Novo laudo recomenda corte de duas gameleiras na Praça da Cirrose, em Goiânia

Avaliação assinada por sete técnicos da Amma aponta necessidade de remoção de dois exemplares e acompanhamento das outras duas árvores; caso divide moradores, comerciantes e grupos ambientalistas
(Wildes Barbosa / O Popular)

Um novo laudo da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) voltou a recomendar a retirada de parte das quatro gameleiras existentes na Praça Mestre Maria Henriqueta Péclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste, em Goiânia. O documento, assinado em 20 de agosto, indica o corte de duas árvores e determina que as outras duas sejam submetidas a poda e permaneçam sob acompanhamento técnico.

A nova avaliação reacendeu uma discussão que se arrasta há anos na capital: como conciliar a preservação de árvores de grande porte e valor paisagístico com a segurança de pessoas que circulam por áreas públicas. A situação ganhou maior atenção porque avaliações anteriores apresentaram conclusões diferentes sobre as mesmas árvores.

Segundo a Amma, a vistoria mais recente foi realizada por sete técnicos, em uma tentativa de ampliar a avaliação diante das divergências registradas anteriormente. O órgão também informou que a decisão levou em consideração a queda de um galho ocorrida depois da segunda vistoria, em abril, quando um homem que passava pelo local teria ficado próximo de ser atingido.

Três avaliações chegaram a conclusões diferentes

O histórico das gameleiras mostra uma mudança nas recomendações técnicas ao longo do tempo.

O primeiro laudo mencionado no caso foi elaborado em novembro de 2024, após uma solicitação para retirada das árvores. Na ocasião, a avaliação apontou problemas como necrose, restrição de área permeável e risco associado à queda. A recomendação era retirar dois exemplares e realizar poda nas demais árvores.

A remoção, entretanto, não foi executada pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).

Uma nova solicitação feita posteriormente levou à segunda vistoria, realizada em 7 de abril deste ano. Nesse documento, a avaliação foi diferente: as árvores foram consideradas estruturalmente equilibradas e estáveis, dentro de condições consideradas regulares. A recomendação passou a ser de poda de limpeza, redução da copa e retirada de galhos, sem indicação de corte naquele momento.

A situação mudou novamente em agosto, quando uma terceira avaliação foi realizada. Desta vez, a análise contou com sete profissionais da Amma e voltou a indicar a necessidade de retirada de dois exemplares.

Para a presidente da agência, Zilma Percussor Campos Peixoto, a participação de uma equipe maior buscou justamente reduzir a possibilidade de interpretações divergentes entre avaliações individuais.

Incêndio agravou condição das árvores, segundo a Amma

A Amma relaciona parte do processo de deterioração das gameleiras a um incêndio ocorrido em 2020. Segundo o órgão, duas das quatro árvores foram atingidas pelas chamas durante o episódio, que teria durado cerca de três dias até ser controlado pelo Corpo de Bombeiros.

De acordo com a presidente da agência, o fogo provocou danos internos que teriam contribuído para o avanço da deterioração dos exemplares ao longo dos anos. A avaliação apresentada pela Amma considera ainda a presença de cavidades e organismos associados ao processo de degradação da madeira.

As árvores têm aproximadamente 68 anos, segundo as informações apresentadas no caso, e estão inseridas em uma área urbana com circulação de pedestres, estabelecimentos comerciais e veículos.

A idade e a dimensão dos exemplares são justamente alguns dos fatores que tornam a discussão mais sensível. Para moradores e grupos ambientalistas, as gameleiras fazem parte da paisagem e da memória do Setor Oeste. Para os responsáveis pela avaliação ambiental, entretanto, a análise de risco precisa considerar não apenas o valor paisagístico da árvore, mas também a possibilidade de queda de troncos ou galhos sobre pessoas e estruturas.

Saúde da árvore não é o único fator analisado

O engenheiro florestal e mestre em conservação Fábio Miguel da Silva Borges, presidente da Associação Goiana de Engenheiros Florestais (Agef), afirma que não teve acesso aos três laudos e, por isso, não apresenta uma conclusão específica sobre as gameleiras da Praça da Cirrose.

O especialista explica, porém, que a avaliação de uma árvore em ambiente urbano não deve considerar apenas se o exemplar está vivo ou apresenta sinais de doença. A análise de risco também envolve fatores como idade, espécie, dimensões, estrutura, solo, raízes, condições do entorno e possibilidade de atingir pessoas ou imóveis em caso de queda.

Segundo ele, uma árvore pode apresentar boas condições fisiológicas e, ainda assim, representar risco estrutural. O conceito de incompatibilidade bioespacial também é relevante na arborização urbana: determinadas espécies podem atingir dimensões incompatíveis com o espaço disponível para seu desenvolvimento.

Por isso, a decisão sobre manutenção ou retirada de uma árvore de grande porte em área pública exige avaliação técnica que considere o conjunto das circunstâncias, e não apenas a aparência externa do exemplar.

Moradores e comerciantes estão divididos

A possibilidade de corte provocou posições diferentes entre pessoas que vivem ou trabalham no entorno da praça.

O comerciante Marcos Antonio Matheus, que solicitou avaliações sobre as árvores, defende a retirada dos exemplares apontados como de risco. Segundo ele, a queda de galhos já teria causado prejuízos e representa preocupação para quem circula pela calçada e utiliza os estabelecimentos próximos.

Entre os moradores, porém, há quem defenda a permanência das gameleiras. Denise Martins, que vive em frente às árvores há 17 anos, considera que a retirada dos exemplares representaria uma perda para a região e defende a realização de podas periódicas como alternativa de manejo.

