Catarata ameaça independência dos idosos e aumenta risco de quedas, alerta Sociedade Goiana de Oftalmologia
Doença é a principal causa de cegueira evitável no mundo e pode comprometer atividades simples do cotidiano; especialistas destacam que o tratamento cirúrgico costuma recuperar a visão e devolver qualidade de vida.

A catarata continua sendo uma das principais causas de perda da visão entre pessoas idosas e pode afetar diretamente a autonomia, a segurança e a qualidade de vida. O alerta é da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO), que chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado diante do envelhecimento acelerado da população brasileira.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, cerca de 34,6% dos brasileiros com 60 anos ou mais receberam diagnóstico de catarata em pelo menos um dos olhos. O cenário ganha ainda mais relevância com o crescimento da população idosa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 22 milhões, em 2012, para 34,1 milhões, em 2024, um aumento de 53,3% em pouco mais de uma década.
De acordo com a SGO, a catarata ocorre quando o cristalino — lente natural responsável por focalizar as imagens — perde gradualmente sua transparência, tornando a visão cada vez mais opaca. Embora o envelhecimento seja o principal fator associado ao desenvolvimento da doença, outras condições também podem acelerar esse processo, como diabetes, uso prolongado de medicamentos à base de corticoides, tabagismo, exposição excessiva aos raios solares sem proteção, traumas oculares e algumas doenças dos olhos.
O presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia, oftalmologista Dr. Leiser Franco, explica que a evolução costuma ser lenta, fazendo com que muitos pacientes demorem a perceber a perda progressiva da visão.
Segundo o especialista, familiares frequentemente identificam primeiro as mudanças na rotina do idoso, como dificuldade para ler, assistir televisão, reconhecer pessoas, cozinhar, caminhar em ambientes pouco iluminados ou dirigir durante a noite.
Entre os principais sinais da doença estão visão embaçada, aumento da sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar no período noturno, alterações na percepção das cores e necessidade frequente de trocar os óculos. Conforme a catarata evolui, essas limitações podem comprometer atividades cotidianas e elevar significativamente o risco de acidentes domésticos e quedas.
O alerta também é reforçado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta a deficiência visual como um importante fator associado ao isolamento social, à perda de mobilidade e ao aumento da ocorrência de fraturas entre idosos. Globalmente, mais de 94 milhões de pessoas convivem com a catarata, considerada a principal causa de cegueira evitável.
Embora não exista uma forma de impedir completamente a catarata relacionada ao envelhecimento, especialistas destacam que hábitos saudáveis podem retardar seu aparecimento. O uso de óculos com proteção contra radiação ultravioleta, o controle adequado do diabetes, a interrupção do tabagismo, uma alimentação rica em frutas e verduras e consultas periódicas ao oftalmologista ajudam a preservar a saúde ocular.
A avaliação médica também é fundamental porque outras doenças podem apresentar sintomas semelhantes aos da catarata. O diagnóstico correto permite indicar o tratamento mais adequado para cada paciente.
Quando a perda visual começa a interferir nas atividades do dia a dia, a cirurgia passa a ser o tratamento recomendado. O procedimento consiste na retirada do cristalino opaco e sua substituição por uma lente intraocular permanente. Atualmente, a técnica é considerada segura, rápida e realizada, na maioria dos casos, em regime ambulatorial.
Especialistas ressaltam que a indicação cirúrgica não depende apenas do grau da catarata, mas do impacto da doença na rotina do paciente. Adiar o procedimento pode resultar em piora progressiva da visão, aumentar o risco de quedas, dificultar a realização da cirurgia em fases mais avançadas e elevar a possibilidade de complicações.
Antes da cirurgia, é necessário seguir todas as orientações médicas, realizar os exames solicitados e manter doenças como hipertensão e diabetes sob controle. No pós-operatório, o uso correto dos colírios, a proteção do olho operado e o comparecimento às consultas de acompanhamento são fundamentais para a recuperação.
A Sociedade Goiana de Oftalmologia orienta que idosos e familiares estejam atentos aos primeiros sinais de perda visual e procurem atendimento especializado sempre que houver dificuldade para realizar tarefas antes executadas normalmente. O diagnóstico precoce e o tratamento no momento adequado podem preservar a independência, reduzir riscos de acidentes e proporcionar melhor qualidade de vida.
Tags: #Goiás, #Goiânia, #Saúde, #SaúdeOcular, #Catarata, #Idosos, #Oftalmologia, #SociedadeGoianaDeOftalmologia, #Prevenção, #CirurgiaDeCatarata, #Visão, #Envelhecimento, #QualidadeDeVida, #IBGE, #OMS, #SaúdePública


