Ônibus ficam até 20 minutos mais rápidos em corredor de Goiânia
Metronização reduz paradas nos semáforos, aumenta velocidade média dos coletivos e será ampliada para outros corredores da capital

Passageiros que utilizam o BRT Leste-Oeste, em Goiânia, passaram a enfrentar viagens mais rápidas após a implantação de um sistema de sincronização semafórica que dá prioridade à circulação dos ônibus. Segundo dados apresentados pela Prefeitura de Goiânia, a mudança reduziu em até 20 minutos o tempo de deslocamento em determinados trechos e elevou a velocidade média dos coletivos de cerca de 16 km/h para mais de 21 km/h.
A tecnologia, chamada de metronização pela administração municipal, foi aplicada no corredor entre os terminais Novo Mundo e Padre Pelágio. O percurso tem aproximadamente 14 quilômetros e, antes da alteração na operação dos semáforos, os ônibus podiam encontrar até 30 pontos de parada ao longo do trajeto. Com a nova configuração, a Prefeitura informa que esse número caiu para, no máximo, oito.
A diferença não está apenas no número de paradas. Conforme os indicadores divulgados pela gestão municipal, os ônibus anteriormente encontravam sinal vermelho em cerca de 52% dos cruzamentos. Com a coordenação dos semáforos, aproximadamente 90% das passagens passaram a ocorrer com sinal verde.
Como funciona a metronização
O sistema utiliza equipamentos instalados nos veículos e na infraestrutura viária para identificar a aproximação dos ônibus e coordenar a sinalização dos cruzamentos. As informações são encaminhadas a uma central de controle, que acompanha as condições do tráfego e ajusta os tempos dos semáforos.
Na prática, a proposta é reduzir interrupções desnecessárias durante o deslocamento dos coletivos. Em vez de o ônibus precisar parar sucessivamente a cada cruzamento, a sinalização é coordenada para favorecer a continuidade da viagem dentro dos parâmetros estabelecidos para a operação.
A Prefeitura também afirma utilizar recursos de inteligência artificial no gerenciamento do tráfego. A ferramenta, segundo a administração, auxilia na análise das condições de circulação para ajustar o funcionamento dos semáforos.
O efeito esperado é uma operação mais regular, com menor tempo gasto entre as estações e terminais. Para o passageiro, isso representa não apenas uma viagem potencialmente mais curta, mas também maior previsibilidade no deslocamento.
Trecho do BRT Leste-Oeste registra redução de paradas
Um dos exemplos apresentados pela Prefeitura envolve o trajeto entre o Terminal Novo Mundo e a Praça da Bíblia. Nesse trecho existem nove cruzamentos, e os ônibus chegavam a parar em até seis semáforos. Com a nova configuração, a administração municipal informa que a parada passou a ocorrer, no máximo, uma vez.
No percurso completo entre o Novo Mundo e o Terminal Padre Pelágio, a redução também foi expressiva, de acordo com os dados divulgados pelo município: de até 30 interrupções para um limite de oito.
A velocidade média dos ônibus passou de aproximadamente 16 km/h para mais de 21 km/h. O aumento supera 30%, segundo os números apresentados pela Prefeitura.
Em agosto, a administração municipal informou ter concluído os cinco quilômetros finais da implantação no BRT Leste-Oeste. Com essa etapa, Goiânia passou a contar com 18 quilômetros de corredores equipados com a tecnologia.
A fase mais recente envolveu a adaptação de 22 semáforos. Também foram instalados nobreaks nos cruzamentos, equipamentos destinados a manter o funcionamento da estrutura em situações de interrupção no fornecimento de energia.
Sistema deve avançar para o Eixo Norte-Sul
A Prefeitura de Goiânia planeja levar a tecnologia para outros corredores de transporte coletivo. O próximo trecho previsto é o Eixo Norte-Sul, com expectativa de início da operação em setembro.
A meta anunciada pela administração municipal é chegar gradualmente a 240 quilômetros de vias com o sistema de coordenação semafórica.
A expansão representa uma estratégia de melhoria da velocidade operacional dos ônibus sem depender exclusivamente da construção de novos corredores ou de grandes intervenções físicas na malha viária. A proposta é utilizar tecnologia de controle do tráfego para aumentar a eficiência de uma infraestrutura que já existe.
O cronograma, entretanto, depende da implantação dos equipamentos e da configuração operacional de cada corredor.
Viagens mais rápidas podem aumentar produtividade da frota
A redução do tempo de percurso produz outro efeito relevante para o transporte coletivo: o mesmo ônibus pode completar mais viagens ao longo do dia.
Isso ocorre porque, com trajetos mais rápidos, o veículo retorna ao ponto de origem em menos tempo e pode ser novamente colocado em circulação. Em determinadas condições, esse ganho de produtividade pode contribuir para melhorar a oferta de viagens e reduzir intervalos entre os coletivos.
A lógica é especialmente importante em corredores de alta demanda, nos quais pequenas reduções no tempo de cada viagem podem produzir efeitos acumulados durante todo o período de operação.
A Prefeitura também prevê a instalação de um velocímetro de orientação para os motoristas. O equipamento deverá indicar a velocidade adequada para que o ônibus acompanhe a programação dos semáforos e atravesse os cruzamentos durante as fases favoráveis.
A ferramenta busca reduzir situações em que o motorista acelera para alcançar um sinal verde e, logo depois, encontra outro cruzamento fechado. A intenção é tornar o deslocamento mais contínuo e previsível.
Tecnologia chama atenção fora de Goiânia
A experiência implantada na capital goiana também passou a ser observada por representantes estrangeiros. Uma comitiva de Portugal esteve em Goiânia para conhecer o funcionamento do modelo e os recursos utilizados na coordenação do trânsito e do transporte coletivo.
O interesse está relacionado à tentativa de melhorar a circulação dos ônibus por meio do gerenciamento inteligente dos semáforos, uma alternativa que pode ser aplicada em sistemas urbanos nos quais a velocidade dos coletivos é prejudicada por sucessivas interrupções nos cruzamentos.
Para Goiânia, a expansão prevista para até 240 quilômetros representa uma mudança de escala. A eficiência do sistema, porém, dependerá da integração entre a tecnologia semafórica, a operação dos ônibus e as condições reais do trânsito em cada corredor.
Por enquanto, os resultados apresentados pela Prefeitura no BRT Leste-Oeste indicam redução expressiva no número de paradas e aumento da velocidade média dos coletivos. A próxima etapa será verificar se os ganhos obtidos nesse corredor podem ser reproduzidos em outras regiões da capital.
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