Saneago é multada em R$ 2,6 milhões por paralisação de obras de água e esgoto em Goiânia
Penalidade foi aplicada após fiscalização apontar atraso superior a um ano em intervenções de infraestrutura; empresa afirma que revisão técnica do projeto motivou a suspensão temporária dos serviços.

A Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) foi multada em R$ 2,6 milhões em razão da paralisação, por mais de um ano, de obras de infraestrutura voltadas aos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Goiânia. A penalidade foi aplicada após fiscalizações identificarem o descumprimento dos prazos previstos para a execução dos serviços e os impactos provocados pela interrupção das intervenções em áreas da capital.
Segundo informações da administração municipal, a autuação decorre da constatação de que obras contratadas permaneceram interrompidas além do período previsto, comprometendo o cronograma de execução e gerando transtornos à população residente nas regiões afetadas.
Fiscalização apontou atraso e impactos urbanos
De acordo com a Prefeitura de Goiânia, os processos de fiscalização identificaram que a paralisação das obras ultrapassou um ano, contrariando os cronogramas operacionais estabelecidos. A demora na conclusão das intervenções também resultou em impactos sobre a infraestrutura urbana, especialmente em vias que permaneceram parcialmente comprometidas durante o período de execução.
A fiscalização integra o trabalho permanente desenvolvido pela Agência de Regulação de Goiânia (AR), responsável por acompanhar a prestação dos serviços públicos concedidos no município e verificar o cumprimento das obrigações contratuais assumidas pela concessionária.
Além da análise dos prazos, a agência também avalia as condições de recomposição da pavimentação, a segurança das intervenções e os reflexos das obras na mobilidade urbana.
Saneago afirma que obras estão próximas da conclusão
Em nota, a Saneago informou que as obras do Booster Vila Adélia e do Centro de Reservação Atlântico alcançaram aproximadamente 98% de execução.
Segundo a companhia, durante os primeiros testes operacionais foi identificada a necessidade de modificar a solução inicialmente prevista para uma travessia aérea da adutora. Conforme a empresa, foi constatada movimentação da tubulação, situação que exigiu uma revisão do projeto para garantir maior segurança operacional.
A concessionária explicou que, diante dessa necessidade técnica, o contrato foi temporariamente suspenso para elaboração de uma nova solução de engenharia.
Após os estudos, a empresa definiu a substituição da tubulação originalmente prevista por uma estrutura em aço carbono. Segundo a Saneago, a alteração busca aumentar a estabilidade da travessia, reduzir riscos operacionais e minimizar futuros impactos à população.
Multa é diferente das autuações por recapeamento
A penalidade referente à paralisação das obras ocorre paralelamente a outro processo de fiscalização conduzido pela Agência de Regulação de Goiânia envolvendo o recapeamento das vias após intervenções realizadas pela concessionária.
Em maio deste ano, a Prefeitura informou que a agência passou a aplicar multas à Saneago em razão de falhas na recomposição do pavimento após obras de manutenção e expansão das redes de água e esgoto.
Segundo a administração municipal, essas medidas foram adotadas após anos de acompanhamento técnico, notificações e concessão de prazos para correção das irregularidades observadas em diversos pontos da cidade.
Monitoramento das obras ocorre desde 2020
A Prefeitura informou que o acompanhamento das intervenções executadas pela Saneago é realizado desde 2020. Durante esse período, equipes técnicas passaram a avaliar a qualidade dos reparos realizados nas vias públicas após a abertura de valas para instalação ou manutenção das redes subterrâneas.
Conforme dados divulgados pela Agência de Regulação, a concessionária realizou 10.177 cortes no asfalto de Goiânia ao longo de 2025. Entre janeiro e abril deste ano, foram contabilizadas 3.980 intervenções viárias relacionadas aos serviços executados pela companhia.
Essas fiscalizações verificam, entre outros aspectos, a qualidade da recomposição do pavimento, a durabilidade dos reparos e o cumprimento dos prazos estabelecidos para a recuperação das vias.
Fiscalização foi ampliada nos últimos anos
A Prefeitura destaca que, a partir de 2023, intensificou o monitoramento das obras por meio da capacitação das equipes técnicas, revisão dos protocolos de fiscalização e ampliação do diálogo institucional com a concessionária.
Segundo o município, novos procedimentos passaram a permitir maior controle sobre obras que permaneciam inacabadas, reparos executados fora dos padrões técnicos e pavimentos que voltavam a apresentar defeitos poucos dias após a conclusão dos serviços.
A administração municipal afirma que o objetivo das medidas é reduzir os impactos das intervenções urbanas, garantir maior qualidade na recomposição das vias e assegurar o cumprimento das obrigações assumidas pela concessionária durante a execução das obras de saneamento.
Enquanto a multa administrativa segue aplicada, a Saneago sustenta que os empreendimentos estão em fase final de conclusão e que as alterações promovidas decorreram exclusivamente da necessidade de adequações técnicas identificadas durante a execução dos projetos.
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