Empresa de Senador Canedo é alvo de operação que investiga esquema financeiro ligado ao caso Banco Master

Mandado de busca foi cumprido nesta quinta-feira (24) em Senador Canedo durante a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Carbono Oculto que apura suspeitas de lavagem de dinheiro na aquisição da distribuidora Terrana
A operação Crédito Oculto cumpriu mandados de busca e apreensão em Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina (Divulgação / Receita Federal)

Uma empresa localizada em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (24) durante a Operação Crédito Oculto, deflagrada pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo. A investigação apura suspeitas de ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos que teriam sido utilizados na aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana.

A ação é uma nova etapa da Operação Carbono Oculto, investigação que acompanha a utilização de empresas, fundos de investimento, holdings e estruturas financeiras para movimentação de recursos e ocultação de patrimônio. Além de Goiás, a ofensiva alcançou São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.

Em Senador Canedo, a diligência faz parte de um conjunto de buscas realizadas em diferentes endereços relacionados aos investigados. Segundo informações divulgadas pela Receita Federal, a operação tem como alvos 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. Reportagens sobre a ação apontam que as ordens judiciais foram cumpridas em dezenas de locais.

Investigação mira aquisição de distribuidora de combustíveis

De acordo com a Receita Federal, os investigadores identificaram uma estrutura que teria utilizado diferentes empresas e instrumentos financeiros para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelo controle econômico de uma usina sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.

A apuração aponta que a estrutura envolvia fintech, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, empresas utilizadas como veículos societários e instituições financeiras. Na avaliação dos investigadores, essas estruturas teriam desempenhado funções diferentes dentro do fluxo financeiro, criando camadas entre a origem dos recursos e os beneficiários dos ativos.

Um dos pontos analisados é uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios relacionados à usina sucroalcooleira. Segundo a Receita, parte relevante dos recursos empregados na aquisição desses direitos teria origem em fundos controlados pelo mesmo grupo investigado, formando um fluxo financeiro que, na avaliação dos investigadores, dificultaria a identificação dos reais beneficiários.

R$ 100 milhões teriam passado pela usina

Outro eixo da investigação envolve aproximadamente R$ 100 milhões que, segundo os investigadores, teriam sido enviados para a usina e posteriormente utilizados na estrutura financeira relacionada à compra da distribuidora.

A Receita afirma que os valores teriam passado rapidamente por contas de diferentes empresas e por estruturas conhecidas no mercado financeiro como “contas-bolsão”, antes de chegar à usina. O dinheiro teria sido posteriormente incorporado a um fundo criado para a operação.

A partir daí, a investigação aponta o uso de um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV) e de cédulas de crédito bancário para estruturar o financiamento da aquisição. Segundo os investigadores, o mecanismo teria servido para afastar os recursos utilizados no negócio de sua origem e dificultar a identificação dos beneficiários finais.

A investigação também examina a utilização de fundos imobiliários. Conforme a Receita Federal, imóveis que dariam suporte econômico às operações teriam sido transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos, mantendo o controle econômico dos bens sem que eles aparecessem diretamente em nome dos investigados.

Empresa financeira movimentou R$ 11,6 bilhões

Outro dado que chamou a atenção dos investigadores é o volume de recursos movimentados por uma empresa financeira apontada na estrutura investigada.

Segundo a Receita Federal, essa empresa movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os órgãos responsáveis pela apuração, o volume, analisado em conjunto com os demais elementos reunidos, reforça os indícios de utilização de estruturas financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.

O valor, entretanto, corresponde ao volume financeiro atribuído à movimentação da empresa analisada e não significa que todo esse montante seja considerado ilícito pela investigação. A apuração busca justamente identificar quais operações estariam relacionadas às condutas investigadas.

Ligação com executivo relacionado ao Banco Master

Entre os alvos da Operação Crédito Oculto está Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, empresário ligado à Entre Investimentos e apontado em reportagens como colaborador em investigações relacionadas ao antigo Banco Master.

