Prefeitura corre para evitar greve e envia reajuste de 5,4% para servidores da Educação, em Goiânia
Projeto encaminhado à Câmara prevê aumento salarial e reajuste de benefícios após pressão da categoria e decisão judicial que obrigou manutenção mínima das atividades nas escolas municipais

A Prefeitura de Goiânia encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que prevê reajuste de 5,4% nos salários e benefícios dos servidores da rede municipal de Educação. A proposta foi enviada pelo prefeito em exercício, Anselmo Pereira, em meio à crise provocada pela mobilização dos trabalhadores da educação e às negociações para evitar impactos maiores na rede pública de ensino.
O reajuste terá efeito retroativo a 1º de maio de 2026 e acompanha a atualização do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério Público da Educação Básica. Além dos vencimentos, o texto também prevê aumento no mesmo percentual para benefícios como Gratificação de Regência de Classe, Auxílio Locomoção e Gratificação por Atividades de Pesquisa, Capacitação e Técnico-Educacionais Especializadas.
O envio do projeto ocorre em um cenário de forte tensão entre o Paço Municipal e os profissionais da educação. A categoria aprovou paralisação reivindicando cumprimento integral do piso nacional, pagamento de progressões atrasadas, reestruturação do plano de carreira dos servidores administrativos e melhorias nas condições de trabalho nas unidades escolares.
A medida da prefeitura foi anunciada logo após decisão liminar do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), que determinou a manutenção de pelo menos 70% dos servidores em atividade durante a greve prevista para começar nesta terça-feira (12). A decisão foi assinada pelo desembargador Maurício Porfírio Rosa, após ação movida pela administração municipal.
Na avaliação do magistrado, embora o direito de greve seja garantido constitucionalmente, a paralisação não pode comprometer serviços considerados essenciais, principalmente a educação infantil e a alimentação escolar. O tribunal também entendeu que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) não apresentou um plano operacional detalhado para garantir o funcionamento mínimo da rede durante o movimento.
A Justiça rejeitou, porém, o pedido da prefeitura para suspender integralmente a greve, reconhecendo que as negociações entre o município e os servidores ainda permanecem em andamento.
Nos bastidores, o reajuste encaminhado pela prefeitura é interpretado como uma tentativa de reduzir o desgaste político diante da pressão crescente da categoria e do risco de ampliação da paralisação nas escolas municipais. Apesar do anúncio, setores do funcionalismo afirmam que o percentual ainda não atende integralmente às reivindicações acumuladas ao longo dos últimos anos.
Dados apresentados pela própria prefeitura apontam que a rede municipal recebeu investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões em 2025, sendo cerca de R$ 1,7 bilhão destinados à folha de pagamento da Educação. Mesmo assim, sindicatos e profissionais relatam defasagem salarial, sobrecarga de trabalho e problemas estruturais em unidades de ensino da capital.
O projeto agora será analisado pelos vereadores da Câmara de Goiânia. A expectativa é que a tramitação ocorra em caráter prioritário devido ao risco de agravamento da crise na educação municipal.
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