Outro comerciante do entorno, Gustavo Antunes, também se posicionou contra o corte. Ele reconhece que as árvores provocam sujeira em determinados períodos, especialmente durante as chuvas, mas afirma que a presença das gameleiras contribui para o ambiente e para a movimentação dos estabelecimentos próximos.

A divergência evidencia um problema recorrente na arborização urbana: árvores antigas podem desempenhar funções ambientais e sociais importantes, ao mesmo tempo em que exigem manejo permanente e avaliação de risco.

Caso ganhou repercussão política e ambiental

A discussão também ganhou espaço nas redes sociais depois que o vereador Tião Peixoto (PSDB) passou a defender a retirada das árvores e solicitou providências junto à administração municipal.

Paralelamente, grupos ligados à defesa da arborização urbana passaram a questionar a necessidade do corte. Goiânia Verde e Alameda SOS anunciaram uma manifestação na Praça da Cirrose para este domingo (30), com o objetivo de defender a preservação das gameleiras e chamar atenção para a arborização da capital.

Os grupos sustentam que árvores antigas devem ser preservadas sempre que houver condições técnicas para isso e defendem alternativas ao corte.

A posição contrária à retirada, porém, não elimina a necessidade de avaliação de segurança. Em situações de risco estrutural, a decisão precisa considerar tanto a preservação ambiental quanto a proteção da população que utiliza o espaço público.

Amma diz que corte não é a primeira opção

A presidente da Amma afirma que o órgão não tem como objetivo retirar árvores de forma indiscriminada e que a remoção deve ocorrer quando as alternativas de manejo não forem suficientes para eliminar o risco identificado tecnicamente.

A própria existência de recomendações diferentes ao longo do tempo demonstra a complexidade do caso. A primeira vistoria apontou a necessidade de retirada de dois exemplares; a segunda recomendou apenas poda e acompanhamento; e a terceira, feita por uma equipe maior, voltou a indicar o corte de duas árvores.

Nesse cenário, a decisão não se resume à idade ou ao tamanho das gameleiras. O ponto central é determinar se os exemplares podem permanecer no local com segurança mediante poda, monitoramento e outras medidas de manejo ou se a remoção se torna necessária diante do risco identificado.

Como funciona a autorização para poda ou corte

De acordo com a Amma, pedidos de poda ou retirada de árvores em Goiânia podem ser protocolados por meio do sistema eletrônico da Prefeitura. Após a solicitação, uma equipe técnica realiza vistoria para verificar as condições do exemplar e definir se existe justificativa para intervenção.

Quando o corte ou a poda são autorizados, o laudo possui prazo de validade de 90 dias e é encaminhado à Comurg, responsável pela execução do serviço.

No caso específico das gameleiras da Praça da Cirrose, a data para eventual retirada não havia sido informada pela Comurg no momento do fechamento da apuração apresentada no material de referência. O vereador Tião Peixoto também foi procurado, mas não havia respondido até aquele momento.

Uma decisão que ultrapassa a discussão sobre quatro árvores

O caso das gameleiras da Praça da Cirrose ganhou dimensão maior porque reúne questões que se repetem em diferentes pontos de Goiânia: segurança urbana, preservação ambiental, manutenção da arborização e ocupação de espaços públicos.

A definição sobre o destino das árvores deverá considerar os laudos técnicos, as condições de cada exemplar e os riscos associados à permanência das estruturas no local. Ao mesmo tempo, a mobilização de moradores e ambientalistas mostra que árvores antigas possuem valor que vai além da função paisagística, integrando a memória e a identidade de determinadas regiões da cidade.

A discussão, portanto, não envolve apenas cortar ou preservar. O desafio é estabelecer, com base técnica e transparência, quais medidas permitem manter a arborização urbana sem colocar em risco quem vive, trabalha ou circula pela Praça da Cirrose.

Tags: #Goiânia, #Goiás, #PraçaDaCirrose, #SetorOeste, #Gameleiras, #ArborizaçãoUrbana, #MeioAmbiente, #Amma, #PrefeituraDeGoiânia, #Comurg, #Árvores, #PreservaçãoAmbiental, #SegurançaUrbana, #MeioAmbienteGoiânia, #Arborização, #PraçasDeGoiânia, #DefesaAmbiental, #GoiâniaVerde, #TiãoPeixoto

Marcus

Sobre nós Somos o portal de notícias referência em Goiás, dedicados exclusivamente a trazer as últimas informações e os fatos mais relevantes que impactam o nosso estado. Com uma equipe comprometida e apaixonada por Goiás, estamos sempre na linha de frente, capturando cada detalhe das ocorrências, eventos e novidades que fazem a diferença na vida dos goianos. Nosso compromisso é levar até você notícias com precisão, agilidade e responsabilidade, seja nas coberturas de última hora ou nas reportagens mais aprofundadas. Valorizamos o jornalismo ético e transparente, e nosso objetivo é manter você bem informado sobre tudo o que acontece em Goiás, de norte a sul. Conecte-se Conosco Para ficar sempre por dentro das nossas atualizações, siga-nos nas redes sociais e acompanhe o nosso conteúdo em tempo real. Basta clicar nos links abaixo e se juntar à nossa Rede: TikTok: https://tiktok.com/goianiaurgenteoficial Instagram: https://www.instagram.com/goianiaurgenteoficial Youtube: https://www.youtube.com/@goianiaurgente

NOB HILL PIZZARIA


Isso vai fechar em 30 segundos

Verified by MonsterInsights