Justiça condena homem a 14 anos de prisão por assassinato de mulher trans, em Anápolis
Tribunal do Júri reconhece autoria do crime e fixa indenização de R$ 150 mil à família da vítima; caso teve ampla repercussão no município

O Tribunal do Júri de Anápolis condenou Valdizio Neto dos Santos Almeida a 14 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da mulher trans Samylla Alves Guimarães, de 27 anos. A decisão representa um desfecho judicial importante para um caso que provocou forte repercussão social e mobilizou órgãos de segurança pública e familiares da vítima desde a descoberta do crime, em julho de 2025.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram a autoria e a materialidade do homicídio, acolhendo a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima. A tese de negativa de autoria sustentada pela defesa foi rejeitada pelo Conselho de Sentença.
De acordo com os autos do processo, a investigação apontou que Samylla manteve contato com o acusado antes do encontro que antecedeu sua morte. Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que a vítima entrou no veículo conduzido por Valdizio, elemento que se tornou uma das principais provas analisadas durante a apuração policial.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Goiás, Samylla foi levada para uma área isolada nas proximidades da zona rural de Anápolis, onde foi morta por disparos de arma de fogo. O corpo foi encontrado em uma estrada vicinal, em uma região de difícil acesso, circunstância considerada relevante para a configuração da qualificadora acolhida pelo júri.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil reuniram provas periciais, depoimentos de testemunhas e registros de monitoramento que permitiram identificar a movimentação do suspeito. Testemunhos colhidos durante a apuração relataram sons semelhantes a disparos na região onde o crime ocorreu, além da saída de um veículo em alta velocidade logo após os fatos.
A partir da identificação do automóvel e do cruzamento de informações obtidas durante as diligências, os investigadores localizaram o acusado. Vestígios periciais encontrados durante a investigação também contribuíram para fortalecer o conjunto probatório apresentado ao Judiciário.
Embora a autoria tenha sido reconhecida pelo Tribunal do Júri, a motivação do crime não foi plenamente esclarecida ao longo da instrução processual. Durante a investigação, hipóteses relacionadas à atividade exercida pela vítima e a publicações feitas em redes sociais chegaram a ser analisadas, mas, segundo a Polícia Civil, não foram encontrados elementos capazes de vincular o condenado a eventuais exposições realizadas por Samylla.
Além da pena privativa de liberdade, a sentença determinou o pagamento de R$ 150 mil por danos morais aos familiares da vítima, reconhecendo os impactos causados pelo crime.
Para o Ministério Público, a condenação reforça a responsabilização penal do autor e representa uma resposta do sistema de Justiça diante de um homicídio que gerou grande repercussão em Anápolis e em todo o estado de Goiás.
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