Ataque a ônibus de torcedores do Vila Nova volta ao Tribunal do Júri; três acusados serão julgados, em Goiânia
Ministério Público sustenta que ação foi premeditada por integrantes da torcida organizada Força Jovem Parque Oeste e resultou em tentativas de homicídio, depredação de ônibus e feridos após emboscada na capital.
O Tribunal do Júri de Goiânia dará continuidade ao julgamento dos acusados de envolvimento em um dos episódios mais graves de violência entre torcidas organizadas registrados em Goiás. Na próxima quinta-feira (9), três investigados responderão perante o Conselho de Sentença por suposta participação no ataque a um ônibus que transportava torcedores do Vila Nova Futebol Clube, ocorrido em 1º de fevereiro de 2023, após uma partida válida pelo Campeonato Goiano.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), o atentado teria sido previamente planejado por integrantes da torcida organizada Força Jovem Parque Oeste. A investigação aponta que os envolvidos monitoraram o deslocamento do ônibus e organizaram uma emboscada em um trecho do Setor Buena Vista, em Goiânia.
De acordo com a acusação, veículos foram utilizados para bloquear a passagem do coletivo, que transportava torcedores na volta do estádio. Em seguida, o grupo teria iniciado um ataque com pedras, pedaços de madeira, artefatos explosivos improvisados e disparos de arma de fogo, provocando momentos de pânico entre os passageiros e danos significativos ao ônibus.
Ainda conforme as investigações, o motorista conseguiu evitar consequências ainda mais graves ao encontrar uma abertura entre os veículos utilizados no bloqueio e acelerar o coletivo, retirando os passageiros da área de risco.
A Polícia Civil apurou que três pessoas foram diretamente atingidas durante a ação criminosa. Uma das vítimas sofreu um disparo de arma de fogo na região da cabeça e precisou ser encaminhada para atendimento hospitalar. Outro torcedor foi agredido com golpes de madeira e chutes, enquanto uma terceira vítima conseguiu escapar antes de ser alcançada pelos agressores.
Para o Ministério Público, os elementos reunidos durante a investigação indicam que o ataque não ocorreu de forma espontânea. A denúncia sustenta que a emboscada foi organizada previamente por meio de conversas em aplicativos de mensagens, nas quais teriam sido definidos o local, o momento da ação e a participação dos envolvidos.
Os três investigados que serão julgados respondem pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, associação criminosa, dano qualificado ao patrimônio e corrupção de menor. O MPGO também requer a fixação de indenização mínima de R$ 30 mil para cada uma das vítimas, em caso de eventual condenação.
O processo já teve uma etapa concluída em julgamento anterior. Na ocasião, dois réus foram condenados pelo Tribunal do Júri, enquanto outro acusado foi absolvido pelo Conselho de Sentença. A nova sessão dará prosseguimento à responsabilização penal dos demais investigados apontados pelas autoridades como participantes da ação.
O caso permanece como um dos principais símbolos da violência envolvendo torcidas organizadas em Goiás e reforça o debate sobre medidas de prevenção, repressão e responsabilização criminal em episódios que colocam em risco a segurança de torcedores e da população.
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