Caiado atribui tensão comercial com os EUA ao governo Lula e faz duras críticas à política federal
Pré-candidato à Presidência afirma que falta credibilidade ao Brasil nas relações internacionais e relaciona avanço do crime organizado a dificuldades enfrentadas pelo país no cenário externo

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos recentes atritos comerciais entre Brasil e Estados Unidos e pela ameaça de novas barreiras tarifárias a produtos brasileiros. As declarações foram feitas durante encontro de lideranças partidárias realizado em Lages, Santa Catarina.
Ao comentar a possibilidade de um novo tarifaço norte-americano, Caiado afirmou ser contrário à adoção de medidas protecionistas e defendeu o fortalecimento do diálogo diplomático para preservar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Durante a entrevista, o ex-governador rejeitou atribuir diretamente a situação à atuação de integrantes da oposição brasileira nos Estados Unidos e direcionou suas críticas ao governo federal. Segundo ele, o Brasil enfrenta dificuldades nas negociações externas em razão da perda de credibilidade institucional e da condução da política nacional.
Caiado argumentou que o país necessita de maior capacidade de articulação internacional e de um ambiente político capaz de transmitir segurança aos parceiros comerciais. Na avaliação do pré-candidato, a confiança internacional é um dos principais ativos para a manutenção de acordos econômicos e para a expansão das exportações brasileiras.
Em outro trecho da manifestação, o ex-governador também associou a imagem do Brasil no exterior ao avanço das organizações criminosas e aos desafios enfrentados no combate à corrupção. Sem apresentar dados específicos durante a coletiva, ele afirmou que a expansão das facções criminosas passou a gerar preocupação em mercados internacionais e pode influenciar debates sobre restrições comerciais e exigências regulatórias.
As declarações ocorrem em um momento de intensificação das discussões sobre comércio exterior, segurança pública e competitividade do agronegócio brasileiro, setores diretamente impactados por decisões adotadas por grandes mercados consumidores, como Estados Unidos e União Europeia.
A fala reforça a estratégia política adotada por Caiado na pré-campanha presidencial, marcada por críticas à condução do governo federal nas áreas econômica, institucional e de segurança pública. Ao mesmo tempo, o governador procura consolidar espaço no campo da centro-direita para a disputa eleitoral de 2026.
Especialistas em comércio exterior ressaltam que eventuais medidas tarifárias ou restrições comerciais costumam envolver fatores econômicos, diplomáticos, regulatórios e geopolíticos complexos, sendo normalmente resultado de negociações multilaterais e avaliações técnicas conduzidas pelos países envolvidos.
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