Operação mira esquema de “consultoria fiscal” fraudulenta e bloqueia mais de R$ 10 milhões em Goiás e no Piauí
Investigação aponta rede estruturada que prometia reduzir tributos de empresas com mecanismos ilegais; imóveis foram sequestrados e mandados cumpridos em cinco cidades
Uma operação integrada de segurança pública desarticula um esquema suspeito de fraudes tributárias que atuava sob a fachada de consultoria fiscal. A ação, coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí, alcançou alvos em Teresina e em quatro municípios goianos — Goiânia, Orizona, Trindade e Vianópolis — evidenciando a capilaridade interestadual do grupo investigado.
As diligências resultaram no bloqueio de mais de R$ 10 milhões em contas bancárias, no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão e no sequestro de oito imóveis vinculados aos investigados. A ofensiva contou com a atuação da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, da Superintendência de Operações Integradas e apoio da Polícia Civil de Goiás.
Segundo as investigações, o núcleo criminoso oferecia a empresas serviços de “otimização tributária” com promessa de redução expressiva da carga fiscal por meio de compensações e créditos supostamente válidos junto à Receita Federal do Brasil. Na prática, os procedimentos indicados seriam ilegais ou inexistentes, induzindo as vítimas a aderirem a estratégias fiscais irregulares.
O modelo operacional descrito pelos investigadores indica uma estrutura organizada, com divisão de funções. Um primeiro núcleo era responsável pela captação de clientes, utilizando linguagem técnica e argumentos jurídicos para conferir aparência de legitimidade. Outro grupo cuidava da formalização dos contratos e da circulação financeira, por meio de pessoas físicas e jurídicas interpostas, prática comum em esquemas de ocultação de ativos. Há ainda indícios de utilização de mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, como pulverização de valores e conversão em bens patrimoniais.
O prejuízo identificado envolve não apenas os valores pagos pelas empresas contratantes, mas também impactos fiscais indiretos. Uma das vítimas, sediada no Piauí, além de arcar com honorários elevados, foi autuada por órgãos de controle e recebeu multas superiores a R$ 3,5 milhões, decorrentes das irregularidades cometidas sob orientação da falsa consultoria.
Os principais investigados devem responder por estelionato qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As autoridades não divulgaram os nomes dos suspeitos, e as defesas não foram localizadas até o momento. O número de prisões não foi oficialmente detalhado, o que indica que a operação ainda se encontra em fase de consolidação probatória.
Do ponto de vista técnico, o caso reforça o alerta sobre práticas conhecidas como “planejamento tributário abusivo”, nas quais empresas são induzidas a adotar estratégias sem respaldo legal, muitas vezes travestidas de consultoria especializada. Especialistas em direito tributário destacam que compensações fiscais só podem ocorrer dentro dos parâmetros definidos pela legislação e com base em créditos efetivamente constituídos.
A continuidade das investigações deve aprofundar a identificação de outros envolvidos e rastrear o fluxo financeiro completo do esquema, com possibilidade de novas medidas judiciais. A atuação coordenada entre estados evidencia o esforço das forças de segurança em enfrentar crimes econômicos complexos, que combinam fraude, engenharia financeira e uso indevido de instrumentos legais.
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