Contratos de quase R$ 1 milhão em Cavalcante entram na mira da Câmara após suspeita de conflito de interesse
Empresa contratada pela Prefeitura de Cavalcante estaria registrada em imóvel ligado ao prefeito Vilmar Kalunga; vereadores cobram explicações sobre licitação, fiscalização e vínculos familiares

Dois contratos firmados pela Prefeitura de Cavalcante, na região da Chapada dos Veadeiros, passaram a ser alvo de questionamentos políticos e administrativos após surgirem suspeitas de possível conflito de interesse envolvendo a gestão municipal e a empresa vencedora dos certames. Os convênios, que juntos somam quase R$ 1 milhão, foram debatidos em sessão da Câmara Municipal realizada na sexta-feira (8), após repercussão de investigação sobre a contratação da empresa Savana Agrobio Ltda.
Os contratos envolvem projetos voltados ao fortalecimento da agricultura na comunidade Kalunga, incluindo capacitação técnica, operação assistida de unidades móveis agrícolas e aquisição de kits de microfábricas de bioinsumos. O primeiro convênio foi firmado no valor de R$ 653 mil, enquanto o segundo prevê investimento de R$ 283,9 mil.
O principal ponto levantado pelos vereadores e repercutido pela investigação é o fato de o endereço cadastrado da empresa contratada estar vinculado a um imóvel pertencente ao prefeito de Cavalcante, Vilmar Souza Costa, conhecido como Vilmar Kalunga (PSB). Conforme documentos analisados, o imóvel utilizado como sede da empresa teria registro e cobrança de IPTU em nome do próprio chefe do Executivo municipal.
Além disso, a estrutura administrativa da contratação também entrou no centro das discussões. O processo licitatório foi coordenado pelo secretário municipal de Gestão, Danilo Antônio Ferreira, enquanto a fiscalização dos contratos ficou sob responsabilidade do secretário de Agricultura, João Filho Souza Costa, irmão do prefeito.
Durante sessão no Legislativo municipal, os vereadores aprovaram, por unanimidade, a convocação dos dois secretários para prestarem esclarecimentos formais sobre os contratos e os procedimentos adotados pela administração.
Questionado sobre o vínculo entre o endereço da empresa e o imóvel relacionado ao prefeito, o secretário de Gestão afirmou desconhecer previamente a situação cadastral da companhia antes da assinatura dos contratos. Segundo ele, uma apuração administrativa interna foi aberta para avaliar o caso. O secretário sustentou ainda que o local seria dividido em três áreas distintas, incluindo residência, imóvel comercial e consultório odontológico.
Já o secretário de Agricultura rebateu os questionamentos sobre possível conflito de interesse envolvendo sua atuação como fiscal dos contratos, apesar do parentesco direto com o prefeito responsável pela homologação dos convênios. Segundo ele, sua designação ocorreu por critérios técnicos ligados à experiência na área agrícola.
Outro ponto que elevou a pressão política no município foi o fato de a Savana Agrobio Ltda. ter participado sozinha dos dois pregões públicos relacionados aos contratos milionários. Parlamentares cobraram explicações sobre a baixa concorrência e possíveis falhas na ampla divulgação dos editais.
Em resposta, a Secretaria de Gestão informou que, até o momento, apenas R$ 54 mil foram pagos, referentes à etapa de capacitação técnica. Segundo a administração municipal, os kits de bioinsumos ainda não teriam sido entregues, motivo pelo qual não houve desembolso da segunda contratação.
Os representantes da Prefeitura negaram qualquer irregularidade e afirmaram que as denúncias possuem motivação política. O prefeito Vilmar Kalunga, procurado novamente após a sessão, informou que considera o assunto encerrado e não pretende se manifestar publicamente sobre o caso.
O episódio amplia o debate sobre transparência, governança pública e controle de contratos administrativos em municípios do interior goiano, especialmente em projetos financiados com recursos públicos destinados ao desenvolvimento regional e fortalecimento da agricultura familiar.
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