Uma clínica que já havia sido interditada pelas autoridades voltou a funcionar e foi flagrada durante uma fiscalização realizada nesta terça-feira (3), em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. No estabelecimento, equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) e da Vigilância Sanitária encontraram 24 pessoas internadas, além de alimentos vencidos e estragados e situações que levantaram suspeitas de irregularidades na assistência prestada aos pacientes.
A operação tinha como objetivo verificar se a determinação de interdição anteriormente imposta ao estabelecimento estava sendo cumprida. Durante a vistoria, porém, os agentes constataram que a unidade permanecia em atividade, apesar da medida administrativa.
Entre os 24 internos havia pessoas com dependência química e indivíduos com transtornos mentais. Conforme as informações levantadas durante a ocorrência, os pacientes teriam sido transferidos de outra clínica localizada em Aparecida de Goiânia para o estabelecimento fiscalizado em Senador Canedo.
As equipes também identificaram situações que exigem apuração pelas autoridades. Entre os casos relatados estão pessoas com sinais de possíveis maus-tratos, um interno com suspeita de fratura na costela e pacientes que estariam sendo mantidos no local contra a própria vontade.
Outro ponto identificado foi a presença de uma pessoa acamada com tuberculose. A fiscalização também encontrou internos monitorados por tornozeleiras eletrônicas, circunstância que deverá ser considerada na avaliação individual dos casos e nos encaminhamentos necessários.
Condições sanitárias e atuação das autoridades
Além das condições em que os internos estavam alojados, a Vigilância Sanitária constatou a existência de alimentos vencidos e deteriorados, situação que representa um risco à segurança alimentar e reforça a necessidade de apuração das condições de funcionamento da clínica.
Durante a ação, um dos responsáveis pelo estabelecimento deixou o local e fugiu por uma área de mata. Outro foi conduzido à delegacia em situação de flagrante para os procedimentos legais cabíveis.
A assistência social também foi acionada para acompanhar a ocorrência e prestar suporte às pessoas encontradas na unidade. Os casos identificados deverão ser avaliados pelas autoridades competentes, especialmente diante dos relatos de possíveis violações de direitos, problemas sanitários e internações sem consentimento.
A fiscalização deverá subsidiar a apuração das circunstâncias em que a clínica continuou funcionando após a interdição e das condições às quais os 24 internos estavam submetidos. Até a conclusão das investigações, as situações identificadas devem ser tratadas como suspeitas e possíveis irregularidades, sem antecipação de responsabilidades individuais.
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