Funcionário de concessionária e dois empresários são presos por suspeita de furto de energia e corrupção, em Goiás
Operação da Polícia Civil investiga ligação clandestina em fazenda de Jussara e aponta possível participação de agentes externos e funcionário da empresa de energia
A Polícia Civil de Goiás prendeu temporariamente três pessoas durante uma nova fase de uma investigação sobre um suposto esquema de furto de energia elétrica, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e corrupção ativa e passiva. Entre os presos está um funcionário de uma concessionária de energia e dois empresários apontados pela investigação como intermediários das atividades ilícitas.
A operação foi realizada na quarta-feira (26) e cumpriu três mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão. A investigação teve origem na identificação de uma ligação clandestina instalada em uma fazenda na zona rural de Jussara, no oeste de Goiás.
Segundo a Polícia Civil, a estrutura era utilizada para desviar energia elétrica. A irregularidade foi identificada durante uma ação que contou com a participação de equipes da concessionária responsável pelo fornecimento de energia e acompanhamento de peritos da Polícia Técnico-Científica.
Após a constatação da ligação irregular, o sistema clandestino foi retirado e posteriormente inutilizado. A partir desse trabalho, os investigadores passaram a apurar não apenas a instalação utilizada para o furto de energia, mas também a possível existência de uma estrutura organizada para viabilizar e manter as fraudes.
Investigação aponta diferentes funções no esquema
De acordo com a Polícia Civil, os dois empresários presos nesta etapa são investigados por atuar como intermediários na contratação ou articulação dos serviços considerados ilícitos.
O funcionário da concessionária, por sua vez, é apontado pela investigação como alguém que teria dado continuidade às práticas investigadas mesmo depois da prisão de outro empregado da empresa em uma fase anterior da operação.
As suspeitas envolvem, além do furto de energia, possíveis crimes relacionados à alteração ou inserção de informações falsas em sistemas de informação e práticas de corrupção. A apuração busca esclarecer a participação individual de cada investigado e a extensão das atividades atribuídas ao grupo.
Como os investigados foram presos temporariamente e a investigação trata de suspeitas criminais, a responsabilidade de cada um ainda deverá ser analisada pelas autoridades competentes e pelo Poder Judiciário.
Operação chegou a oito prisões
A ação realizada nesta semana representa a terceira fase da investigação. Nas etapas anteriores, segundo a Polícia Civil, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão.
Com os mandados cumpridos na quarta-feira, a operação alcançou oito prisões temporárias e nove mandados de busca e apreensão ao longo das três fases.
A corporação informou que os envolvidos foram identificados durante o avanço das diligências e que a estrutura clandestina localizada no início da investigação foi desativada.
Atuação da Polícia Técnico-Científica
A participação da Polícia Técnico-Científica ocorreu durante a retirada da ligação clandestina localizada na propriedade rural. O trabalho pericial é relevante para documentar tecnicamente a irregularidade e preservar elementos que possam contribuir para a investigação criminal.
Em casos envolvendo possíveis fraudes no fornecimento de energia, a análise técnica pode auxiliar na identificação das características da ligação, dos mecanismos utilizados e de outros vestígios relacionados à intervenção no sistema elétrico.
Concessionária diz apoiar investigação
Em nota, a Equatorial informou que repudia qualquer desvio de conduta, especialmente práticas que contrariem os princípios éticos, legais e operacionais da companhia.
A empresa também declarou que acompanha e apoia as ações das autoridades policiais desde o início da investigação e que vem prestando os esclarecimentos e o suporte necessários.
Os nomes dos presos não foram divulgados pelas autoridades. Por esse motivo, não há, até o momento, manifestação pública das respectivas defesas nesta etapa da investigação.
Próximos passos
Segundo a Polícia Civil, as investigações foram concluídas e todos os envolvidos já foram identificados. O inquérito policial será relatado e encaminhado ao Poder Judiciário dentro do prazo previsto em lei.
A partir do encaminhamento, caberá às autoridades judiciais e ao Ministério Público avaliar os elementos reunidos durante a apuração e definir os próximos procedimentos no processo.
Até eventual decisão judicial definitiva, os envolvidos devem ser tratados como investigados, e não como culpados pelos crimes apurados.
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