23 de abril de 2026
EconomiaNotíciasÚltimas

Setor produtivo reage contra fim da escala 6×1 e alerta para impacto bilionário e risco de desemprego

Entidades empresariais de Goiás apontam efeitos adversos sobre emprego, custos e inflação, enquanto proposta avança no Congresso e amplia debate sobre jornada de trabalho no país
Marcelo Baiocchi | Foto: Reprodução

A proposta de alteração da jornada de trabalho no Brasil, com previsão de extinção do modelo 6×1, intensificou o embate entre setores produtivos e defensores da reconfiguração das relações laborais. Em Goiás, o Fórum das Entidades Empresariais (FEE-GO) formalizou posição crítica à medida, sustentando que a mudança pode gerar efeitos estruturais negativos sobre o mercado de trabalho, os custos operacionais das empresas e a dinâmica macroeconômica.

A análise do setor empresarial está ancorada em estudos técnicos elaborados por instituições como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a Confederação Nacional da Indústria e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Esses levantamentos indicam que a redução da jornada sem ajustes estruturais pode elevar significativamente o custo do trabalho formal, com estimativas que alcançam até R$ 267 bilhões anuais.

Do ponto de vista do emprego, as projeções apontam para uma possível retração no número de vagas formais, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços. A hipótese considerada pelos estudos sugere que empresas, diante do aumento de custos, tenderiam a reduzir contratações, limitar jornadas extras e readequar estruturas operacionais, com impacto direto sobre trabalhadores de menor qualificação.

No campo macroeconômico, análises associadas ao Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas indicam que mudanças abruptas na jornada podem repercutir no Produto Interno Bruto (PIB), sobretudo em cenários de baixa produtividade. Há também preocupação com possíveis efeitos inflacionários, decorrentes do repasse de custos ao consumidor final, o que poderia pressionar índices de preços e dificultar o ambiente de redução de juros.

Segmentos específicos da economia também são apontados como mais sensíveis à alteração. No agronegócio e na indústria, a rigidez operacional e a dependência de escalas contínuas de trabalho podem elevar custos de produção. Já na construção civil, estudos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção indicam potencial impacto sobre o preço final de imóveis, com reflexos na oferta habitacional e no acesso ao crédito imobiliário.

O posicionamento do FEE-GO defende que o tema seja submetido a uma análise mais aprofundada, com base em dados empíricos e simulações econômicas, antes de qualquer deliberação definitiva. As entidades também argumentam que mudanças estruturais no regime de trabalho exigem compatibilização com ganhos de produtividade e adaptação setorial.

No âmbito legislativo, a discussão ganhou tração após a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do Brasil aprovar a admissibilidade de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da reformulação da jornada. O parecer reconhece a constitucionalidade da matéria, permitindo o avanço para uma comissão especial, onde serão debatidos aspectos técnicos, regras de transição e impactos socioeconômicos.

O texto em tramitação reúne iniciativas parlamentares que propõem desde a redução da carga semanal para 36 horas até modelos com quatro dias de trabalho por semana. Paralelamente, propostas do Executivo também indicam a possibilidade de estabelecer limites intermediários, como jornadas de 40 horas semanais com ampliação dos períodos de descanso.

O debate sobre a jornada de trabalho insere-se em um contexto mais amplo de transformação das relações produtivas, envolvendo temas como produtividade, competitividade e qualidade de vida. A divergência entre os agentes econômicos evidencia a complexidade da matéria, que demanda equilíbrio entre proteção social, sustentabilidade empresarial e eficiência econômica.

Tags: #Escala6x1, #JornadaDeTrabalho, #Economia, #Emprego, #Goiás, #FEEGO, #CNC, #CNI, #CNA, #PIB, #Inflação, #MercadoDeTrabalho

Marcus

Sobre nós Somos o portal de notícias referência em Goiás, dedicados exclusivamente a trazer as últimas informações e os fatos mais relevantes que impactam o nosso estado. Com uma equipe comprometida e apaixonada por Goiás, estamos sempre na linha de frente, capturando cada detalhe das ocorrências, eventos e novidades que fazem a diferença na vida dos goianos. Nosso compromisso é levar até você notícias com precisão, agilidade e responsabilidade, seja nas coberturas de última hora ou nas reportagens mais aprofundadas. Valorizamos o jornalismo ético e transparente, e nosso objetivo é manter você bem informado sobre tudo o que acontece em Goiás, de norte a sul. Conecte-se Conosco Para ficar sempre por dentro das nossas atualizações, siga-nos nas redes sociais e acompanhe o nosso conteúdo em tempo real. Basta clicar nos links abaixo e se juntar à nossa Rede: TikTok: https://tiktok.com/goianiaurgenteoficial Instagram: https://www.instagram.com/goianiaurgenteoficial Youtube: https://www.youtube.com/@goianiaurgente