Fila da educação infantil recua em Goiânia, mas TCM aponta desequilíbrio entre vagas ociosas e alta demanda em creches
Relatório do Tribunal de Contas indica avanço na redução do déficit, mas alerta para problemas de distribuição territorial e transparência na gestão de vagas na rede municipal

A educação infantil de Goiânia apresenta um cenário de avanços quantitativos, mas também de desafios estruturais na distribuição de vagas. Levantamento da Secretaria de Controle Externo de Políticas Públicas do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) aponta que a fila de espera na rede municipal caiu 17,46% entre junho de 2025 e março de 2026, passando de 5.482 para 4.525 crianças.
Apesar da redução, o relatório evidencia um descompasso entre oferta e demanda dentro da rede da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME). Enquanto a rede ampliou a oferta total para 41.079 vagas, ao menos 1.966 permaneciam ociosas na pré-escola e a maior pressão continuava concentrada nas creches para crianças de até 3 anos, que representam cerca de 69% da demanda reprimida.
O documento técnico chama atenção para um ponto central da política educacional municipal: o déficit não se limita ao volume total de vagas, mas à sua distribuição geográfica e por faixa etária. Segundo a análise, há unidades escolares com vagas disponíveis enquanto outras mantêm listas extensas de espera, especialmente nas regiões Noroeste, Oeste e Sudoeste da capital.
Outro dado destacado pelo tribunal é a redução no número total de matrículas na educação infantil, que caiu de 38.144 para 37.194 no período analisado. Para a área técnica, esse movimento exige investigação mais aprofundada, já que pode indicar tanto mudanças demográficas quanto problemas de alocação e ocupação da rede.
O relatório também recomenda uma reformulação no modelo de gestão das vagas. Entre os pontos apresentados estão a necessidade de separar formalmente a análise de demanda entre creche e pré-escola, a adoção de georreferenciamento para planejamento de novas unidades e a realização de auditorias no sistema de cadastro de vagas, com foco na identificação de eventuais inconsistências como duplicidades ou desalinhamento de registros.
Outro eixo sensível apontado pelo TCM é a política de compra de vagas em instituições privadas, utilizada como estratégia complementar por meio de bolsas de estudo. O órgão recomenda maior transparência, com divulgação de beneficiários e valores repassados, além de reforçar que o modelo deve permanecer como solução auxiliar, e não estrutural, para o déficit de vagas.
O secretário de Controle Externo de Políticas Públicas do TCM-GO, Marco Aurélio Batista, avalia que a superação do problema depende de planejamento territorializado e expansão da rede própria. Segundo ele, o simples aumento global de vagas não resolve o desequilíbrio existente entre regiões da cidade.
Na avaliação técnica, a concentração da demanda reprimida em áreas específicas exige a criação de novas unidades e ampliação de turmas em regiões críticas, além de parcerias pontuais com entidades sem fins lucrativos como medida complementar.
Em resposta ao levantamento, a SME apresentou dados diferentes dos utilizados pelo tribunal. A pasta afirma que a fila atual seria de 3.275 crianças e que há 3.793 vagas ociosas na rede municipal. Segundo a secretaria, parte da demanda decorre da preferência das famílias por unidades específicas, próximas de residência ou trabalho, o que impactaria o preenchimento total das vagas disponíveis.
O contraste entre os números reforça a complexidade do diagnóstico da educação infantil em Goiânia, onde a existência simultânea de vagas ociosas e listas de espera segue como principal desafio de gestão.
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