A Entre Investimentos aparece na investigação relacionada à estrutura financeira analisada pelos investigadores. Segundo informações divulgadas sobre o caso, uma empresa ligada a Freixo teria repassado recursos à usina que aparece na estrutura examinada pela operação.

A operação também alcançou Humberto Arthur Tupinambá Neto, ligado ao Banco Genial, além de outros empresários e empresas do mercado financeiro. O objetivo, segundo o Gaeco, é esclarecer como diferentes estruturas empresariais e financeiras teriam sido utilizadas na operação envolvendo a Terrana.

A relação com o caso Banco Master aparece, portanto, no contexto das conexões empresariais e financeiras investigadas. Isso não significa que todos os alvos da operação estejam sendo investigados pelos mesmos fatos ou que tenham sido responsabilizados criminalmente.

Senador Canedo aparece nas buscas da investigação

As diligências realizadas em Goiás são relevantes porque empresas ligadas aos investigados já haviam aparecido no conjunto de elementos analisados na Operação Carbono Oculto.

Segundo informações divulgadas sobre a nova fase, documentos e outros materiais obtidos anteriormente em buscas ajudaram os investigadores a identificar conexões entre empresas relacionadas aos empresários investigados e estruturas utilizadas nas operações financeiras analisadas. Entre os locais citados estão empresas em Senador Canedo, além de endereços em outros estados.

A existência de um mandado de busca em uma empresa da cidade, porém, não permite concluir que a companhia tenha cometido crime. A finalidade desse tipo de medida é recolher documentos, equipamentos e outros elementos que possam contribuir para esclarecer os fatos investigados.

Operação é desdobramento da Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto investiga a infiltração de organizações criminosas no mercado formal de combustíveis e possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro.

A nova fase recebeu o nome de Crédito Oculto porque concentra parte da apuração nas estruturas financeiras que, segundo os investigadores, teriam sido utilizadas para movimentar recursos e esconder a origem do dinheiro empregado na aquisição da distribuidora.

A operação desta quinta-feira contou com a participação da Receita Federal, Gaeco, Secretaria da Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, Polícia Militar e Polícia Civil, além do apoio dos Gaecos de Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Até o momento, as autoridades divulgaram a realização das buscas e os principais elementos que fundamentam a investigação. Eventuais apreensões e a análise dos materiais recolhidos poderão produzir novos elementos para a apuração.

As pessoas e empresas atingidas pelas medidas são investigadas, e não condenadas. A eventual responsabilização criminal dependerá da conclusão das investigações, da análise das provas e das decisões judiciais cabíveis.

Tags: #SenadorCanedo, #Goiás, #Goiânia, #OperaçãoCréditoOculto, #CarbonoOculto, #ReceitaFederal, #Gaeco, #MinistérioPúblico, #PolíciaCivil, #Investigação, #LavagemDeDinheiro, #LavagemDeCapitais, #BancoMaster, #BancoGenial, #Combustíveis, #Terrana, #SegurançaPública, #CrimeOrganizado, #MercadoFinanceiro, #RegiãoMetropolitana

Marcus

Sobre nós Somos o portal de notícias referência em Goiás, dedicados exclusivamente a trazer as últimas informações e os fatos mais relevantes que impactam o nosso estado. Com uma equipe comprometida e apaixonada por Goiás, estamos sempre na linha de frente, capturando cada detalhe das ocorrências, eventos e novidades que fazem a diferença na vida dos goianos. Nosso compromisso é levar até você notícias com precisão, agilidade e responsabilidade, seja nas coberturas de última hora ou nas reportagens mais aprofundadas. Valorizamos o jornalismo ético e transparente, e nosso objetivo é manter você bem informado sobre tudo o que acontece em Goiás, de norte a sul. Conecte-se Conosco Para ficar sempre por dentro das nossas atualizações, siga-nos nas redes sociais e acompanhe o nosso conteúdo em tempo real. Basta clicar nos links abaixo e se juntar à nossa Rede: TikTok: https://tiktok.com/goianiaurgenteoficial Instagram: https://www.instagram.com/goianiaurgenteoficial Youtube: https://www.youtube.com/@goianiaurgente

Verified by MonsterInsights