Sífilis cresce 46,6% em Goiânia e acende alerta na saúde
Capital registrou 2.313 casos de sífilis adquirida entre janeiro e agosto de 2025; aumento reforça necessidade de prevenção, testagem e tratamento adequado.

Goiânia registrou aumento de 46,6% nos casos de sífilis adquirida entre janeiro e agosto de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram que a capital contabilizou 2.313 diagnósticos da doença no período, contra 1.475 registros nos primeiros oito meses de 2024.
Além dos casos de sífilis adquirida, o levantamento registrou 469 ocorrências em gestantes e 122 casos de sífilis congênita entre janeiro e agosto de 2025. O cenário levou a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) a reforçar ações de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento durante o Outubro Verde, campanha de conscientização sobre a doença.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões infectadas durante relações sexuais, inclusive nas modalidades vaginal, anal e oral. A infecção também pode passar da gestante para o bebê durante a gravidez ou o parto.
Diagnóstico pode ocorrer mesmo sem sintomas
Um dos desafios no controle da sífilis é que a infecção pode permanecer sem sinais perceptíveis, principalmente em determinadas fases. Quando aparecem, os sintomas podem incluir lesões na região de contato e manchas na pele. Por isso, a testagem tem papel importante na identificação dos casos e no início do tratamento.
Em Goiânia, a rede municipal disponibiliza testes rápidos para sífilis. O resultado pode ser obtido em pouco tempo, permitindo que a equipe de saúde avalie a necessidade de iniciar o tratamento.
A orientação das autoridades de saúde é que pessoas sexualmente ativas mantenham medidas de prevenção e procurem atendimento diante de situações de risco ou suspeita de infecção.
Tratamento precisa ser concluído
Outro ponto de atenção é a continuidade do tratamento. A terapia utiliza penicilina benzatina, medicamento empregado no tratamento da sífilis. A interrupção das doses ou o não acompanhamento adequado pode comprometer o controle da infecção.
A gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Transmissíveis da SMS, Jennifer Caetano, apontou a redução do uso de preservativos e a dificuldade de adesão ao tratamento como fatores relacionados ao cenário observado pela vigilância municipal.
A doença, entretanto, tem tratamento e pode ser curada quando o acompanhamento é realizado corretamente. O diagnóstico precoce também reduz o risco de complicações e contribui para interromper a cadeia de transmissão.
Gestantes exigem atenção especial
Entre os registros, a presença de casos em gestantes representa uma preocupação específica para a saúde pública. A infecção pode ser transmitida para o feto e provocar a chamada sífilis congênita.
A transmissão vertical pode resultar em consequências graves para o bebê, razão pela qual o acompanhamento durante o pré-natal é considerado fundamental. A identificação da infecção durante a gestação permite iniciar o tratamento e adotar as medidas necessárias para reduzir o risco de transmissão.
O acompanhamento também envolve o parceiro sexual, uma vez que a manutenção da infecção em um dos envolvidos pode favorecer uma nova exposição.
Testagem e prevenção fazem parte do controle
O avanço registrado em Goiânia reforça a importância da combinação entre prevenção, diagnóstico e tratamento. A testagem permite identificar pessoas que podem não apresentar sintomas, enquanto o tratamento adequado reduz os riscos de complicações e de transmissão.
A Secretaria Municipal de Saúde mantém ações de vigilância e assistência voltadas aos casos de sífilis e, durante o Outubro Verde, amplia a mobilização para estimular a população a buscar informação, realizar testes e manter o acompanhamento médico quando houver diagnóstico.
Para as gestantes, a recomendação é manter o pré-natal desde o início da gravidez e realizar os exames indicados pela equipe de saúde. O diagnóstico e o tratamento oportunos são medidas essenciais para reduzir a ocorrência da sífilis congênita.
Os dados de janeiro a agosto de 2025 mostram, portanto, um crescimento expressivo dos registros de sífilis adquirida em Goiânia e reforçam a necessidade de manter ações contínuas de prevenção, testagem e acompanhamento na rede pública de saúde.
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