores, o que exige redundância nos mecanismos de bloqueio. Tecnicamente, o uso combinado busca mitigar riscos de invasão de área interditada, reduzir conflitos de tráfego e proteger equipes que operam com maquinário pesado no local.
O sistema de cancelas, equipado com câmeras e integração a plataformas de monitoramento, foi concebido para atuar de forma dinâmica, com base em dados em tempo real. No entanto, a aplicação prática durante as obras evidencia uma limitação funcional, com dependência significativa de soluções físicas tradicionais para garantir a efetividade das interdições.
A intervenção em curso é conduzida pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) e tem como foco a recuperação estrutural de um trecho afetado por erosão, que comprometeu elementos de contenção e canalização do Córrego Botafogo. A obra exige bloqueio integral da pista em um dos sentidos, o que impacta diretamente a mobilidade urbana em um dos principais corredores viários da capital.
Apesar da previsão inicial de duração mais extensa, a prefeitura trabalha com a possibilidade de liberação antecipada da via, condicionada à evolução das condições geotécnicas e climáticas. Enquanto isso, o sistema viário da região opera sob regime de desvios e contenções, com impacto direto no fluxo e na dinâmica do trânsito urbano.
A situação expõe um descompasso entre o investimento em tecnologia de gestão viária e sua aplicação prática em cenários operacionais complexos, reacendendo o debate sobre eficiência, planejamento urbano e retorno do investimento público.
Tags: #Goiânia, #MarginalBotafogo, #TrânsitoGoiânia, #ObrasUrbanas, #MobilidadeUrbana, #Infraestrutura, #GestãoPública, #EngenhariaDeTráfego, #Comurg, #Seinfra, #SET, #TrânsitoGO

