Espuma branca aparece no Rio Meia Ponte e mobiliza investigação ambiental, em Goiânia
Amostras da água foram recolhidas pela Semad e pela Dema; origem do material ainda é investigada e autoridades afirmam que não há indicação de risco ao abastecimento

Uma concentração de espuma branca voltou a ser observada no Rio Meia Ponte, em Goiânia, na manhã desta sexta-feira (14), no trecho próximo à ponte da BR-153, na região do Conjunto Caiçara. A ocorrência mobilizou equipes da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (Dema) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que recolheram amostras da água para identificar a composição do material e verificar se houve alteração na qualidade do rio.
Até o momento, não há confirmação sobre a origem da espuma nem conclusão de que tenha ocorrido crime ambiental ou contaminação do curso d’água. Segundo o titular da Dema, Luziano de Carvalho, uma das hipóteses consideradas é a presença de compostos semelhantes aos encontrados em detergentes, sabões e outros produtos de limpeza. O material observado teria percorrido aproximadamente 500 metros antes de perder concentração e desaparecer.
A investigação ocorre durante o período de estiagem, quando a vazão do Rio Meia Ponte é menor e alterações na superfície da água podem se tornar mais visíveis. A avaliação, entretanto, depende dos resultados das análises técnicas realizadas pelos órgãos ambientais.
Semad coleta água e verifica condições do rio
A Semad informou que enviou uma equipe técnica ao local para avaliar a ocorrência. Além da coleta de amostras, os técnicos utilizaram uma sonda multiparamétrica para verificar parâmetros físico-químicos da água e fizeram uma avaliação das condições ambientais do rio e de suas margens.
As amostras foram encaminhadas ao laboratório da própria secretaria. A partir dos resultados laboratoriais e das informações obtidas durante a vistoria, poderão ser adotadas medidas administrativas caso sejam identificadas alterações incompatíveis com as condições esperadas ou uma eventual fonte de contaminação.
O procedimento é importante porque a presença visual de espuma, por si só, não permite determinar sua composição ou estabelecer automaticamente que houve lançamento irregular de substâncias no rio.
Saneago aponta condições que podem favorecer formação de espuma
A Companhia Saneamento de Goiás (Saneago), responsável pela operação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Dr. Hélio Seixo de Britto, também se manifestou sobre o episódio.
Segundo a companhia, o ponto onde a espuma foi identificada fica distante do local de lançamento dos efluentes tratados da estação. A empresa também informou que o trecho possui queda d’água e intenso turbilhonamento, características que, combinadas à baixa vazão provocada pelo período de estiagem, podem favorecer a formação de espuma.
A Saneago citou ainda a possibilidade de participação de substâncias presentes em detergentes, sabões e produtos de limpeza. Esses compostos podem reduzir a tensão superficial da água e facilitar a incorporação de ar, formando espuma em locais onde há movimentação mais intensa do curso d’água.
A explicação, contudo, não substitui a análise laboratorial. A identificação precisa da composição do material é necessária para estabelecer se existe relação com algum lançamento de efluentes ou com outra fonte.
Dema considera hipótese relacionada a efluentes
A avaliação preliminar apresentada pela Dema considera a possibilidade de que o fenômeno esteja relacionado a efluentes provenientes da região da estação de tratamento. Entre as hipóteses levantadas estão alterações no funcionamento do sistema ou alguma ocorrência relacionada ao processo de tratamento.
Essa possibilidade ainda não foi confirmada. A investigação deverá considerar tanto os resultados das amostras coletadas quanto as condições operacionais e ambientais verificadas no local.
A divergência entre as avaliações preliminares reforça a necessidade de aguardar os dados técnicos antes de estabelecer a origem da espuma.
Trecho não compromete abastecimento, segundo avaliação apresentada
O Rio Meia Ponte tem importância estratégica para o abastecimento de água de Goiás. A bacia hidrográfica responde por parcela significativa da água utilizada na Região Metropolitana de Goiânia.
Apesar disso, segundo a avaliação apresentada pelo delegado Luziano de Carvalho, o trecho onde a espuma foi identificada não representa, neste momento, risco ao abastecimento da região. Naquele ponto, o curso do rio segue em direção ao sul do Estado, alcançando áreas próximas a municípios como Hidrolândia e Professor Jamil.
A avaliação sobre o abastecimento, entretanto, não elimina a necessidade de investigação ambiental. O monitoramento da qualidade da água é fundamental especialmente em períodos de baixa vazão, quando a capacidade de diluição de determinadas substâncias pode ser reduzida.
Fenômeno já foi registrado anteriormente
O aparecimento de espuma no Rio Meia Ponte não é uma ocorrência inédita. Episódio semelhante foi registrado no mesmo trecho em agosto do ano passado. Na ocasião, conforme informações apresentadas no texto-base, a formação teria sido associada aos efluentes da ETE Dr. Hélio Seixo de Britto, localizada no Setor Goiânia 2.
O episódio atual, porém, precisa ser analisado separadamente. A repetição do fenômeno no mesmo curso d’água não significa, por si só, que a origem seja necessariamente a mesma.
A estação de tratamento passou por mudanças operacionais relacionadas ao tratamento secundário, cuja implantação foi mencionada em registros anteriores sobre ocorrências de espuma no Meia Ponte. A investigação atual deverá verificar se existe alguma conexão técnica entre o funcionamento da estrutura e o material observado nesta sexta-feira.
Outros acidentes ambientais chamaram atenção em agosto
A nova ocorrência acontece poucas semanas depois de outros episódios envolvendo recursos hídricos da região.
No dia 1º de agosto, aproximadamente 10 mil litros de biodiesel atingiram o Rio Meia Ponte após o tombamento de um caminhão na GO-403, entre Goiânia e Senador Canedo. O acidente exigiu ações de contenção e mitigação dos impactos ambientais.
Outro caso ocorreu em 27 de julho, quando o Córrego Pernambuco, afluente do Rio Dourados, foi atingido por substâncias químicas após o incêndio de uma carreta que transportava produtos de limpeza na BR-153, no trecho entre Goiânia e Morrinhos. Segundo as informações apresentadas no texto-base, a ocorrência provocou alteração da coloração da água e foi associada à morte de animais e impactos no ecossistema aquático.
Os episódios são distintos e não há informação que permita relacioná-los diretamente ao surgimento da espuma no Meia Ponte. O conjunto de ocorrências, entretanto, reforça a necessidade de fiscalização e acompanhamento permanente dos recursos hídricos durante o período de estiagem.
Investigação deve apontar origem do material
Neste momento, a principal questão é identificar a composição da espuma e determinar como ela chegou ao Rio Meia Ponte. Para isso, as autoridades deverão cruzar os resultados das análises laboratoriais com as informações coletadas durante a vistoria de campo.
Caso sejam encontradas substâncias em concentrações incompatíveis com os parâmetros ambientais ou seja identificada uma fonte irregular de lançamento, os órgãos competentes poderão adotar as medidas administrativas e legais cabíveis.
Enquanto os resultados não são concluídos, a orientação é evitar conclusões antecipadas sobre a origem do fenômeno. A aparência da água permite identificar uma alteração visual, mas não é suficiente para determinar, isoladamente, sua causa ou o eventual grau de risco ambiental.
O episódio volta a colocar o Rio Meia Ponte no centro da atenção ambiental de Goiânia e evidencia a importância do monitoramento da qualidade da água, principalmente durante a estiagem, quando a redução da vazão torna alterações no curso d’água mais perceptíveis e pode modificar a capacidade natural de diluição de determinadas substâncias.
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