Pedágio da BR-153 sobe 9,2% em Goiás desde 2022
Motoristas passaram a pagar R$ 67,70 para atravessar as cinco praças entre Anápolis e a divisa com Tocantins; no percurso completo até Aliança, valor chega a R$ 89,60 por sentido

O custo para atravessar de carro o trecho da BR-153 entre Anápolis e a divisa de Goiás com Tocantins aumentou 9,2% desde o início da cobrança de pedágio, em outubro de 2022. A soma das cinco praças instaladas em território goiano passou de R$ 62 para R$ 67,70 por sentido, uma diferença de R$ 5,70. Em uma viagem de ida e volta, o gasto subiu de R$ 124 para R$ 135,40.
Os valores consideram as tarifas integrais atualmente vigentes em setembro de 2026 e mostram a evolução da cobrança desde que o sistema começou a operar no trecho administrado pela Ecovias do Araguaia. A concessão inclui 624,1 quilômetros da BR-153 entre Anápolis e Aliança do Tocantins, além de trechos das BRs-080 e 414.
A diferença ganha proporção maior para quem percorre a rodovia com frequência ou trabalha com transporte de cargas, já que o valor do pedágio é multiplicado conforme o número de eixos do veículo.
Cinco praças ficam em Goiás
No território goiano, as cinco praças de pedágio da BR-153 estão localizadas em Jaraguá, Hidrolina, Campinorte, Estrela do Norte e Porangatu.
Para automóveis, as tarifas atuais são de R$ 15,60 em Jaraguá, R$ 14,30 em Hidrolina, R$ 14,30 em Campinorte, R$ 11,50 em Estrela do Norte e R$ 12 em Porangatu. Somadas, elas representam os R$ 67,70 cobrados atualmente no percurso.
Quando a cobrança começou, em 3 de outubro de 2022, os mesmos cinco pontos custavam R$ 14,20, R$ 13,10, R$ 13,10, R$ 10,60 e R$ 11, respectivamente. A soma chegava a R$ 62.
A diferença acumulada, portanto, é de R$ 5,70 por passagem completa pelo conjunto das praças goianas.
Para quem faz o percurso nos dois sentidos, a diferença chega a R$ 11,40 por viagem de ida e volta.
Até Tocantins, gasto chega a R$ 89,60
O custo aumenta para quem segue pela BR-153 até Aliança do Tocantins, porque o percurso inclui outras duas praças de pedágio já fora de Goiás, em Alvorada e Aliança.
Com as sete praças, o motorista de automóvel desembolsa atualmente R$ 89,60 por sentido. Em outubro de 2022, a mesma viagem custava R$ 81,70.
O aumento acumulado é de R$ 7,90, equivalente a 9,7%.
Para uma viagem completa de ida e volta entre Anápolis e Aliança do Tocantins, o custo passou de R$ 163,40 para R$ 179,20, uma diferença de R$ 15,80.
A comparação considera as tarifas integrais, sem eventuais descontos ou condições específicas aplicáveis a determinados usuários.
Caminhões sentem impacto maior
O peso financeiro do pedágio aumenta consideravelmente para veículos de carga. Isso ocorre porque o sistema tarifário utiliza multiplicadores vinculados ao número de eixos.
No percurso completo entre Anápolis e Aliança do Tocantins, uma carreta de seis eixos pagava R$ 490,20 por sentido no início da cobrança. Atualmente, o mesmo conjunto paga R$ 537,60.
Em uma viagem de ida e volta, a despesa passou de R$ 980,40 para R$ 1.075,20. A diferença chega a R$ 94,80 por viagem completa.
Em operações frequentes, o efeito acumulado se torna ainda mais significativo. Considerando 20 viagens de ida e volta no mesmo percurso ao longo de um mês, a diferença em relação à tarifa inicial chega a R$ 1.896.
O impacto não fica restrito ao orçamento da transportadora. O pedágio integra, juntamente com combustível, manutenção, pneus, mão de obra e outros componentes, a estrutura de custos do transporte rodoviário. Em determinadas operações, esses custos podem influenciar a formação do preço do frete e, consequentemente, o transporte de mercadorias.
Aumento ficou abaixo da inflação
Embora o pedágio esteja mais caro do que no início da concessão, a evolução nominal das tarifas ficou abaixo da inflação acumulada no período analisado.
Considerando o IPCA a partir de outubro de 2022, os índices anuais de 2023, 2024 e 2025 e o acumulado até julho de 2026, a inflação chega a aproximadamente 20,2%.
No mesmo intervalo, a tarifa acumulada nas cinco praças de Goiás para automóveis aumentou 9,2%. No percurso com as sete praças entre Anápolis e Aliança do Tocantins, a alta foi de 9,7%.
Isso significa que o reajuste nominal do pedágio ficou abaixo da variação geral de preços medida pelo IPCA. A comparação, porém, não elimina o impacto da cobrança para motoristas e empresas que utilizam a BR-153 regularmente, especialmente em viagens repetidas.
Reajuste não depende apenas da inflação
A definição das tarifas de pedágio é regulada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e segue as regras estabelecidas no contrato de concessão.
Os reajustes não correspondem necessariamente à simples aplicação do IPCA sobre o valor anterior. O contrato prevê revisões tarifárias e mecanismos destinados a preservar o equilíbrio econômico-financeiro da concessão.
Na revisão que entrou em vigor em 3 de outubro de 2025, por exemplo, a ANTT aplicou mecanismos contratuais além da atualização inflacionária para chegar aos valores da tabela atualmente utilizada.
A própria ANTT estabelece, nos contratos de concessão rodoviária, revisões e reajustes como instrumentos para adequar as tarifas às condições previstas contratualmente e preservar a prestação dos serviços.
Concessão começou em 2021
A Ecovias do Araguaia assumiu a concessão do sistema em 8 de outubro de 2021. O contrato tem duração de 35 anos e contempla 850,7 quilômetros das BRs-153, 080 e 414 em Goiás e Tocantins.
Dentro desse conjunto, são 624,1 quilômetros da BR-153 entre Anápolis e Aliança do Tocantins.
A cobrança nas praças da concessão começou em 3 de outubro de 2022, quase um ano depois da entrada da concessionária na operação do sistema.
A concessão prevê a operação e manutenção do trecho, com obrigações relacionadas à infraestrutura e aos serviços oferecidos aos usuários. A cobrança do pedágio é parte do modelo econômico utilizado para financiar a exploração da rodovia conforme as regras do contrato.
Próximo reajuste tem data prevista
A tarifa da BR-153 possui 3 de outubro como data anual de reajuste. Até 7 de setembro de 2026, a ANTT mantinha publicada a tabela que entrou em vigor em outubro de 2025.
Uma eventual alteração para o próximo ciclo depende da definição regulatória da agência. Portanto, os valores atualmente praticados podem mudar a partir do novo ciclo tarifário, conforme a decisão da ANTT.
Para o motorista que utiliza a BR-153 ocasionalmente, a diferença acumulada desde 2022 representa alguns reais por passagem. Para quem percorre o corredor rodoviário com frequência, especialmente no transporte de cargas, o efeito é multiplicado pelo número de viagens e pelo número de eixos do veículo.
A evolução das tarifas mostra, assim, que o custo de utilização da BR-153 aumentou desde o início da cobrança, mas em ritmo inferior à inflação acumulada no período. O próximo ciclo de revisão deverá definir se haverá nova alteração nos valores cobrados dos usuários a partir de outubro.
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