Golpe do “falso advogado” movimenta estrutura interestadual e causa prejuízo de quase R$ 500 mil a servidor, em Goiás
Operação policial cumpre mandados no Ceará e expõe organização criminosa com divisão de funções, uso de engenharia social e lavagem de dinheiro
Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado de Goiás revelou a atuação de um grupo estruturado especializado no chamado “golpe do falso advogado”, responsável por causar prejuízo superior a R$ 460 mil a um servidor público goiano em um curto intervalo de tempo. A ofensiva, batizada de operação Falso Defensor, cumpriu dezenas de ordens judiciais em cidades do Ceará, incluindo mandados de prisão temporária, busca e apreensão e medidas de bloqueio patrimonial que se aproximam de R$ 500 mil.
As diligências foram realizadas com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, além da cooperação da Polícia Civil do Estado do Ceará. O objetivo central é desarticular uma rede que operava de forma coordenada, utilizando técnicas de fraude eletrônica, manipulação psicológica e ocultação de ativos.
De acordo com os elementos colhidos, o esquema se baseava em engenharia social — método amplamente reconhecido em investigações de crimes cibernéticos — para induzir vítimas a erro. Os suspeitos se apresentavam como advogados por meio de aplicativos de mensagens, alegando a existência de valores a serem liberados em supostos processos judiciais. A narrativa fraudulenta incluía a exigência de pagamentos antecipados, sob a justificativa de custas processuais, tributos ou taxas administrativas inexistentes.
Para conferir verossimilhança à fraude, o grupo utilizava linguagem técnico-jurídica, documentos falsificados e até a simulação de agentes públicos, criando um ambiente de credibilidade artificial. A investigação identificou uma divisão funcional típica de organizações criminosas: um núcleo responsável pela prospecção e abordagem das vítimas, outro encarregado da simulação institucional e um terceiro dedicado à movimentação e dispersão dos valores ilícitos, frequentemente por meio de contas de terceiros e mecanismos de lavagem de dinheiro.
O caso que originou a operação evidencia a eficiência do golpe. A vítima, um servidor público, realizou transferências sucessivas ao longo de poucos dias, acreditando estar cumprindo exigências legais para liberação de crédito judicial. A partir desse episódio, os investigadores identificaram indícios de que o mesmo modus operandi vinha sendo replicado em outras unidades da federação, ampliando o alcance da organização.
Os investigados devem responder por crimes tipificados na Lei nº 12.737/2012, além de dispositivos da Lei nº 7.492/1986 e do Código Penal, incluindo estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de capitais. As autoridades não divulgaram os nomes dos alvos, em razão do andamento das investigações e da necessidade de preservar diligências complementares.
Especialistas em segurança digital apontam que esse tipo de fraude tem se sofisticado com o uso de dados pessoais obtidos em vazamentos ou redes sociais, o que aumenta a taxa de sucesso dos golpes. A recomendação é que cidadãos verifiquem diretamente com escritórios de advocacia ou tribunais qualquer comunicação envolvendo valores judiciais, evitando pagamentos antecipados sem confirmação formal.
A operação segue em curso, com análise de dispositivos eletrônicos apreendidos e rastreamento de fluxos financeiros, etapa considerada crucial para a identificação de outros envolvidos e eventual recuperação de ativos desviados.
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