Caldas Novas concentra mais de 80% dos casos de chikungunya no estado, aponta Secretaria de Estado da Saúde de Goiás
Município soma 1.169 confirmações em 2026; força-tarefa estadual intensifica controle do Aedes aegypti e investiga três óbitos suspeitos

Caldas Novas responde por 82,67% dos casos confirmados de chikungunya em Goiás em 2026, segundo dados consolidados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Até esta quarta-feira (25), o estado contabiliza 2.923 notificações da doença, com 1.414 confirmações laboratoriais. Desse total, 1.169 foram registradas no município do sul goiano.
O volume de ocorrências levou a cidade a decretar situação de emergência em saúde no início do ano, inicialmente sob a suspeita de surto de dengue. Com a evolução das análises laboratoriais, a SES esclareceu que a epidemia em curso é de chikungunya, arbovirose também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
Resposta sanitária e força-tarefa
De acordo com a Subsecretaria de Vigilância em Saúde, o aumento atípico das notificações motivou o envio de equipe técnica estadual para avaliar tanto a assistência aos pacientes quanto as ações de controle vetorial. A estratégia inclui manejo ambiental para eliminação de criadouros, aplicação focal de inseticida quando indicada e reorganização do fluxo de atendimento nas unidades de saúde para reduzir tempo de espera e ampliar a capacidade diagnóstica.
A SES informa que três óbitos suspeitos estão sob investigação epidemiológica e laboratorial. Até o momento, não há confirmação oficial de morte por chikungunya em Goiás neste ano.
Tecnologia e controle do vetor
Em paralelo às medidas convencionais, a Secretaria Municipal de Saúde de Caldas Novas iniciou a instalação de 2 mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tornando-se o primeiro município goiano a adotar a tecnologia em larga escala. O método consiste em armadilhas que atraem o mosquito adulto; ao entrar em contato com o larvicida, o inseto transporta micropartículas do produto para outros criadouros, inclusive recipientes de difícil acesso.
A ação é complementada por ciclos de nebulização espacial — o chamado fumacê — em áreas com maior incidência de casos. Especialistas ressaltam, contudo, que o controle químico tem efeito temporário e deve ser associado à eliminação sistemática de recipientes com água parada, principal fator de proliferação do vetor.
Perfil epidemiológico
Além de Caldas Novas, outros 25 municípios goianos registram casos confirmados de chikungunya em 2026. Entre os que concentram maior número de ocorrências estão Rialma (56 casos), Corumbaíba (51), Ceres (28), Rio Quente (15), Goiânia (14), Morrinhos (13), Adelândia (13), Jataí (10) e Aparecida de Goiânia (6).
A chikungunya é caracterizada por febre alta de início súbito e dores articulares intensas, podendo evoluir para quadros de artralgia persistente. Não há vacina disponível no sistema público brasileiro até o momento, e a infecção tende a conferir imunidade duradoura após o primeiro episódio, o que não elimina o risco coletivo enquanto houver circulação viral e presença do vetor.
Desafio estrutural
O cenário em Caldas Novas evidencia a vulnerabilidade de municípios com intensa circulação de pessoas, sobretudo em períodos de alta temporada turística, fator que pode ampliar a exposição ao mosquito. A SES reforça que a contenção da doença depende de vigilância epidemiológica ativa, resposta rápida das equipes de saúde e engajamento da população na eliminação de criadouros domésticos.
A orientação técnica permanece centrada na prevenção: inspeção semanal de residências, descarte adequado de recipientes que acumulam água e atenção imediata a sintomas compatíveis com arboviroses. O controle do Aedes aegypti continua sendo a principal barreira contra a expansão da chikungunya, da dengue e da zika no estado.
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