A Chilli Beans protocolou, na sexta-feira (30), um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 340 milhões em dívidas financeiras. A iniciativa foi estruturada com os principais credores da rede e prevê a possibilidade de entrada de até R$ 50 milhões em novos recursos para apoiar a reestruturação da empresa, fundada pelo empresário Caito Maia.

O acordo envolve o Itaú, a Akron Capital e a Vega Asset, que participam como financiadores âncoras e coordenam a operação de financiamento. A proposta busca ajustar as condições de pagamento das obrigações financeiras e dar à companhia maior capacidade de organizar o fluxo de caixa e manter suas atividades.

A empresa possui aproximadamente 900 franquias no Brasil e está presente em mais de 14 países. Apesar da renegociação, a rede mantém atividades comerciais e informou que abriu nove pontos de venda no mercado brasileiro e outras quatro unidades na América do Sul durante outubro.

Renegociação envolve dívidas financeiras

O plano apresentado pela Chilli Beans está concentrado nos compromissos com instituições financeiras. Segundo informações divulgadas pela companhia, fornecedores, funcionários e outros parceiros comerciais não estão incluídos nessa negociação.

A empresa não detalhou publicamente todas as condições propostas para quitar os R$ 340 milhões, como eventuais descontos, períodos de carência ou o cronograma de pagamento. Esses elementos são importantes para avaliar o alcance da reestruturação e o impacto que ela terá sobre as finanças da rede nos próximos anos.

O aporte previsto de até R$ 50 milhões também precisa ser entendido separadamente do valor da dívida. Trata-se de novos recursos destinados a fortalecer o processo de reorganização, e não de uma redução automática do passivo financeiro.

Como funciona a recuperação extrajudicial

A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite a uma empresa negociar diretamente com seus credores um plano para reorganizar dívidas e estabelecer novas condições de pagamento.

O procedimento é diferente da recuperação judicial, na qual a negociação ocorre sob supervisão mais ampla do Judiciário e segue etapas próprias previstas na legislação. Na modalidade extrajudicial, a empresa busca construir um acordo com os credores e pode submetê-lo à Justiça para homologação.

A homologação judicial pode conferir ao plano os efeitos legais previstos para os créditos abrangidos, desde que sejam cumpridos os requisitos estabelecidos na legislação. Portanto, o pedido não significa falência nem determina, por si só, o encerramento das atividades da companhia.

No caso da Chilli Beans, a proposta foi alinhada com os principais credores, mas a empresa ainda não apresentou todos os detalhes públicos sobre as condições finais de pagamento. A execução do plano dependerá do andamento do procedimento e da formalização dos acordos.

Juros e inadimplência entre franqueados pressionaram as finanças

O fundador da empresa, Caito Maia, atribuiu parte das dificuldades ao aumento dos juros e à elevação da inadimplência de integrantes da rede de franquias. Em entrevista à revista Exame, ele afirmou que o encarecimento do crédito atingiu tanto a companhia quanto os franqueados, pressionando o caixa do negócio.

Maia também relatou que a inadimplência entre franqueados chegou a aproximadamente 22% no período posterior à pandemia, depois de historicamente permanecer próxima de 3%. Segundo o empresário, o indicador recuou posteriormente para cerca de 4%.

Esses números representam informações atribuídas ao fundador e ajudam a compreender o diagnóstico apresentado pela própria empresa. A companhia, porém, não detalhou publicamente a participação de cada fator na formação do endividamento de R$ 340 milhões.

O cenário de juros elevados também representa um desafio para o varejo, pois aumenta o custo de financiamentos e pode reduzir a disposição dos consumidores para assumir novas despesas. Ainda assim, não é possível atribuir toda a dívida da Chilli Beans exclusivamente às condições econômicas.

Rede mantém franquias e expansão internacional

A reestruturação ocorre enquanto a Chilli Beans procura preservar sua presença no mercado brasileiro e internacional. A marca opera em diferentes formatos comerciais, incluindo lojas de óculos de sol, unidades voltadas à óptica e outros modelos de venda.

Com cerca de 900 franquias no Brasil e atuação em mais de 14 países, a empresa depende de uma rede de parceiros comerciais para manter sua distribuição e alcançar consumidores em diferentes mercados.

A continuidade das operações é um dos pontos centrais do processo. A renegociação busca adequar os compromissos financeiros à realidade do negócio, sem incluir, segundo a companhia, as dívidas com fornecedores e funcionários no plano apresentado.

Para Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, a reorganização deve permitir que a empresa concentre esforços na operação e fortaleça o relacionamento com franqueados e fornecedores. A avaliação foi apresentada pelo representante de uma das instituições envolvidas no processo.

O que acontece a partir de agora

O principal desafio da Chilli Beans será transformar a negociação com os credores em uma estrutura financeira compatível com sua capacidade de pagamento. A entrada dos recursos previstos poderá apoiar essa etapa, enquanto a empresa busca manter as vendas, a rede de franquias e os planos comerciais.

A efetividade da recuperação dependerá das condições estabelecidas no acordo, do cumprimento das obrigações renegociadas e da capacidade de geração de caixa da companhia.

Com a dívida de R$ 340 milhões no centro do processo e a previsão de até R$ 50 milhões em novos recursos, a Chilli Beans inicia uma etapa de reorganização financeira que terá reflexos sobre a gestão do negócio e sua estratégia de crescimento.

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