JBS tem planos de qualidade reprovados em frigorífico de Mozarlândia após auditoria ligada à União Europeia
Fiscalização do Ministério da Agricultura apontou falhas sanitárias e operacionais na unidade exportadora em Goiás; empresa afirma cumprir rigorosamente os protocolos exigidos pelos mercados internacionais.

Uma das principais unidades exportadoras de carne bovina da JBS, localizada em Mozarlândia, no norte de Goiás, teve seus planos de qualidade reprovados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A decisão foi tomada após uma nova avaliação realizada pelos fiscais brasileiros, na sequência de uma missão técnica promovida pela União Europeia para verificar o sistema oficial de inspeção sanitária adotado pelo Brasil.
Segundo documentos obtidos pela reportagem original, técnicos europeus estiveram no país em maio para auditar frigoríficos, laboratórios e outras estruturas responsáveis pelos controles sanitários voltados à exportação de produtos de origem animal. A inspeção teve como objetivo avaliar a conformidade dos procedimentos brasileiros com os requisitos exigidos pelo mercado europeu.
Após a conclusão da missão internacional, fiscais do Ministério da Agricultura retornaram à planta industrial da JBS em Mozarlândia para verificar se as adequações anteriormente recomendadas haviam sido implementadas. Conforme registros oficiais, a unidade não atendeu integralmente às exigências estabelecidas, levando à reprovação dos planos de qualidade apresentados.
O documento de reprovação, formalizado em 1º de julho, aponta que diversas não conformidades identificadas durante a auditoria europeia permaneceram sem solução definitiva. Entre os problemas registrados estão falhas relacionadas à manutenção do carimbo oficial do Serviço de Inspeção Federal durante etapas do processamento das carcaças, deficiências no controle de pragas, fragilidades no gerenciamento de resíduos e vísceras, além de inconsistências em procedimentos internos considerados essenciais para atender às normas sanitárias internacionais.
Os relatórios também apontam deficiências na gestão da qualidade da unidade. Segundo a fiscalização, os planos de ação apresentados não demonstrariam análise aprofundada das causas das não conformidades, favorecendo a repetição dos problemas identificados em inspeções anteriores. Em novas avaliações realizadas ao longo de junho e novamente em 20 de julho, os fiscais concluíram que parte significativa das irregularidades permanecia sem solução efetiva.
Apesar das sucessivas reprovações registradas pelos auditores, o Ministério da Agricultura não determinou, até o momento, a suspensão das atividades da unidade nem da habilitação para exportação. As normas do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) estabelecem que, diante de não conformidades relevantes, podem ser adotadas medidas administrativas, incluindo a suspensão cautelar, total ou parcial, das exportações destinadas a determinados mercados, conforme a gravidade das irregularidades e até que as exigências sejam plenamente atendidas.
Em nota, a JBS informou que cumpre rigorosamente os protocolos sanitários exigidos pelos países para os quais exporta. A empresa afirmou que os apontamentos feitos pela fiscalização fazem parte da rotina dos processos de inspeção e sustentou que as observações registradas não representam risco à segurança dos alimentos nem comprometem a qualidade dos produtos destinados ao mercado.
Até a publicação da reportagem original, o Ministério da Agricultura não havia se manifestado sobre questionamentos encaminhados pela imprensa a respeito das reprovações.
A unidade de Mozarlândia possui relevância estratégica para a JBS nas exportações de carne bovina. A planta já recebeu habilitações para comercializar produtos em diferentes mercados internacionais. Em maio deste ano, voltou a ser autorizada pela China a exportar carne bovina após uma suspensão temporária iniciada em março de 2025. No ano anterior, também passou a embarcar produtos para o Vietnã.
O caso ocorre em um momento de fortalecimento das exigências sanitárias e regulatórias impostas pela União Europeia aos países exportadores de alimentos. Além dos controles tradicionais relacionados à segurança alimentar, o bloco europeu tem ampliado auditorias para avaliar a eficiência dos sistemas oficiais de inspeção, rastreabilidade e controle sanitário adotados pelos países fornecedores.
Nesse contexto, a demonstração de conformidade com os padrões internacionais torna-se fundamental para a manutenção do acesso aos mercados externos, especialmente diante das restrições sanitárias atualmente aplicadas às exportações brasileiras destinadas à União Europeia.
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