Médico tem registro suspenso e é investigado por suspeita de abusos em atendimentos ginecológicos, em Goiás
Apuração da Polícia Civil aponta padrão de conduta irregular em consultas e possível ampliação do número de vítimas em Goiânia e região metropolitana

A Polícia Civil de Goiás conduz investigação contra um médico ginecologista suspeito de praticar abusos durante atendimentos clínicos em Goiânia e em Senador Canedo. O caso, que reúne atualmente cinco denúncias formais, apresenta indícios de reiteração de conduta e possível subnotificação, segundo avaliação preliminar das autoridades responsáveis.
A investigação teve origem a partir de relatos recentes formalizados por pacientes, considerados consistentes do ponto de vista probatório. De acordo com a delegada responsável pelo inquérito, os depoimentos convergem para um mesmo padrão de abordagem: construção gradual de vínculo de confiança, seguida por práticas que extrapolariam os limites éticos e técnicos do atendimento médico.
Entre os elementos apurados estão a realização de exames sem observância de protocolos básicos de biossegurança, ausência de indicação clínica para determinados procedimentos e abordagem invasiva em contexto de consulta. Em alguns relatos, pacientes afirmam ter enfrentado dificuldade em distinguir a conduta profissional legítima de possíveis abusos, o que é considerado um fator relevante em crimes dessa natureza, dada a assimetria técnica entre médico e paciente.
Um dos episódios investigados aponta que a conduta irregular teria ocorrido mesmo na presença de acompanhante, o que reforça, segundo a polícia, a hipótese de comportamento reiterado e de baixa percepção de risco por parte do investigado.
Diante da gravidade dos fatos, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás informou que o registro profissional do médico foi suspenso por determinação judicial, medida cautelar que visa impedir novos atendimentos enquanto o caso é apurado. O órgão também destacou que instaurou procedimento administrativo próprio, conduzido sob sigilo, conforme prevê a legislação.
Do ponto de vista jurídico, a investigação pode enquadrar as condutas em crimes contra a dignidade sexual, além de eventuais infrações ético-profissionais previstas no Código de Ética Médica, especialmente no que se refere ao consentimento informado, respeito à integridade da paciente e observância de protocolos clínicos.
A Polícia Civil reforça o chamamento para que possíveis vítimas procurem as autoridades, ressaltando que a ampliação do conjunto probatório é essencial para a robustez da denúncia e eventual responsabilização penal. Até o momento, a defesa do investigado não foi localizada para manifestação.
O inquérito segue em fase de coleta de provas técnicas e testemunhais, incluindo análise de prontuários, oitivas e eventual produção de laudos periciais, que devem subsidiar o encaminhamento do caso ao Poder Judiciário.
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