Morre coronel Antônio Marmo, fundador da Rotam e um dos maiores nomes da história da Polícia Militar de Goiás
Criador da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana, coronel da reserva deixa legado na formação de gerações de policiais militares e na consolidação do policiamento tático em Goiás.

A Polícia Militar de Goiás (PMGO) confirmou nesta sexta-feira (24) a morte do coronel veterano Antônio Marmo, fundador da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) e um dos oficiais mais influentes da história da corporação. O militar da reserva morreu aos 81 anos, em Goiânia. Até a última atualização, a causa da morte não havia sido divulgada oficialmente.
Reconhecido por estruturar uma das unidades mais tradicionais da segurança pública goiana, Antônio Marmo dedicou décadas de sua vida à Polícia Militar e se tornou referência nacional no desenvolvimento do policiamento tático ostensivo. Sua atuação marcou diferentes gerações de policiais militares, consolidando uma doutrina operacional que permanece adotada pela Rotam até os dias atuais.
Trajetória construída dentro da Polícia Militar
Integrante da turma de oficiais de 1971, o coronel Marmo construiu uma carreira voltada ao aperfeiçoamento técnico e operacional da corporação. Ao longo dos anos, destacou-se como instrutor, comandante e formador de policiais militares, sendo reconhecido pela disciplina, pelo rigor técnico e pelo comprometimento com a atividade policial.
Antes mesmo da criação da Rotam, Marmo já exercia funções ligadas ao treinamento de militares. Diversos policiais que passaram pela corporação relatam que tiveram o oficial como instrutor ainda nos cursos de formação, especialmente nas atividades de ordem unida e preparação militar.
Sua influência ultrapassou o comando operacional, alcançando a formação profissional de centenas de policiais ao longo de mais de quatro décadas de serviços prestados à segurança pública goiana.
A criação da Rotam
A história do coronel Antônio Marmo está diretamente ligada ao surgimento da Rotam em Goiás. Em 1981, foi criado o primeiro pelotão da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana, inicialmente subordinado à então Companhia de Policiamento de Choque (CPChoque).
Conforme registros históricos da Polícia Militar de Goiás, o então primeiro-tenente Antônio Marmo assumiu o comando da nova unidade, tornando-se responsável pela organização de sua estrutura operacional e pela definição das primeiras diretrizes de atuação.
A proposta consistia em criar um grupo especializado para atuar em ocorrências de maior complexidade, com emprego de técnicas específicas de patrulhamento tático, resposta rápida e enfrentamento à criminalidade violenta.
Ao longo dos anos seguintes, a unidade passou por sucessivas reestruturações até alcançar a configuração atual como Batalhão de Rotam, considerado uma das principais referências do policiamento especializado no Centro-Oeste.
Doutrina que permanece na corporação
Além da implantação da unidade, Antônio Marmo participou da construção da doutrina operacional que norteou o desenvolvimento da Rotam.
Em 1985, por determinação do Comando-Geral da PMGO, integrantes da unidade realizaram visita técnica à ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), da Polícia Militar de São Paulo. O intercâmbio permitiu incorporar técnicas e procedimentos que contribuíram para o aperfeiçoamento do modelo operacional adotado em Goiás.
A partir desse período, a Rotam consolidou sua identidade institucional, tornando-se referência em operações táticas e no policiamento ostensivo especializado.
Homenagens destacam legado
A morte do coronel provocou manifestações de pesar entre policiais da ativa e da reserva. Nas redes sociais, militares relembraram momentos vividos ao lado do oficial e destacaram sua contribuição para a formação profissional dentro da corporação.
O tenente-coronel Sena definiu Antônio Marmo como um “visionário” e afirmou que sua contribuição permanece presente na identidade da Rotam.
Segundo o oficial, o coronel ajudou a construir uma das maiores referências do policiamento tático brasileiro e seu legado continua vivo na doutrina da unidade e no trabalho desenvolvido pelos policiais militares que seguem seus ensinamentos.
Outros militares também relataram experiências pessoais com Marmo durante cursos de formação e períodos de serviço na década de 1970 e nos anos seguintes, ressaltando sua disciplina, liderança e dedicação ao treinamento de novos policiais.
Despedida
Segundo informações da Fundação Tiradentes, o velório ocorre na Funerária Paz Universal, localizada na Avenida Castelo Branco, no Setor Coimbra, em Goiânia.
O sepultamento está previsto para este sábado, às 10h, no Cemitério Municipal de Pontalina, no sul de Goiás, com saída do cortejo da capital durante a madrugada.
Legado para a segurança pública
Mais do que fundador da Rotam, Antônio Marmo deixa uma contribuição permanente para a Polícia Militar de Goiás. Sua atuação ajudou a consolidar um modelo de policiamento especializado que influenciou a formação de diversas gerações de policiais militares e contribuiu para o fortalecimento das operações táticas no estado.
Décadas após a criação da unidade, a Rotam permanece como uma das tropas mais reconhecidas da PMGO, preservando princípios e métodos desenvolvidos ao longo da trajetória iniciada pelo coronel. Para a corporação, sua história permanece integrada à identidade institucional da unidade e à evolução do policiamento ostensivo especializado em Goiás.
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