Sandro Mabel presta contas na Câmara e destaca superávit de R$ 264 milhões e alta histórica nos investimentos
Prefeito apresentou balanço fiscal do primeiro quadrimestre de 2026, detalhou crescimento da arrecadação, expansão dos investimentos em infraestrutura e respondeu a questionamentos sobre saúde, Comurg, Limpa Gyn e o futuro do Imas.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), apresentou nesta segunda-feira (6), durante audiência na Comissão Mista da Câmara Municipal, o balanço das contas públicas referentes ao primeiro quadrimestre de 2026. A prestação de contas, acompanhada pela vice-prefeita tenente-coronel Cláudia Silva Lira e por secretários municipais, destacou o desempenho fiscal da administração, os investimentos em infraestrutura e os principais desafios enfrentados pelo município.
De acordo com os dados oficiais apresentados, a Prefeitura arrecadou R$ 3,758 bilhões entre janeiro e abril deste ano, registrando crescimento real de 2,9% em comparação ao mesmo período de 2025, já descontada a inflação medida pelo IPCA. No mesmo intervalo, as despesas somaram R$ 3,334 bilhões, refletindo aumento real de 13,77%, impulsionado principalmente pela ampliação dos investimentos públicos e pela execução de obras estruturantes.
Mesmo com o crescimento dos gastos, o município encerrou o período com resultado primário positivo de R$ 264,04 milhões, indicador considerado relevante para demonstrar equilíbrio das contas públicas antes do pagamento dos encargos da dívida.
Na área da saúde, a administração informou que destinou 15,38% da receita, percentual superior ao mínimo constitucional de 15%. Já os investimentos em educação atingiram 16,4%, índice ainda abaixo do piso constitucional de 25%, situação que deverá ser ajustada ao longo do exercício financeiro para cumprimento da legislação.
Outro dado apresentado foi o comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com despesas de pessoal, atualmente em 46,28%, percentual ainda abaixo do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O prefeito alertou, entretanto, que a concessão da data-base dos servidores e a revisão dos planos de carreira poderão aproximar o município do limite de alerta previsto na legislação fiscal.
Durante a audiência, Sandro Mabel destacou o expressivo crescimento dos investimentos públicos, que, segundo a administração municipal, aumentaram 719,39% em relação ao primeiro quadrimestre do ano anterior. O prefeito atribuiu esse desempenho à aceleração das obras de infraestrutura, especialmente os programas de pavimentação e mobilidade urbana financiados por recursos previamente contratados e complementados pela atual gestão.
Entre as principais intervenções citadas estão a recuperação e ampliação da malha viária, incluindo novos trechos da Avenida T-63, a construção de aproximadamente 60 pontes, reformas e ampliações de oito Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), obras em cerca de 20 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e investimentos na modernização da rede municipal de ensino, com aquisição de equipamentos tecnológicos, como lousas digitais e tablets.
O balanço também foi marcado por questionamentos dos vereadores. O vereador Coronel Urzêda (PL) pediu esclarecimentos sobre o aumento expressivo dos investimentos, enquanto a vereadora Aava Santiago (PSB) questionou a existência de eventual sobreposição de serviços entre a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e o Consórcio Limpa Gyn.
Em resposta, o prefeito afirmou que não houve duplicidade de pagamentos, explicando que alguns serviços previstos contratualmente não chegaram a ser executados, motivo pelo qual não foram remunerados. Segundo Mabel, a eventual rescisão do contrato com o consórcio poderia comprometer significativamente a prestação dos serviços de limpeza urbana na capital.
Outro tema abordado foi a situação financeira e operacional do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas). O prefeito afirmou que a administração estuda uma ampla reestruturação da autarquia e não descartou sua extinção caso o modelo atual continue apresentando dificuldades. Segundo ele, uma das alternativas em análise seria substituir o sistema próprio pela contratação de um plano de saúde consolidado no mercado, desde que haja respaldo técnico, financeiro e legal para a mudança.
A prestação de contas integra a obrigação prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina aos chefes do Poder Executivo a apresentação periódica dos resultados fiscais, permitindo o acompanhamento da execução orçamentária pelo Poder Legislativo e pela sociedade.
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