Pacientes relatam espera prolongada para retirada de insulina em unidade da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia
Usuários da Farmácia de Insumos e Medicamentos Especiais, na Vila Viana, apontam demora no atendimento e dificuldades recorrentes no acesso; pasta afirma que estoque está regular

Pacientes em tratamento de diabetes denunciaram demora no atendimento e dificuldades para retirada de insulina na Farmácia de Insumos e Medicamentos Especiais da Vila Viana, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. Relatos colhidos junto a usuários indicam que o tempo de espera para atendimento pode chegar a quase uma hora, mesmo em momentos de aparente baixa movimentação na unidade.
Uma paciente, que preferiu não se identificar, afirmou que o procedimento para simples retirada do medicamento pode ultrapassar 40 minutos. Segundo ela, além da espera, houve períodos recentes em que a medicação não estava disponível, o que a teria deixado sem acesso regular à insulina por cerca de quatro meses, entre outubro e janeiro. A interrupção no fornecimento, de acordo com o relato, gerou custos adicionais com deslocamento e aquisição emergencial do produto na rede privada.
A insulina é insumo essencial no controle do diabetes mellitus, condição crônica que exige monitoramento contínuo da glicemia para prevenção de complicações cardiovasculares, renais e neurológicas. No Sistema Único de Saúde (SUS), o fornecimento regular de determinados tipos de insulina integra a política nacional de assistência farmacêutica, considerada componente estratégico da atenção básica e especializada.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a unidade da Vila Viana mantém estoque regular das insulinas Glargina e Glulisina, utilizadas em esquemas terapêuticos de ação prolongada e ultrarrápida, respectivamente. A pasta reconheceu que podem ocorrer picos de demanda nos períodos de reposição mensal, o que impactaria pontualmente o tempo de atendimento. Segundo a secretaria, não há registro atual de desabastecimento.
Especialistas em gestão pública de saúde apontam que gargalos logísticos e concentração de atendimentos em datas específicas tendem a gerar filas, sobretudo em unidades que centralizam a dispensação de medicamentos de maior custo ou uso controlado. A organização do fluxo, o dimensionamento de pessoal e a previsibilidade da demanda são fatores determinantes para reduzir o tempo de espera.
Usuários defendem maior transparência sobre cronogramas de reposição e alternativas de agendamento para evitar deslocamentos desnecessários. A secretaria não detalhou se haverá mudanças operacionais na unidade, mas informou que monitora o volume de atendimentos e que orienta pacientes a procurarem a farmácia dentro do período indicado para renovação da receita.
O episódio reacende o debate sobre a eficiência da assistência farmacêutica municipal e o impacto direto da gestão do estoque na qualidade de vida de pacientes crônicos, cuja adesão terapêutica depende da regularidade no acesso aos medicamentos.
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