Foragido capturado no Rio é apontado como articulador da explosão e fuga no Presídio de Trindade
Polícia atribui a liderança do plano de 2018 a criminoso goiano preso em comunidade dominada por facção; ação envolveu explosões coordenadas e resultou na evasão de 20 detentos
A prisão de um criminoso goiano em uma comunidade do Rio de Janeiro reacendeu detalhes de um dos episódios mais graves do sistema prisional em Goiás. Segundo a Polícia Militar de Goiás (PMGO), o homem detido é apontado como líder do plano que resultou na explosão do muro e na fuga em massa do Presídio de Trindade, episódio que expôs fragilidades estruturais e operacionais da unidade.
As informações oficiais indicam que Cássio Dumont Martins Tavares, conhecido no meio criminoso como Cascão, teria coordenado a ação com o apoio de outro integrante do grupo, Edvan Esteves, capturado posteriormente fora do estado. A estratégia, de acordo com a PM, envolveu duas detonações sucessivas: uma explosão inicial, de menor impacto, para desviar a atenção dos agentes penitenciários, seguida da detonação principal, que rompeu o muro da penitenciária e abriu passagem para a evasão simultânea de 20 internos.
Desde então, Cássio permanecia oculto em uma área controlada por facção criminosa, na comunidade do Fallet/Fogueteiro, região central do Rio. A localização foi possível, conforme a PM, a partir de trabalho integrado de inteligência entre forças de segurança de Goiás, do Rio de Janeiro e a Polícia Federal, com cruzamento de dados, monitoramento de vínculos e análise de movimentações logísticas do grupo.
As autoridades ressaltam que o preso acumulava condenações na Justiça goiana, incluindo roubo, homicídio qualificado e tentativa de homicídio, além de registros por tráfico de drogas. Mesmo distante fisicamente de Goiás, a polícia sustenta que ele mantinha influência operacional sobre atividades ilícitas na Região Metropolitana de Goiânia. Entre elas, estaria a coordenação de um esquema de distribuição rápida de entorpecentes, conhecido como “delivery”, com uso de motocicletas e veículos para pulverizar pontos de venda, segundo relato do comando da operação.
A captura ocorreu sem resistência, conforme os policiais, e o preso foi conduzido para cumprimento do mandado judicial em aberto. A defesa de Cássio afirmou que recebeu com surpresa a notícia do cumprimento do mandado de prisão e que está tomando “todas as providências legais para apurar as circunstâncias de sua prisão”. Em relação à informação, divulgada pela polícia, de chefiar o tráfico de drogas, a defesa afirmou que só vai se manifestar em juízo.
Para especialistas em segurança pública, o caso evidencia a capilaridade do crime organizado e sua capacidade de planejamento sofisticado, inclusive a partir do interior do sistema prisional ou por meio de lideranças em fuga. A atuação conjunta entre estados é apontada como decisiva para romper redes interestaduais e reduzir a reincidência de crimes de alto impacto.
A investigação segue sob responsabilidade das autoridades competentes, com foco na responsabilização penal dos envolvidos e no aperfeiçoamento dos protocolos de segurança para evitar novos episódios semelhantes no sistema penitenciário.
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