Em debate nacional do PSD, Caiado defende segurança pública como eixo da governabilidade e critica centralização federal
Governador de Goiás apresenta agenda de reformas institucionais, alerta para avanço do crime organizado e se posiciona no debate interno do partido sobre a sucessão presidencial de 2026.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que a crise de segurança pública e o enfraquecimento do pacto federativo estão entre os principais desafios institucionais enfrentados pelo Brasil. A avaliação foi apresentada durante debate promovido pela Fundação Espaço Democrático, em São Paulo, que reuniu governadores filiados ao Partido Social Democrático (PSD) considerados potenciais candidatos à Presidência da República em 2026.
O encontro também contou com a participação dos governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná. A iniciativa integrou a estratégia do partido de promover debates programáticos internos para discutir propostas de governo e posicionamentos políticos antes da definição da candidatura presidencial.
Durante sua exposição, Ronaldo Caiado sustentou que a segurança pública deixou de ser um tema restrito à esfera policial e passou a representar um fator estruturante da governabilidade. Segundo ele, o avanço de organizações criminosas compromete a estabilidade institucional, impacta o ambiente econômico e afeta diretamente a confiança da população nas instituições do Estado.
Na avaliação do governador, a expansão de facções criminosas e do narcotráfico tem produzido um cenário de crescente insegurança em diferentes regiões do país. Para ele, o enfrentamento ao crime organizado deve ocupar posição central em qualquer estratégia nacional de desenvolvimento.
Caiado argumentou que a presença efetiva do Estado e o fortalecimento das forças de segurança são elementos decisivos para impedir a consolidação de áreas sob influência de organizações criminosas. Segundo o governador, o poder público precisa reafirmar sua autoridade institucional e garantir que nenhuma região permaneça sob controle de grupos ilegais.
Ao mencionar a experiência administrativa em Goiás, o governador afirmou que a política de segurança adotada pelo estado combinou ampliação da atuação policial com mudanças estruturais no sistema penitenciário. Entre as medidas destacadas estão o endurecimento do controle interno nas unidades prisionais e o monitoramento rigoroso de detentos ligados a facções criminosas.
O governador defendeu que reformas no sistema carcerário e maior integração entre forças de segurança são instrumentos indispensáveis para enfraquecer redes criminosas que operam dentro e fora dos presídios.
Além da agenda de segurança, Ronaldo Caiado direcionou críticas a propostas discutidas no âmbito do governo federal que, segundo ele, podem reduzir a autonomia dos estados na formulação de políticas públicas. O governador mencionou discussões sobre mudanças constitucionais que alterariam a organização do sistema nacional de segurança e advertiu para o risco de centralização excessiva de competências.
Na avaliação de Caiado, transferir decisões estratégicas para a esfera federal poderia enfraquecer a capacidade de reação dos governos estaduais, que lidam diretamente com os desafios cotidianos da segurança pública. Ele também questionou a capacidade operacional do governo central em áreas como fiscalização de fronteiras e combate ao tráfico internacional de drogas.
O debate também abordou temas econômicos e institucionais. O governador goiano criticou propostas de políticas públicas que, em sua avaliação, são apresentadas sem avaliação consistente de impacto fiscal. Para ele, o país precisa discutir sustentabilidade orçamentária antes de ampliar benefícios sociais ou implementar mudanças estruturais na legislação trabalhista.
Caiado alertou para o crescimento do endividamento público e afirmou que o aumento da relação entre dívida e Produto Interno Bruto pode limitar a capacidade do Estado de investir em infraestrutura, inovação e desenvolvimento econômico.
O governador também defendeu a realização de uma reforma administrativa ampla, capaz de estabelecer mecanismos de avaliação de desempenho no serviço público e garantir maior controle sobre despesas governamentais. Na avaliação dele, a reorganização da estrutura administrativa deve envolver todos os poderes da República, com regras claras para cumprimento dos limites fiscais.
Na parte final de sua participação, Caiado destacou iniciativas adotadas em Goiás nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. O governador mencionou investimentos em pesquisa e parcerias internacionais voltadas ao desenvolvimento de tecnologias estratégicas, incluindo projetos relacionados à inteligência artificial e à exploração de minerais críticos.
Entre esses recursos, ele ressaltou o potencial de Goiás na produção de terras raras pesadas, minerais considerados essenciais para cadeias industriais de alta tecnologia. Segundo Caiado, o interesse de empresas e governos estrangeiros nessa área reforça a importância estratégica do estado no cenário econômico global.
Ao comentar o cenário político nacional, o governador afirmou que a construção de um projeto de governo exige diálogo com diferentes setores da sociedade e articulação política capaz de formar maioria no Congresso Nacional. Com longa trajetória parlamentar, ele destacou que a governabilidade depende da capacidade de negociação e construção de consensos no Legislativo.
Durante o debate, Ronaldo Caiado também reiterou que considera legítima sua participação na disputa interna do partido para a eleição presidencial. Segundo ele, a experiência administrativa acumulada e os resultados obtidos em sua gestão estadual credenciam sua atuação no debate nacional sobre o futuro do país.
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