Empresário é preso em Goiânia durante operação contra golpe do falso financiamento
Investigação da Polícia Civil aponta que ao menos 37 consumidores foram lesados por esquema que prometia crédito facilitado; contas bancárias foram bloqueadas para garantir possível ressarcimento às vítimas.
A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta terça-feira (4), uma operação para desarticular um grupo investigado por aplicar o chamado golpe do falso financiamento em Goiânia. Durante a ação, um empresário foi preso por suspeita de integrar a organização criminosa, que, segundo as investigações, teria lesado ao menos 37 consumidores por meio da falsa promessa de obtenção de crédito para aquisição de veículos.
A ofensiva foi conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), em atuação conjunta com o Procon Goiás. Conforme informações oficiais, a empresa investigada funcionava na Avenida Rio Verde, onde atraía clientes interessados em financiar automóveis e motocicletas, principalmente pessoas com restrições de crédito ou trabalhadores autônomos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava anúncios divulgados em marketplaces e redes sociais para oferecer condições consideradas atrativas de financiamento. As investigações apontam que as vítimas eram convencidas a realizar pagamentos acreditando que teriam acesso ao crédito prometido. Posteriormente, descobriam que o serviço anunciado não era efetivamente prestado.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, máquinas de cartão, planilhas de controle de comissões, controles administrativos, cartilhas utilizadas para treinamento de funcionários e diversos documentos relacionados às atividades da empresa, incluindo minutas de termos de rescisão contratual, reembolso e renúncia. Segundo a corporação, o material será analisado para aprofundar as investigações e identificar a participação de outros envolvidos.
Também por determinação judicial, foram bloqueadas contas bancárias dos investigados e das empresas apontadas como de fachada, até o limite de R$ 91.609,84. Conforme a Polícia Civil, a medida busca preservar recursos para eventual ressarcimento das vítimas, caso haja condenação ao final do processo.
As investigações são coordenadas pelo delegado Khlisney Kesser Lemes da Costa Campos, que apura a possível atuação estruturada de uma associação criminosa especializada em fraudes contra consumidores.
Paralelamente à investigação criminal, o Procon Goiás informou que a empresa já havia sido autuada administrativamente por supostas práticas abusivas, propaganda enganosa e deficiência na prestação de informações aos consumidores. Segundo o gerente de fiscalização do órgão, Antonísio Teixeira, os clientes somente percebiam que haviam sido enganados após efetuarem pagamentos relacionados ao suposto financiamento.
O Procon orienta que consumidores desconfiem de ofertas que prometam aprovação rápida de crédito sem análise adequada ou condições muito abaixo das praticadas pelo mercado. A recomendação é pesquisar a reputação da empresa, exigir contratos claros, verificar registros em órgãos oficiais e evitar pagamentos antecipados sem garantias documentais.
Até a publicação desta reportagem, a defesa do empresário investigado e das empresas citadas não havia sido localizada para se manifestar. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.
A Polícia Civil informa que as investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do esquema, apurar a extensão dos prejuízos e verificar se existem novas vítimas.
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