61 cabeças de gado morrem após descarga elétrica durante chuva, em Goiás
Animais estavam separados para um leilão em Morrinhos quando um fio de energia se rompeu durante uma forte chuva em Água Limpa; Equatorial Goiás ainda apura as circunstâncias do caso
Sessenta e uma cabeças de gado morreram na terça-feira (15) em uma propriedade rural de Água Limpa de Goiás, no sul do estado, durante uma ocorrência envolvendo a rede elétrica em meio a uma forte chuva. Segundo o relato da família do produtor, um fio se rompeu e caiu sobre uma cerca próxima ao local onde estavam os animais, que teriam recebido uma descarga elétrica. A Equatorial Goiás confirmou que houve uma ocorrência na rede, mas informou que ainda não é possível estabelecer tecnicamente uma relação definitiva entre o problema elétrico e a morte do rebanho.
Os animais estavam em um cercado depois de terem sido separados pelo produtor para serem encaminhados a um leilão em Morrinhos. De acordo com informações divulgadas sobre o caso, mais de 200 bovinos estavam na área no momento da ocorrência. Ao final, 61 animais morreram.
A família inicialmente chegou a considerar a possibilidade de que o rebanho tivesse sido atingido por um raio durante o temporal. A hipótese mudou depois que foi identificado um fio rompido nas proximidades dos animais. Segundo o relato do produtor, a cerca teria permanecido energizada, aumentando o risco para qualquer pessoa que tentasse se aproximar do local.
Produtor também levou choque ao tentar verificar o rebanho
Depois de perceber que havia animais mortos, o produtor tentou se aproximar para verificar o que havia acontecido e também sofreu uma descarga elétrica, segundo o relato apresentado pela família à imprensa.
A situação evidencia um dos principais riscos associados a acidentes envolvendo cabos elétricos rompidos em áreas rurais: mesmo depois da queda do fio, estruturas metálicas próximas podem permanecer energizadas, criando risco de choque para pessoas e animais.
Por isso, a identificação de um cabo caído ou de uma cerca que possa estar energizada exige afastamento imediato da área e acionamento da distribuidora. A aproximação para tentar retirar animais ou verificar diretamente a estrutura pode representar risco de acidente grave.
Prejuízo passa de R$ 225 mil, segundo estimativa da família
Além da perda do rebanho, o episódio provocou um impacto financeiro significativo para o produtor. Segundo informações apresentadas pela família, cada animal estava avaliado em aproximadamente R$ 3,7 mil e o lote seria encaminhado para comercialização em um leilão em Morrinhos.
Com 61 animais mortos, a estimativa apresentada ultrapassa R$ 225 mil. O valor, porém, corresponde à avaliação informada pelo produtor e não representa, neste momento, eventual indenização ou ressarcimento reconhecido pela concessionária.
A perda ocorreu justamente quando os animais já estavam separados para a comercialização, o que aumentou o impacto econômico imediato sobre a propriedade.
Equatorial Goiás diz que ainda investiga as causas
Em posicionamento divulgado após o episódio, a Equatorial Goiás lamentou a ocorrência e informou que o fornecimento de energia foi restabelecido às 0h16 de quarta-feira (16), após a recuperação da falha.
A empresa afirmou que as circunstâncias do caso ainda estavam sendo apuradas e que, naquele momento, não era possível estabelecer uma relação entre a ocorrência registrada na rede elétrica e a morte dos animais. A distribuidora também informou que sua equipe de relacionamento mantinha contato com o produtor para orientar sobre os procedimentos necessários e sobre a documentação que pode ser apresentada em eventual solicitação de ressarcimento.
Segundo a concessionária, qualquer pedido de ressarcimento será analisado depois da conclusão da apuração, considerando critérios técnicos, regulatórios e legais aplicáveis.
A empresa também informou que a região havia sido atingida por fortes chuvas e rajadas de vento, com registros de danos à rede elétrica em diferentes pontos do sul de Goiás. As equipes foram mobilizadas para reparar estruturas afetadas e restabelecer o serviço com segurança.
O que ainda precisa ser esclarecido
A principal questão técnica é determinar exatamente como ocorreu a descarga elétrica que atingiu a área onde estavam os bovinos.
A presença de um fio rompido próximo ao cercado é um elemento apontado pela família, mas a confirmação de que esse rompimento foi efetivamente responsável pela morte dos animais depende da análise técnica da ocorrência. Também será necessário estabelecer as condições da rede no momento do acidente e verificar a extensão dos danos provocados pelo temporal.
Essa distinção é importante porque a existência simultânea de um cabo rompido, uma cerca energizada e a morte dos animais não permite, por si só, concluir tecnicamente toda a cadeia de causa e efeito.
A Equatorial Goiás informou que a investigação deverá embasar eventual análise de responsabilidade e de pedido de ressarcimento. Até a conclusão desse procedimento, a causa definitiva das mortes permanece sob apuração.
Ocorrência chama atenção para segurança em propriedades rurais
Acidentes envolvendo a rede elétrica em áreas rurais podem atingir cercas, currais, árvores e outras estruturas próximas aos cabos. Em situações de chuva e vento forte, a queda de componentes da rede pode ampliar o risco, principalmente quando o ponto energizado não é imediatamente identificado.
No caso de Água Limpa, a ocorrência afetou um lote de animais que estava concentrado em um mesmo cercado. A combinação entre a descarga elétrica e a concentração do rebanho contribuiu para a dimensão da perda relatada pela família.
A definição das causas, no entanto, dependerá da conclusão da avaliação técnica. Até lá, o rompimento do fio deve ser tratado como uma circunstância relacionada ao acidente relatado, e não como causa definitivamente comprovada pela concessionária.
O caso também deverá definir os procedimentos administrativos relacionados ao produtor e a eventual pedido de ressarcimento, conforme a documentação e os critérios técnicos e regulatórios aplicáveis.
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