11 de junho de 2026
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Limpa Gyn contesta decisão judicial e defende legalidade de contrato da coleta de lixo, em Goiânia

Consórcio afirma que licitação passou por análises técnicas e jurídicas e destaca que sentença não apontou superfaturamento, fraude ou prejuízo comprovado aos cofres públicos
Consórcio Limpa Gyn teria até um ano para deixar o serviço de coleta, caso decisão não seja revista (Wildes Barbosa/O Popular)

A decisão judicial que determinou a anulação da licitação da coleta de lixo de Goiânia reacendeu o debate sobre um dos contratos mais relevantes da infraestrutura urbana da capital. Embora a Justiça tenha apontado questionamentos relacionados ao modelo adotado na concorrência pública realizada em 2023, o Consórcio Limpa Gyn sustenta que a contratação ocorreu dentro da legalidade e que a própria sentença afasta qualquer indício de corrupção, superfaturamento ou dano ao patrimônio público.

Responsável pela coleta de resíduos sólidos domiciliares, coleta seletiva, remoção de entulhos e varrição mecanizada, o consórcio afirmou que recorrerá da decisão e destacou que o processo licitatório passou por diversas análises técnicas, jurídicas e fiscalizatórias antes da assinatura do contrato.

O ponto considerado mais relevante pela defesa do grupo empresarial está no reconhecimento, por parte da própria magistrada, de que não foram encontradas evidências de fraude, direcionamento, conluio entre empresas, pagamentos indevidos ou prejuízos financeiros aos cofres municipais.

A sentença também não atribui qualquer conduta ilícita ao consórcio vencedor da concorrência, concentrando os questionamentos exclusivamente em aspectos relacionados à modelagem administrativa da licitação.

Debate jurídico, não operacional

A discussão judicial gira em torno do critério de julgamento utilizado pela administração municipal da época e da contratação dos serviços em lote único. Trata-se, portanto, de um debate jurídico e administrativo sobre a estrutura da licitação, sem relação direta com a execução dos serviços prestados à população.

Durante todo o período contratual, a coleta de lixo e os demais serviços de limpeza urbana continuaram sendo executados regularmente em Goiânia. Tanto que a própria Justiça autorizou a continuidade da operação por até 12 meses, justamente para evitar riscos à população e garantir a manutenção dos serviços essenciais.

Especialistas em gestão pública observam que contratos dessa magnitude exigem estabilidade operacional, uma vez que qualquer interrupção pode gerar impactos diretos na saúde pública, no meio ambiente e na qualidade de vida dos moradores.

Ação foi movida por Mauro Rubem

A ação popular que resultou na decisão foi apresentada pelo deputado estadual Mauro Rubem (PT), que questionou a legalidade do modelo adotado na licitação realizada durante a gestão anterior.

O parlamentar defende que o processo deveria ser anulado e chegou a sugerir o fortalecimento da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) para reassumir parte dos serviços.

Por outro lado, críticos da ação argumentam que a disputa judicial ocorre mesmo sem comprovação de prejuízo financeiro ao município, fraude contratual ou irregularidades na prestação dos serviços. Para esse grupo, a insegurança jurídica provocada por sucessivos questionamentos pode comprometer o planejamento de longo prazo necessário para a limpeza urbana da capital.

Consórcio destaca histórico de investimentos

O Limpa Gyn também ressalta que a operação envolve uma estrutura complexa de equipamentos, tecnologia de monitoramento, frota especializada e equipes distribuídas em diversas regiões da cidade.

Segundo o consórcio, os investimentos realizados permitiram ampliar a capacidade operacional dos serviços e atender às exigências estabelecidas pelo contrato firmado com o município.

A empresa reforça ainda que continuará colaborando com os órgãos de fiscalização e confia na reversão da decisão nas instâncias superiores.

Próximos passos

A Prefeitura de Goiânia informou que fará análise técnica e jurídica da sentença antes de definir as medidas cabíveis. Enquanto isso, o consórcio prepara recurso para tentar reverter a anulação da concorrência.

Até que haja decisão definitiva, a coleta de lixo e os demais serviços de limpeza urbana permanecem em funcionamento normal, sem alterações para a população.

O caso deverá seguir em tramitação judicial e pode se transformar em uma das mais importantes discussões administrativas envolvendo contratos públicos e gestão de resíduos urbanos em Goiás nos próximos meses.

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Marcus

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