Goiás lança projeto inédito para remunerar brigadistas e reforçar combate a incêndios no Cerrado
Iniciativa do governo estadual abre 180 vagas no Nordeste goiano e marca transição do modelo voluntário para atuação com compensação financeira e estrutura operacional

O governo de Goiás iniciou uma inflexão na política de enfrentamento aos incêndios florestais ao instituir, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), um modelo piloto de remuneração para brigadistas comunitários. A medida, estruturada dentro do Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PEPSA), busca ampliar a capacidade de resposta no bioma Cerrado, especialmente em áreas historicamente críticas como a Chapada dos Veadeiros.
O edital prevê a seleção de 180 participantes distribuídos em seis municípios estratégicos do Nordeste goiano — Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Colinas do Sul, Teresina de Goiás, Nova Roma e São Domingos — com foco na atuação preventiva e no combate inicial a incêndios florestais. Cada brigadista poderá receber R$ 267,24 por turno de 12 horas de disponibilidade operacional, com limite de até 15 plantões mensais.
Do ponto de vista técnico, a iniciativa representa um avanço na política ambiental ao reconhecer economicamente serviços ecossistêmicos prestados por comunidades locais. A lógica do PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) considera que a proteção de recursos naturais, como vegetação nativa e biodiversidade, possui valor mensurável e deve ser incentivada por mecanismos financeiros.
A seleção inclui etapas de triagem física rigorosa, com Teste de Aptidão Física (TAF) que exige deslocamento de 1.500 metros com carga de 24 quilos, simulando condições reais de combate ao fogo. Os aprovados passarão por capacitação técnica de 45 horas, conduzida em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, abrangendo táticas de combate, segurança operacional, uso de equipamentos e estratégias de prevenção.
Além da atuação direta em incêndios, os brigadistas terão atribuições ampliadas, incluindo monitoramento territorial e ações de educação ambiental. A proposta segue diretrizes contemporâneas de gestão de riscos, que priorizam a prevenção como eixo central da política pública, reduzindo a incidência e a intensidade de queimadas durante o período crítico de estiagem.
A remuneração, no entanto, abre debate entre especialistas e integrantes das brigadas voluntárias. Lideranças locais reconhecem o avanço institucional, mas apontam que o valor pode não refletir integralmente o grau de risco, insalubridade e dedicação exigidos pela atividade. Em regiões turísticas, por exemplo, há concorrência econômica com outras atividades, o que pode influenciar a adesão ao programa.
Ainda assim, a iniciativa é considerada estratégica diante do histórico recente de grandes incêndios no Cerrado, frequentemente associados a fatores antrópicos, como uso irregular do fogo para manejo de áreas. A formalização de brigadas com suporte técnico, equipamentos de proteção individual (EPIs), seguro de vida e logística estruturada tende a elevar o padrão de resposta e reduzir danos ambientais.
A implantação do projeto durante a temporada seca — período de maior vulnerabilidade — reforça a tentativa de integrar conhecimento local com políticas públicas estruturadas. O modelo piloto será acompanhado de avaliações técnicas para possível ampliação em outras regiões do estado.
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