Prédio abandonado no Centro de Goiânia será transformado em moradia para 52 famílias e reforça estratégia de revitalização urbana
Imóvel desocupado há mais de uma década passará por ampla requalificação para abrigar famílias de baixa renda, unindo habitação social, recuperação do patrimônio urbano e ocupação sustentável da região central

Um edifício que permaneceu fechado e sem utilização por mais de dez anos no Centro de Goiânia está prestes a ganhar uma nova função social. O Residencial Altino Alves Teixeira será transformado em moradia para 52 famílias de baixa renda por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, iniciativa que busca aproveitar imóveis ociosos em áreas urbanas consolidadas e reduzir o déficit habitacional.
Com 11 pavimentos, o prédio passará por uma ampla reforma estrutural e arquitetônica para receber apartamentos de um e dois quartos, além de espaços destinados à convivência comunitária. O projeto prevê a implantação de brinquedoteca, biblioteca, salão de festas e áreas de uso coletivo, promovendo não apenas moradia, mas também integração social e qualidade de vida aos futuros moradores.
O investimento estimado é de R$ 10,9 milhões, com financiamento da Caixa Econômica Federal. A previsão é de que as obras sejam iniciadas nas próximas semanas, com prazo de execução de aproximadamente 18 meses.
Considerado um marco para a política habitacional em Goiás, o empreendimento será o primeiro do estado desenvolvido dentro da modalidade federal voltada à recuperação de imóveis abandonados para fins residenciais. O prédio pertencia à União e foi destinado ao Movimento pela Reforma Urbana do Estado de Goiás (MRU-GO), entidade responsável pela condução do projeto após seleção nacional.
As famílias beneficiadas já foram selecionadas conforme critérios estabelecidos pelo programa habitacional federal. Entre as exigências estão renda familiar de até dois salários mínimos e a inexistência de outro imóvel em nome dos contemplados. O objetivo é garantir acesso à moradia digna para grupos em situação de vulnerabilidade social e econômica.
Além da função habitacional, o empreendimento também foi planejado para garantir sustentabilidade financeira. Duas salas comerciais localizadas no térreo serão disponibilizadas para locação, gerando receita destinada ao custeio das despesas condominiais e à manutenção do edifício.
Especialistas em planejamento urbano apontam que iniciativas desse perfil têm potencial para enfrentar simultaneamente dois desafios recorrentes das grandes cidades brasileiras: o elevado número de imóveis vazios em áreas centrais e a demanda crescente por habitação de interesse social. A reutilização de estruturas já existentes reduz custos de expansão urbana, fortalece a ocupação de regiões dotadas de infraestrutura e contribui para a valorização do espaço público.
O projeto também se conecta a uma estratégia mais ampla de reocupação do Centro de Goiânia. Entre as ações em andamento está o programa municipal Morar no Centro, que prevê subsídio ao aluguel para famílias interessadas em residir na região central da capital. A iniciativa busca estimular a ocupação de imóveis fechados, aumentar a população residente e impulsionar a atividade econômica local.
A proposta integra um conjunto de políticas voltadas à requalificação urbana, recuperação de edificações subutilizadas e fortalecimento da função social da cidade. A expectativa é que a chegada de novos moradores amplie a circulação de pessoas, fortaleça o comércio local e contribua para a revitalização de uma das áreas mais tradicionais de Goiânia.
Ao transformar um imóvel abandonado em moradia permanente para dezenas de famílias, o projeto representa uma nova etapa na discussão sobre habitação social, desenvolvimento urbano e recuperação de espaços ociosos, consolidando uma tendência cada vez mais adotada em centros urbanos brasileiros.
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