Obra da Avenida Leste-Oeste avança lentamente e moradores cobram respostas em Goiânia
Com entrega prometida para 2028, corredores seguem sem movimentação de máquinas, enquanto população relata abandono, falta de informação e trechos paralisados ao longo da expansão viária da capital.

A ampliação da Avenida Leste-Oeste, uma das principais obras de mobilidade urbana planejadas para a Região Metropolitana de Goiânia, segue cercada por incertezas e lentidão em diversos pontos da capital. Apesar da previsão oficial de conclusão até 2028, moradores de bairros afetados pelo traçado afirmam que não há qualquer atividade visível em alguns trechos estratégicos da intervenção, especialmente nas regiões do Setor Negrão de Lima, Nova Vila e nas proximidades do viaduto da Avenida Castelo Branco.
O projeto prevê a consolidação de um corredor viário com aproximadamente 30 quilômetros de extensão, interligando Goiânia aos municípios de Senador Canedo, na porção leste, e Trindade, na região oeste. A proposta integra o planejamento de expansão da mobilidade urbana da Grande Goiânia e busca melhorar o fluxo de veículos entre áreas densamente povoadas, reduzindo gargalos históricos no trânsito da capital.
Embora parte das intervenções tenha sido executada desde o início das obras, em 2019, ainda existem setores sem qualquer sinal concreto de retomada operacional. Em vários pontos visitados por moradores e observadores locais, não há presença de trabalhadores, equipamentos pesados, tapumes recentes ou estruturas típicas de canteiros ativos.
Na Rua 401, no Setor Negrão de Lima, o cenário é de incerteza. Moradores relatam ausência de comunicação oficial sobre desapropriações, cronograma atualizado ou impactos futuros da obra. A situação também se repete na Nova Vila, onde famílias convivem há anos com dúvidas sobre possíveis alterações urbanísticas e o destino das propriedades atingidas pelo projeto.
A aposentada Francisca Souza, moradora da região há décadas, afirma que ouviu falar da abertura da avenida ainda no início dos anos 2000, mas nunca recebeu esclarecimentos formais sobre o andamento do projeto. Segundo ela, a população local se sente desinformada e distante das decisões relacionadas à intervenção.
Outro ponto crítico é o viaduto da Avenida Castelo Branco, considerado um dos trechos mais importantes da futura ligação viária. Mesmo com parte da estrutura já executada anteriormente, o local voltou a apresentar sinais de abandono urbano, com acúmulo de lixo, vegetação alta e ausência de equipes de trabalho. O trecho chegou a ter aproximadamente 80% da execução concluída antes da interrupção das atividades.
Especialistas em infraestrutura urbana observam que obras viárias de grande porte exigem planejamento contínuo, regularidade contratual, desapropriações alinhadas e disponibilidade financeira permanente para evitar deterioração de estruturas parcialmente executadas. Em empreendimentos metropolitanos, paralisações prolongadas podem elevar custos operacionais, comprometer cronogramas e ampliar impactos sociais nas áreas afetadas.
Além da função viária, a Avenida Leste-Oeste é considerada estratégica para o desenvolvimento urbano integrado da Região Metropolitana de Goiânia. A expectativa é que o corredor facilite deslocamentos intermunicipais, estimule novos polos econômicos e reduza a pressão sobre vias já saturadas da capital.
Em setembro do ano passado, a Prefeitura de Goiânia anunciou a retomada das obras em alguns segmentos considerados prioritários. No entanto, até o momento, moradores afirmam que não perceberam mudanças práticas em determinadas áreas ainda pendentes de execução.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura foi procurada para informar o estágio atualizado da obra, o cronograma físico-financeiro e os motivos da ausência de atividades em alguns trechos, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem.
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