Operação apreende cinco aviões e mira grupo suspeito de tráfico internacional em Goiás
Investigação aponta uso de aeronaves de pequeno porte para transportar cocaína da Bolívia; ação cumpre mandados em Goiás, Minas Gerais, Pará e Maranhão
Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (17) mira uma organização suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas por meio de aeronaves de pequeno porte. A ação, conduzida pela Polícia Federal, cumpre sete mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em Goiás, Minas Gerais, Pará e Maranhão. Também está prevista a apreensão de cinco aeronaves apontadas pela investigação como relacionadas à estrutura utilizada pelo grupo.
A investigação começou a partir de uma apreensão realizada em Goiás, quando um piloto foi abordado pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), em Goianira, na Região Metropolitana de Goiânia, transportando aproximadamente 150 quilos de cocaína. Conforme a apuração, a droga havia sido desembarcada anteriormente em Trindade.
A partir desse episódio, os investigadores passaram a reconstruir a logística utilizada pelo grupo para trazer entorpecentes da Bolívia para o território brasileiro. A suspeita é de que as aeronaves fossem utilizadas como parte de uma estrutura organizada para transportar a droga, envolvendo diferentes pessoas em funções distintas.
Investigação identificou estrutura de transporte aéreo
Segundo as informações apuradas pela polícia, o esquema não dependeria apenas dos pilotos. A investigação aponta a participação de pessoas responsáveis pelo financiamento das operações, disponibilização das aeronaves, recrutamento de pilotos, aquisição dos entorpecentes, transporte e posterior distribuição.
Ao longo da apuração, pelo menos cinco aeronaves e seis operações aéreas foram relacionadas ao grupo investigado.
A utilização de aeronaves de pequeno porte é considerada pelos investigadores uma estratégia logística para o transporte de drogas em rotas que podem envolver diferentes pontos de origem, passagem e destino. No caso investigado em Goiás, a suspeita é de que a cocaína tivesse origem na Bolívia antes de chegar ao território brasileiro.
Além do tráfico internacional, a investigação também apura a possível lavagem de dinheiro, diante da suspeita de movimentação e ocultação de recursos provenientes da atividade criminosa.
Mandados foram expedidos em quatro estados
As medidas judiciais desta quinta-feira alcançam endereços em Goiás, Minas Gerais, Pará e Maranhão. O objetivo das buscas é reunir novos elementos que permitam esclarecer a estrutura da organização e identificar o papel desempenhado por cada investigado.
As prisões preventivas, por sua vez, dependem do cumprimento das ordens judiciais e das circunstâncias encontradas pelas equipes durante a operação.
Até o momento, conforme as informações divulgadas pela investigação, apenas um dos sete mandados de prisão preventiva havia sido efetivamente cumprido.
A polícia informou que três dos investigados morreram durante o período de apuração. Dois teriam sido assassinados em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, enquanto outro morreu em um acidente aéreo que, segundo os investigadores, pode ter ocorrido durante uma operação relacionada ao transporte de drogas.
Outros três investigados estariam possivelmente fora do Brasil e, por isso, ainda não haviam sido localizados pelas equipes responsáveis pela operação.
Essas circunstâncias fazem parte do conjunto de informações reunidas pela investigação e ainda dependem da conclusão das apurações sobre a atuação individual de cada envolvido.
Apreensão de 150 kg foi ponto importante da investigação
A apreensão dos aproximadamente 150 kg de cocaína em Goianira é um dos principais episódios que deram origem ao avanço das diligências.
A localização da droga permitiu aos investigadores buscar informações sobre a aeronave, o piloto e os demais envolvidos na operação de transporte. A partir desses dados, a polícia passou a acompanhar outras movimentações atribuídas ao grupo e a identificar uma possível estrutura dedicada à logística aérea do tráfico.
O caso também se insere em uma série de investigações recentes das forças de segurança sobre o uso de aeronaves no transporte de drogas. Em Goiás, a Polícia Federal já realizou operações neste mês voltadas especificamente à logística aérea do tráfico. Em uma ação deflagrada em 9 de setembro, a FICCO/GO investigou um homem apontado como responsável pela negociação de aeronaves e peças aeronáuticas utilizadas no transporte de entorpecentes.
Em outra operação, realizada em 15 de setembro, a Polícia Federal investigou o transporte aéreo interestadual de 342,1 kg de entorpecentes. A ação ocorreu em Ribeirão Preto, em São Paulo, e teve como origem uma investigação iniciada após prisões em flagrante relacionadas ao transporte da droga.
Investigação busca identificar toda a cadeia criminosa
Mais do que localizar os responsáveis pelo transporte, a apuração busca esclarecer como funcionava a cadeia logística e financeira atribuída ao grupo.
Esse tipo de investigação procura identificar desde quem financia a aquisição dos entorpecentes e fornece os meios de transporte até os responsáveis pela distribuição e pela movimentação dos valores obtidos com a atividade ilícita.
No caso investigado pela operação desta quinta-feira, a polícia também pretende avançar sobre possíveis mecanismos utilizados para ocultar ou dissimular recursos relacionados ao tráfico.
A apreensão das aeronaves pode contribuir para a produção de provas e para a análise da estrutura logística utilizada pelo grupo. Outros elementos recolhidos durante as buscas também deverão ser examinados pelos investigadores.
Operação segue em andamento
A operação permanece em andamento e as autoridades ainda devem atualizar o número de prisões efetivamente realizadas, além dos materiais e aeronaves localizados durante o cumprimento das ordens judiciais.
Os investigados são tratados como suspeitos porque a investigação ainda está em curso. A eventual responsabilidade criminal de cada pessoa dependerá da análise das provas e do devido processo judicial.
A Polícia Federal também deverá aprofundar as diligências para identificar outros possíveis integrantes da organização, esclarecer a origem e o destino das cargas transportadas e verificar a dimensão financeira do esquema investigado.
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